quinta-feira, 19 de agosto de 2010
terça-feira, 17 de agosto de 2010
quinta-feira, 12 de agosto de 2010
domingo, 1 de agosto de 2010
últimos dias.
Tateou com os pés descalços o chão da cidade mineira, descascou laranjas sentada no chão e comeu cada uma sentido aquele gosto único, pintou as unhas com as cores do café, furou as orelhas virgens de sessenta anos e as enfeitou com brincos. Partiu bonita e livre, como uma criança (re)descobrindo as suas origens.
quinta-feira, 29 de julho de 2010
quarta-feira, 28 de julho de 2010
quarta-feira, 21 de julho de 2010
tum-tum, tum-tum...
De repente... o sentimento fica tão forte que transcende a pele, ultrapassa os poros e bate em você.
quarta-feira, 14 de julho de 2010
sobre as férias.
Enfrento os dias com os olhos descobertos, as palavras mudas e esquecidas... Sem garras, na ponta do nariz da memória, no que pode se transformar em forte, porque ainda é tão fraco. Fraco em não agir com indiferença à todo esse turbilhão que a estrada carrega.
Eu estou aqui com o coração nas mãos. E caminhando sem forças, só para onde o vento me leva... Eu não tenho forças para enfrentar o poder que essas memórias tem sobre o meu corpo, sobre a minha mente, sobre a minha paz...
Eu estou aqui com o coração nas mãos. E caminhando sem forças, só para onde o vento me leva... Eu não tenho forças para enfrentar o poder que essas memórias tem sobre o meu corpo, sobre a minha mente, sobre a minha paz...
sexta-feira, 2 de julho de 2010
"A plenitude tornou-se dolorosa e pesada e Joana era uma nuvem prestes a chover. "
Eu agarrei cada palavra que poderia gritar pela minha boca. Eu amarrei minha garganta porque eu não tinha direito de ferir ninguém, de querer nada por ninguém. Eu só tinha direito de ficar calada no meu canto sofrendo cada pedacinho do amargo gosto da derrota que é ver o amor escorrendo pelo ralo. Não se pode sentir pelos outros. Não se pode prender ninguém. Eu dei a liberdade de alguém fazer meu coração escorrer. Eu sempre me calei e amarrei as palavras fundo na garganta pra nunca invadir ninguém. Eu prendi elas e elas comeram todos os pedacinhos do meu fígado. Elas correram pelas minhas veias, elas me cutucuram por noites e dias. Eu sofri calada para não invadir ninguém. E deixei isso tudo invadir cada centímetro do meu corpo. E em troca, recebi egoísmo.
Acredito mais nelas, que sentem o ruído da vida pelo ventre, dizem pelos olhos e pela pele, mudos e repletos, - e por fim, desaguam com o mesmo poder de se manter de pé.
quarta-feira, 30 de junho de 2010
mães e suas redomas de vidro.
Eu nunca vi os olhos da morte. Ela me parece mais com alguém que vai comprar cigarros e nunca volta pra casa. Ela não tem gosto, cheiro ou tato.
O dia estranhou logo de manhã e assim continuará. O tempo corre lento no meu relógio, enquanto o mundo vive aos tropeços. Até que a escuridão cubra o dia... enfim, alguma coisa finita... ou não.
O dia estranhou logo de manhã e assim continuará. O tempo corre lento no meu relógio, enquanto o mundo vive aos tropeços. Até que a escuridão cubra o dia... enfim, alguma coisa finita... ou não.
sábado, 26 de junho de 2010
Passei a tarde, noite e manhã inteiras tentando me livrar da sujeira que estava impregnada neles. Porque as coisas fluem e se espalham pelo ar... e daí fica assim: eu respirando a agonia toda. Felizmente os acasos surgem e me trazem um pouco de luz. Mas ainda há resquícios que que precisam de tempo pra sair do corpo.
domingo, 20 de junho de 2010
Perto do coração selvagem.
- O que vai acontecer comigo?
- Não sei - respondeu ele depois de um curto silêncio - talvez você seja feliz alguma vez, não compreendo, de uma felicidade que poucas pessoas invejarão. Nem sei se poderia chamar de felicidade. Talvez você não encontre mais ninguém que sinta como você, como...
C.L.
- Não sei - respondeu ele depois de um curto silêncio - talvez você seja feliz alguma vez, não compreendo, de uma felicidade que poucas pessoas invejarão. Nem sei se poderia chamar de felicidade. Talvez você não encontre mais ninguém que sinta como você, como...
C.L.
segunda-feira, 14 de junho de 2010
sexta-feira, 11 de junho de 2010
quinta-feira, 27 de maio de 2010
sexta-feira, 21 de maio de 2010
quinta-feira, 13 de maio de 2010
Eu tenho as lembranças mais bonitas de alguém que existiu somente por um tempo. Me parece alguém que vive de existências. É mais fácil fugir dessa forma quando não se quer ter coragem. Esconde-se tanto da vida que não é mais possível encontrá-la e talvez ela tenha se tornado muito ruim mesmo com as fugas todas para querer voltar a ser.
segunda-feira, 3 de maio de 2010
não se enxerga nada pela superfície.
Esfreguei a pele bem forte para me libertar de toda aquela sujeira. Rasgando os poros e tentando me libertar de algo que eu não sabia ao certo de onde veio. De nada adiantou, aquilo estava solto no ar e de lá alcançava a minha superfície. Agradeci porque só até ali chegaria. Nada conseguiria ferir o que de fundo havia em mim - é lá que se encontra o que há de puro e verdadeiro. Embora haja quem só conheça superfícies.
quinta-feira, 29 de abril de 2010
na velocidade da queda...
Eu prezo pela desconstrução.
Mesmo brigando com os sedimentos tão agarrados à minha pele.
Mesmo brigando com os sedimentos tão agarrados à minha pele.
sábado, 24 de abril de 2010
psiu. (2)
Eu não tenho saudades de você. Eu tenho saudades daquela certeza verdadeira que brotava dos meus olhos.
domingo, 11 de abril de 2010
quarta-feira, 7 de abril de 2010
segunda-feira, 5 de abril de 2010
terça-feira, 30 de março de 2010
segunda-feira, 29 de março de 2010
Meu coração inflado.
É um conforto ter um lar e não uma morada na segunda casa. Ir é sempre ganhar e perder. E às vezes a gente ganha muito mais do que perde. Meus lares nômades me completam.
domingo, 28 de março de 2010
segunda-feira, 22 de março de 2010
de quem é o poço?
Cama macia pra dormir, ração pra comer, chuveiro pra aquecer, livro pra ler, tv pra entreter, computador pra virtualviver. E ele sem teto e sem chão. O estômago que range uma fome só - sem olhos pra desejar.
domingo, 21 de março de 2010
sábado, 13 de março de 2010
segunda-feira, 1 de março de 2010
sábado, 27 de fevereiro de 2010
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010
Só queria lembrar.
Queria anotar algumas coisas em um papel, amassá-lo junto com um monte de outros papéis, e guardá-lo no lugar mais fundo do armário. Só pra ninguém ler e eu lembrar de algumas coisas que ficam guardadas tão fundo na mente que dá medo de perder...
terça-feira, 23 de fevereiro de 2010
"Abraça tua loucura antes que seja tarde demais."
"Mas estávamos ali, como dois sobreviventes - para usar a linguagem que ele provavelmente teria, se falássemos disso - de um naufrágio. Ou para usar a minha própria linguagem, essa de gente que vive amontoada entre outras gentes, mesmo quando se retira, porque a vida incha lá fora, invadindo as janelas fechadas, sobreviventes de uma série de fracassos iguais e mesmas tentativas, idênticas queixas, esperas inúteis, mágoas inconfessáveis de tão miúdas. Eu podia falar lento, deixando o que dizia escorregar da garganta para a língua, da língua em movimento contra o céu da boca para os lábios, que com o ar soprado entre os dentes formaria palavras um pouco ao acaso, sem muita importância..."
(O marinheiro, Caio F.)
domingo, 21 de fevereiro de 2010
segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010
meu peito inflado.
É inegável a paz de se estar em volta da roda toda e não ter olhos pra ninguém além daquele núcleo quente e próximo que faz o movimento de se mexer os lábios o mais simples, e as palavras voam, voam na velocidade em que o coração bate, tão rápido e feliz por estar ali. Demonstrar qualquer coisa já é mais com olhar do que com qualquer palavra.
E qualquer coisa que provoque os olhos, os ouvidos ou a boca, já faz estremecer a pele. Tantas e tantas sensações e tantos e tantos toques de vida. No asfalto não sobrará os pedaços de cores do carnaval, só no nosso peito como resquícios desses dias todos.
E qualquer coisa que provoque os olhos, os ouvidos ou a boca, já faz estremecer a pele. Tantas e tantas sensações e tantos e tantos toques de vida. No asfalto não sobrará os pedaços de cores do carnaval, só no nosso peito como resquícios desses dias todos.
sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010
pra quem sabe quem.
Menina, aumenta a roda do vestido! E gira rápido, rápido... sem medo!
Só não te esquece de ouvir o vento
Ele pode assoprar nos teus ouvidos,
te roubar o tento...
Só não esquece que o mundo todo é teu amigo - nos pequenos cantos
Já nos grandes, toma tento!
Cuida com os olhos e os ouvidos, mas nem por isso deixe de girar...
Só não te esquece de ouvir o vento
Ele pode assoprar nos teus ouvidos,
te roubar o tento...
Só não esquece que o mundo todo é teu amigo - nos pequenos cantos
Já nos grandes, toma tento!
Cuida com os olhos e os ouvidos, mas nem por isso deixe de girar...
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010
As pessoas mais bonitas?
Aquelas que tateiam o mundo como formigas, riscando a terra até que o mundo se remexa todo só pela presença delas.
Risc, risc, risc...
Risc, risc, risc...
domingo, 7 de fevereiro de 2010
seco.
Nossa condição de sair batida entre as pedras, com as rachaduras costuradas à dente. Não há sangue pra molhar as feridas hoje. Meu coração bate como um movimento contínuo do qual não consegue se desligar, não há sangue, não há água, não há o que circule no peito. Além de uma ferida que insiste em aumentar. E o corpo amortecido insiste em penar no vazio. Seria demais pedir pulsos rasgados pra alimentar essa alma calada. Eu já quero me alimentar de mim só pra não te deixar com os olhos secos de tão profundo que eles sempre alcançam. Teus olhos que avançam sobre o infinito e não quero tirá-los dessa imensidão azul que brilha em ti tão fundo. Se me perguntassem a cor dos teus olhos eu diria azuis ou aquele preto infinito de girassóis. Te prometo um abraço fundo ao término do latejar, quando o sangue já circulará, ao impossível de se estancar.
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010
manhã azul-amarela.
No meio das lembranças que a mente insiste em trazer, vem aquelas que paralisam o tempo.
É como o tempo de manhã, como o pêlo do cachorro macio que acabou de acordar, pés descalços no piso gelado pra ver o rio caminhar, dia assim, nascendo, florescendo, mesmo que embaixo dos lençóis, feito minhoca que sai da terra pra encontrar o sol por talvez pouco tempo e se torna único. Tem gente que faz raiar tanto o sol que a gente sente ele pra sempre.
É como o tempo de manhã, como o pêlo do cachorro macio que acabou de acordar, pés descalços no piso gelado pra ver o rio caminhar, dia assim, nascendo, florescendo, mesmo que embaixo dos lençóis, feito minhoca que sai da terra pra encontrar o sol por talvez pouco tempo e se torna único. Tem gente que faz raiar tanto o sol que a gente sente ele pra sempre.
sábado, 30 de janeiro de 2010
Palimpsesto
Na boca um sabor de memória
como as paredes daquela casa fazem
quando fecho as portas e me vejo dentro
dentro de outro tempo,
dentro de outra casa,
dentro de mim.
Me desfaço em espaços de tempo...
e às vezes alimento até um certo receio de me perder.
Desnudo a minha pele
como um palimpsesto.
E de repente é tudo exposto...
Veias, artérias, cicatrizes
das mais fundas
das mais carregadas
cheiro
gosto
tato
Tato doce e lento
como eu sempre caminho pelas coisas
Um dia, um amor me disse que eu penetrava as coisas com a pele
mas lento, bem lento...
como se elas pudessem ficar guardadas no tempo.
Eu agarro as coisas no tempo das coisas
mas elas permanecem no infinito...
Os lugares vibram, mas alguns são tão secos...
E doem fundo em nós.
Parede cor de tomate maduro rasgando...
Vê, vê ali as cicatrizes da parede: palimpsesto.
Palha seca,
Porta rasgada da memória,
Que eu entro e me perco.
como as paredes daquela casa fazem
quando fecho as portas e me vejo dentro
dentro de outro tempo,
dentro de outra casa,
dentro de mim.
Me desfaço em espaços de tempo...
e às vezes alimento até um certo receio de me perder.
Desnudo a minha pele
como um palimpsesto.
E de repente é tudo exposto...
Veias, artérias, cicatrizes
das mais fundas
das mais carregadas
cheiro
gosto
tato
Tato doce e lento
como eu sempre caminho pelas coisas
Um dia, um amor me disse que eu penetrava as coisas com a pele
mas lento, bem lento...
como se elas pudessem ficar guardadas no tempo.
Eu agarro as coisas no tempo das coisas
mas elas permanecem no infinito...
Os lugares vibram, mas alguns são tão secos...
E doem fundo em nós.
Parede cor de tomate maduro rasgando...
Vê, vê ali as cicatrizes da parede: palimpsesto.
Palha seca,
Porta rasgada da memória,
Que eu entro e me perco.
sábado, 23 de janeiro de 2010
sábado, 16 de janeiro de 2010
sexta-feira, 15 de janeiro de 2010
é, pois é, é.
É a falta de entrega.
Não, não é a falta de entrega.
É a falta de rumo.
Não, não é a falta de rumo.
é a dúvida.
e só, a dúvida, entendeu?
A dúvida que bate na mente, enquanto há paz, mas não há paz.
São os cacos batendo e batendo e tentando dizer o que fazer enquanto está tudo confuso ou claro demais.
Não, não é a falta de entrega.
É a falta de rumo.
Não, não é a falta de rumo.
é a dúvida.
e só, a dúvida, entendeu?
A dúvida que bate na mente, enquanto há paz, mas não há paz.
São os cacos batendo e batendo e tentando dizer o que fazer enquanto está tudo confuso ou claro demais.
segunda-feira, 11 de janeiro de 2010
Eu me seguro nas pontas dos dedos, mas continuo de pé.
Eu sei que o mar não vai curar. Eu sei que as noites agitadas, iluminadas e cheias de riso não vão curar. Eu sei que as ruas, as praças e vários outros lugares vão ser sempre cheios de marcas. Que alguns lugares podem carregar espinhos que ferem exatamente as cicatrizes mais profundas. Que os sonhos vão carregar as coisas pra perto de mim denovo, tudo que eu afasto da minha mente para não pensar, porque dói e faz um corte tão profundo, que nessas horas meu respiro é fraco e a minha garganta seca. Eu fico pensando naquela frase "não vai passar, mas vai melhorar" e eu sei que é sempre assim. A dor às vezes não precisa de chuva pra latejar tanto, ela só vem e dorme agarrada na gente e nem água pode fazer ela sumir. Mas eu sei que logo venta e ela poderá adormecer longe de mim.
segunda-feira, 4 de janeiro de 2010
Peito de ferro.
As dezenas de pessoas ao redor, a música pulsando tão forte no corpo, envolvido em suor, no meio da fumaça e da luz que gira e ilumina as dezenas de rosto no mesmo movimento, no mesmo espaço, respirando o mesmo ar. O ar que me falta e que não é lá que eu vou conseguir encontrar.
Segurou a minha mão e me disse que não é lugar para sentir o aperto no peito. É o último lugar para se sentir aperto no mundo inteiro. Aperto a gente sente quando o peito dói uma dor seca e intensa depois de tanto que a vida escorreu pelo corpo, depois de ter vibrado tanto e ter girado tanto, aperto é dor de perda. É sentir diferente desse meio que só é meio porque está todo mundo no meio da roda e ninguém consegue ver o que acontece por fora. Ninguém enxerga as dores que escorrem pelo chão enquanto todos dançam.
"Na vocação para a vida, está incluído o amor, inútil tentar disfarçar, amamos a vida. Lutamos por ela dentro e fora de nós mesmos. Principalmente fora, que é preciso um peito de ferro para enfrentar essa luta na qual entra não só o furor mas uma certa dose de cólera, furor e coléra. Não cortaremos os pulsos, ao contrário, costuraremos com linha dupla todas as feridas abertas. E tem muita ferida."
(Lygia Fagundes Telles)
(Lygia Fagundes Telles)
quarta-feira, 30 de dezembro de 2009
mais 365 sóis.
Final de ano é virar folha de calendário que a gente inventou. É pensar cronologicamente nos doze meses que a gente usa pra organizar a vida. Acho que tudo que eu quero no próximo ano é fugir disso: a vida cronometrada em segundos, minutos, horas, dias, meses e anos.
Quero viver dessa mutação, dessa vida fluindo sem sentido, viver como diria a Clarice "com a mesma falta de sentido que tem a veia que pulsa."
Quero viver dessa mutação, dessa vida fluindo sem sentido, viver como diria a Clarice "com a mesma falta de sentido que tem a veia que pulsa."
sexta-feira, 18 de dezembro de 2009
férias.
No meu quarto guardo uma concha, visível sempre antes das horas de sono, para me trazer um pedacinho do mar. Pelas paredes, guardo em ilustrações e imagens pedaços de onde já pisei. Mas talvez mais tatéis que qualquer coisa dessas, sejam meus olhos, que conseguem passar por tudo isso e avançar sobre as minhas memórias me levando os pés pra fora daqui. Tenho quatro paredes que para mim são uma porta para o mundo. E por esse caminho eu sempre sigo de pés descalços. As janelas que levam à minha alma ao mesmo tempo que carregam o olhar pra dentro, encontram um pedaço de mim em qualquer lugar e coisa que meus olhos possam tocar.
segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
terça-feira, 8 de dezembro de 2009
narciso;
Meus olhos já tem calos para essas tuas mentiras tolas, nessa tentativa escassa de tentar passar o tempo e a vida. Vive a vida, vive! É o máximo que posso te dizer. Mas vive com a coragem de quem anda sobre o fio da navalha. Com quem tem coragem de manter o peito aberto. Já era tempo de abrires os olhos para o resto do mundo, antes de escondê-los sempre pra dentro do teu peito, tão cheio de afetos emoldurados em vidros quebrados. Poesia só me faz sentido se é feita por quem vive, definhando, amando, vibrando, por quem sente e não chora escondido no colo do pai. Não vale nada pra quem anda de sapatos amarrados, com a corda no pescoço no meio do salão. Grita que tu gritas pra ti mesmo e só a ti queres ouvir. Já cansei tanto de ter tuas palavras que me calo por ti.
domingo, 6 de dezembro de 2009
Confesso (2).
Estou cansada desse ritual social, de todas essas conversas que se desenrolam do mesmo jeito sempre, nas mesas dos mesmos bares, no meio do mesmo círculo de pessoas, que talvez mude uma ou duas, mas saem as mesmas histórias, as mesmas conversas, os mesmos assuntos. Qualquer assunto que há entre todos uma certa ligação, mas na verdade estão todos tão distantes de qualquer coisa que se sinta dentro do peito. Risos tão altos e tão condicionados por esse ritual todo.
Estou cansada dessa importância toda ao círculo e a diversão que podem sucumbir uma relação próxima. De ter como desculpa sempre uma falta de consciência.
Estou sem paciência com metade do mundo e talvez isso seja só uma necessidade urgente de paz.
sexta-feira, 4 de dezembro de 2009
Confesso.
E hoje, eu só precisava de alguém que ouvisse com o coração. Porque às vezes é indescritível o que a gente sente, e um emaranhado de palavras que possa se tentar expressar parece pequeno e confuso demais diante do que se passa dentro.
domingo, 29 de novembro de 2009
ponto de mutação;
Nessa doce tarde de novembro, a pulsação sobrepôs a pele. Era tão forte que me sentia rasgar. Eu sentia o tum, tum, tum das batidas e sabia que já não poderia suportar em mim. Tanto, mas tanto, mas tanto... Eu te digo que se eu sorria era de amor e se eu tenho algo a recordar, é por algo que se viveu, por vontade de viver, longe de qualquer autoafirmação de estupidez.
É por isso que eu posso lacrimejar nessa madrugada sem fim e entender a imensidão desde o início da linha. Finalmente, sem corte algum. Se hoje eu juntei o ontem e o hoje, é porque dessas imensidões é que esse sangue verte quente. Eu já sou mais que o ontem e o ontem do ontem, e ainda sou início, então eu pulso, sem querer saber onde vou parar.
quarta-feira, 25 de novembro de 2009
Gaiola de vidro.
A gaiola de vidro invade as ruas
Espelhos, concretos e fios
se erguem sobre
a cidade das memórias
Espelhos, concretos e fios
se erguem sobre
a cidade das memórias
quarta-feira, 18 de novembro de 2009
Me dizem que vento não abre tranca de porta.
Já não consegue ser mais do que isso: um coração bandido, largado, debaixo da cama. Se afunda na lama, clama na frente do espelho. Pede silêncio - sem um ruído, sem um sinal! - para os próprios ouvidos. Cala-te e cala-me. Deixa a boca abrir sem pestanejar, mas cala os ouvidos, que não se quer ouvir a volta. Todas as palavras jogadas, largadas aos quatro cantos, aos quatro ventos e só tampa os ouvidos.
Som de surdo é som de coração, e a esse ninguém engana.
Som de surdo é som de coração, e a esse ninguém engana.
domingo, 15 de novembro de 2009
sexta-feira, 13 de novembro de 2009
terça-feira, 10 de novembro de 2009
quinta-feira, 5 de novembro de 2009
Sinto essa garganta arranhando, a cabeça pesada, os olhos secos. Os olhos secos, tão secos, e sem brilho. Por mais azul que possa estar o céu. Minha cabeça pesa sobre o meu corpo e eu já não vejo mais nada. O sangue corre tão espesso, quase me carrega com ele enquanto escorre. O corpo às vezes parece uma coisa dura e seca, do qual não fazemos parte. Afinal, deveria ser algo a nos acompanhar. Mas nos transportamos em pensamento, e ele continua aqui. Pisamos outro chão, e ele continua nesse piso frio e áspero. Às vezes precisamos ser somente uma partícula pulsante, imersa sob todo o resto, e nos vemos como esse grande boneco batendo uns nos outros, sem ao menos reparar.
"Mas foi quando eu ainda nem havia dito nada, foi quando eu ainda nem te conhecia, foi na fresta que, por descuido, esqueci aberta... que teus olhos doeram em mim, caíram em mim e me mancharam de tinta. Não sei o que era ali dentro deles, se a minha tristeza ou a tua, mas nunca vi olhos tão claros, nem outros que ofuscassem tanto a minha vida. "
(Rita Apoena)
segunda-feira, 2 de novembro de 2009
sexta-feira, 30 de outubro de 2009
segunda-feira, 26 de outubro de 2009
Me guiam ou me perdem.
Quantos passos para trás é preciso para dar um passo pra frente? Me digam, sonhos!
sábado, 24 de outubro de 2009
sexta-feira, 23 de outubro de 2009
quarta-feira, 21 de outubro de 2009
sábado, 17 de outubro de 2009
Sobre a minha janela.
De cores tão fortes sobre o peso da vida e da morte. Sinto-me mais fácil, sinto-me nuvem, sinto-me leve ou não me sinto. Ou só sinto, ou só vento, ou só me faço chuva. De modo simples e passageiro. De sangue quente em velocidade alternada. Sinto o peso das manhãs pela janela e ele me olha e me vê com esses olhos grandes e fortes. Olhos profundos e escuros que me dizem que fica ali a parte da escuridão, ali a parte que eu não ainda não vejo, não porque há uma barreira, mas é porque é uma parte que não se vê. É a parte que vem e a gente consome, mastiga, devolve, em formas escritas, desenhadas, sei lá como mais. Talvez seja uma necessidade gigante de se expressar, que já procuro além das palavras, com o toque dos dedos ou na leveza dos pincéis. Mas então continuo a olhá-lo sem medo, porque ele tem esse peso de vida e morte, que é tão bonito, que não há como fechar os olhos, de tanto que ele explode. Ele se abre todo e me diz que é assim que se vive, aberto. Coração pulsando fora do corpo, dentro do corpo, invadindo tudo e todos.
terça-feira, 13 de outubro de 2009
Infância.
Ele era uma daquelas coisas bonitas que a gente pode ter sobre o colo e sentir a vida em nossas mãos. Portanto, seria sempre aquele ser pequeno, palpável, como a vida, que a gente quer poder sentir por inteiro. Sentir e descrever o tempo inteiro, como um desenho sobre a luz.
quarta-feira, 7 de outubro de 2009
Por um triz da força, que se é luz.
Eu levantei com o coração apertado. E nem sei de onde me levantei, nem ao certo quando. Porque afinal eu já estava de pé, eu estava de pé, com o coração e o corpo pulsando leve denovo. Tão bonito, e os dias calmos, e a cidade toda calma, nesse reflexo de mim que ela sempre é. E meu coração aquecido pelas horas tão bonitas e pessoas tão bonitas por perto. Eu pensava que era aquele ciclo novo que estava a surgir por aqui, e que finalmente a gente vive, finalmente eu respiro leve aqui denovo. E no meio da coisa toda, meu coração me arrebata, e me vem essa nuvem, essa nuvem, me esconder os raios de sol. E me caem a mente os três beijos, tão doces, tão ternos, tão lentos... e os nossos dias todos, vem atrás. E eu me perco em imagens bonitas, em uma sensação tão bonita. Mas sempre se volta à esse branco, à essa nuvem toda. Eu não quero sentir a queda, eu não quero. Ou as companhias me salvam, ou tento me salvar primeiro.
terça-feira, 6 de outubro de 2009
Primavera de 2009.
E começa-se a contar os dias.
As cores ascendendo as nuvens espessas,
E o que se perdeu... eu já nem sei.
As cores ascendendo as nuvens espessas,
E o que se perdeu... eu já nem sei.
quinta-feira, 1 de outubro de 2009
Eu sou mais forte do que eu.
Às vezes precisamos recriar as forças. Mesmo sendo às vezes fácil ou tão difícil. Como o fio da navalha sob a última camada de pele transparente. O coração é abrigo enquanto sangra, o sangue estancado em cicatrizes que multiplicam-se e o corpo às vezes é só vento.
E o vento é imenso. Somos parte de tudo como tudo é parte da gente. No ar que move a pele. No ar que forma a pele. No ar que se funde à pele, como uma coisa só.
segunda-feira, 28 de setembro de 2009
sexta-feira, 25 de setembro de 2009
de peito aberto e pulmões rosados.
A vida acontece entre eu pulsando correndo ao lado da linha do trem na noite intensa de corpos ao vento, ao som da música, com a água toda nos invadindo, e eu sentada naquela varanda, sentindo o som do rio, aquele som tão forte, tão bonito, e as plantas todas ao redor, e eu tateando o aroma bonito que a natureza traz e invade aquela casa.
Minha alma fica imersa em chuva nessas noites amarelas e tardes azuis. Sinto os cabelos molhados, o cheiro da terra, a flor brotando no asfalto. E meu coração escorrendo, tentando passar pelos bueiros, meus pulmões cheios de flores, tantas e tantas flores. Eu quase posso ver as cores de tanto que sinto elas aqui dentro. Dessa imensidão meu corpo é apenas extensão. Se faz frio ou calor, é porque há um peito aberto, invadindo e pulsando na boca, nos olhos, quase pulando de mim, enfim.
Minha alma fica imersa em chuva nessas noites amarelas e tardes azuis. Sinto os cabelos molhados, o cheiro da terra, a flor brotando no asfalto. E meu coração escorrendo, tentando passar pelos bueiros, meus pulmões cheios de flores, tantas e tantas flores. Eu quase posso ver as cores de tanto que sinto elas aqui dentro. Dessa imensidão meu corpo é apenas extensão. Se faz frio ou calor, é porque há um peito aberto, invadindo e pulsando na boca, nos olhos, quase pulando de mim, enfim.
segunda-feira, 21 de setembro de 2009
20 de setembro.
Dia 02 de novembro, aniversário da mulher que nasceu em dia de luto e é mais luz do que qualquer outra. Dia 09 de dezembro, aniversário da sagitariana que me acompanha todo dia. Dia 19 de julho, aniversário da menina que me traz saudades da companhia de todo dia. Dia 18 de janeiro, aniversário da pessoa que me fez seus olhos. Dia 13 de dezembro, aniversário da minha doce terceira pessoa. Dia 09 de novembro, aniversário do primo escorpiano mais peste do mundo. Dia 03 de dezembro, aniversário do primo sagitariano mais doce do mundo. Dia 12 de novembro, meu dia. Dia do menino que é minha continuação, sempre o ano a nos separar, as escolhas da vida a nos juntar. Dia do outro menino que atravessou quilômetros e me trouxe a graça da vida paulista novamente há anos que parecem tantos e são poucos. Dia 12 de dezembro. O dia da festa de aniversário junto com a irmã. O dia da praça com chuva e garganta engasgada, e as palavras que precisavam tanto de um caminho e se prenderam ao corpo e para onde foram, nunca mais foi mencionado. Dia 12, sempre dia 12, sempre ano ímpar. Dá até medo de quando chegar o ano de 2012. Dia 30 de novembro, noite de Pearl Jam. Dia 21 de abril, noite de Placebo.
Eu lembro de tantas datas. Só não me lembro desse dia. E ele me lembra dele todos os anos, apesar de se mudarem os estados, as cidades, as casas, apesar de uma nova cor na parede, de um novo piso, de uma nova ordem nos porta-retratos, de uma vida toda nova. Ele sempre caminha à passos lentos do jardim até a sala. Com uma flor entre os dedos para se dizer que tem saudade.
Eu lembro de tantas datas. Só não me lembro desse dia. E ele me lembra dele todos os anos, apesar de se mudarem os estados, as cidades, as casas, apesar de uma nova cor na parede, de um novo piso, de uma nova ordem nos porta-retratos, de uma vida toda nova. Ele sempre caminha à passos lentos do jardim até a sala. Com uma flor entre os dedos para se dizer que tem saudade.
quinta-feira, 17 de setembro de 2009
terça-feira, 15 de setembro de 2009
- Me dá um brinquedo novo?
- E do último, já não gosta mais?
- Cansei!
- Mas é o terceiro brinquedo em tão poucos meses!
- Mas eu preciso de um novo sempre, o penúltimo carrinho perdeu a roda, o último trem perdeu-se dos trilhos. Eu sou pequeno demais, não posso consertá-los.
- E o que você faz daí?
- Sonho com um brinquedo novo.
- E o que você vai fazer quando seu quarto estiver repleto de brinquedos quebrados?
- E do último, já não gosta mais?
- Cansei!
- Mas é o terceiro brinquedo em tão poucos meses!
- Mas eu preciso de um novo sempre, o penúltimo carrinho perdeu a roda, o último trem perdeu-se dos trilhos. Eu sou pequeno demais, não posso consertá-los.
- E o que você faz daí?
- Sonho com um brinquedo novo.
- E o que você vai fazer quando seu quarto estiver repleto de brinquedos quebrados?
domingo, 13 de setembro de 2009
Da carta iluminada e da flor cor de fogo.
"(...) Na vocação para a vida, está incluído o amor, inútil tentar disfarçar, amamos a vida. Lutamos por ela dentro e fora de nós mesmos. Principalmente fora, que é preciso um peito de ferro para enfrentar essa luta na qual entra não só o furor mas uma certa dose de cólera, furor e cólera. Não cortaremos os pulsos, ao contrário, costuraremos com linha dupla todas as feridas abertas. E tem muita ferida. (...) Sei que as borboletas andam raras, mas se sairmos de casa certos que vamos encontrar alguma... O importante é a intensidade de empenho nessa busca. (...) Quando a vocação para a vida começa a empalidecer e também nós, os delicados, os esvaídos. Aceitar o desafio da arte. Da loucura. Romper com a falsa harmonia, com o falso equílibrio e assim, depois da morte - ainda intensos - seremos um fantasminha claro de amor. (...)"
A Disciplina do Amor, Lygia Fagundes Telles
A Disciplina do Amor, Lygia Fagundes Telles
sexta-feira, 11 de setembro de 2009
domingo, 23 de agosto de 2009
sábado, 22 de agosto de 2009
coração no avesso.
e eu nessa cama confortável e mesquinha!
longe da alma quente das ruas.
e eu nessa cama confortável e mesquinha!
e o que fizemos pra nós além dessa selva de concreto?
e como é ela é seca e mesquinha, e mórbida,
do jeito que a gente come o mórbido como vermes,
rastejam e rastejam.
e apodrecem de tão podres que eram.
de tão podres que são
e de tão podres que sonham em ser.
longe da alma quente das ruas.
e eu nessa cama confortável e mesquinha!
e o que fizemos pra nós além dessa selva de concreto?
e como é ela é seca e mesquinha, e mórbida,
do jeito que a gente come o mórbido como vermes,
rastejam e rastejam.
e apodrecem de tão podres que eram.
de tão podres que são
e de tão podres que sonham em ser.
sexta-feira, 21 de agosto de 2009
meus olhos pulsantes sobre o manto verde.
O coração pulsando tão forte que quase é possível senti-lo pela boca, pelas artérias, pelas veias, percorrendo o corpo todo, nesse mistura de proximidade e distância. Ah, o sol amanheceu tão forte hoje que é quase como se o céu de lá avançasse por aqui... como avançam os suspiros, os sorrisos e o abraço quente. Parece até que respiro o ar puro daquele manto verde que avança sobre o quarto infinito, sobre a alma infinita, sobre o menino infinito... naquele tom pulsante de vida que brota dos olhos dele, no sorriso de descoberta, nessas coisas todas, simples, bonitas e infinitas que os dias carregam com ele.
quarta-feira, 19 de agosto de 2009
minha doce terceira pessoa.
E a última vez que eu fui lá, que é há pouco tempo, mas sempre pra mim parece longe, porque sempre quero passar com ela mais e mais tempo, e então, a última vez que fui lá, estavam construindo um prédio torto e feio na frente da varanda dela. E ela me dizendo que só não queria janelas daquele lado do prédio, porque a última coisa que ela queria era alguém a espiá-la pela janela. E eu fiquei só pensando que a minha tristeza ia ser ficar sem o horizonte daquela varanda, de onde eu percebi pela primeira vez que eu precisava usar óculos, com a gente sentada na mureta da varanda tentando ler as fachadas das casas lá em cima do morro...
E eu era pequena, e podia querer brincar, ou estar correndo pela casa, mas a minha felicidade era mesmo que às nove horas da noite eu estaria lá sentada nas cadeiras de ferro antigas ao lado dela, conversando sobre alguma coisa e olhando o horizonte da cidade que é minha e não é.
E eu sempre tenho muito medo de escrever sobre ela, e já me vem uma vontade louca de chorar, porque ah, a última vez que escrevi sobre alguém como ela, a pessoa se foi depois de poucos meses... e se acontecer isso com ela ah, aquela cidade que é minha e não é, não vai fazer sentido algum. Vai ser buraco fundo e vazio, e andar lento pela cidade não vai ter mais graça nenhuma... Entrar naquela casa seria um bege vazio.
Ah o barulho daquele pequeno portão, que passa tanta gente e todo mundo deixa aberto, e agora ela fecha porque de uns anos pra cá ficou perigoso, e olha como o mundo anda rápido... agora é perigoso e ela tem alarme pela casa e eu fico sempre reparando nisso quando vou lá e pensando como o tempo anda. E eu sempre quero ver o rosto dela primeiro que tudo, pra ver como o tempo passou, pra me reconhecer nele... pra lembrar de uma das certezas da minha vida.
Ah a doce loucura, a doce loucura, e o cuidado e a preocupação, de um jeito tão dela! Tão dela!
Ela não gosta muito de falar ao mesmo tempo que fala, e ela me liga às vezes só pra me contar de algo que ela leu no jornal e pode ser pra mim. E os jornais, ah! Da última vez que eu fui também descobri que ela guarda os meus jornais dobradinhos, com um elástico, tão bonito do jeito dela! E nem sei se ela leu, esqueci de perguntar, mas abrir a gaveta e ver os jornais assim dobrados, em um monte pequeno, foi tão bonito...
Me vem um choro tão engasgado quando eu penso nela... A minha felicidade foi voltar para a antiga cidade a agora ficar tão perto dela, e pode fugir de vez em quando pra lá, não mais como antes, que era a cada ano e depois a cada dois anos, agora eu posso fugir pra lá quando quiser... mas ao mesmo tempo cada vez que eu vou parece que eu tenho menos tempo, e mais saudade, e que preciso aproveitar mais e mais a voz doce dela. E eu sempre vou embora pensando que preciso voltar lá e sentar naquela mesa e conversar sobre qualquer coisa e sorrir só de olhar ela contando sobre tudo...
E eu era pequena, e podia querer brincar, ou estar correndo pela casa, mas a minha felicidade era mesmo que às nove horas da noite eu estaria lá sentada nas cadeiras de ferro antigas ao lado dela, conversando sobre alguma coisa e olhando o horizonte da cidade que é minha e não é.
E eu sempre tenho muito medo de escrever sobre ela, e já me vem uma vontade louca de chorar, porque ah, a última vez que escrevi sobre alguém como ela, a pessoa se foi depois de poucos meses... e se acontecer isso com ela ah, aquela cidade que é minha e não é, não vai fazer sentido algum. Vai ser buraco fundo e vazio, e andar lento pela cidade não vai ter mais graça nenhuma... Entrar naquela casa seria um bege vazio.
Ah o barulho daquele pequeno portão, que passa tanta gente e todo mundo deixa aberto, e agora ela fecha porque de uns anos pra cá ficou perigoso, e olha como o mundo anda rápido... agora é perigoso e ela tem alarme pela casa e eu fico sempre reparando nisso quando vou lá e pensando como o tempo anda. E eu sempre quero ver o rosto dela primeiro que tudo, pra ver como o tempo passou, pra me reconhecer nele... pra lembrar de uma das certezas da minha vida.
Ah a doce loucura, a doce loucura, e o cuidado e a preocupação, de um jeito tão dela! Tão dela!
Ela não gosta muito de falar ao mesmo tempo que fala, e ela me liga às vezes só pra me contar de algo que ela leu no jornal e pode ser pra mim. E os jornais, ah! Da última vez que eu fui também descobri que ela guarda os meus jornais dobradinhos, com um elástico, tão bonito do jeito dela! E nem sei se ela leu, esqueci de perguntar, mas abrir a gaveta e ver os jornais assim dobrados, em um monte pequeno, foi tão bonito...
Me vem um choro tão engasgado quando eu penso nela... A minha felicidade foi voltar para a antiga cidade a agora ficar tão perto dela, e pode fugir de vez em quando pra lá, não mais como antes, que era a cada ano e depois a cada dois anos, agora eu posso fugir pra lá quando quiser... mas ao mesmo tempo cada vez que eu vou parece que eu tenho menos tempo, e mais saudade, e que preciso aproveitar mais e mais a voz doce dela. E eu sempre vou embora pensando que preciso voltar lá e sentar naquela mesa e conversar sobre qualquer coisa e sorrir só de olhar ela contando sobre tudo...
terça-feira, 18 de agosto de 2009
ah, tanto alma de menino.
E eu fiquei aqui, com o amigo mandando sair do computador porque ele que estava usando esse, e porque ele queria usar porque já era intervalo, e eu só querendo continuar a ler, só mais alguns parágrafos daquele texto dele, me deixa por favor. Ele me deixa e eu fico lendo e me sentindo dentro da alma dele de menino, e dentro dos olhos dele, e sentindo aquela dor com ele. E eu fiquei realmente triste de não poder dar-lhe um abraço agora, porque mais do que tudo, queria dar um abraço nele agora. E era tão simples e tão fácil, e agora é longe. E agora eu sento em outro computador, porque não tá sobrando nenhum nesse laboratório hoje, e já vem outro amigo me mandar sair e ah eu fico aqui lacrimejante, só pensando que eu não vou conseguir não soltar a primeira lágrima, e alguém vai comentar alguma coisa quando a lágrima se soltar, e isso tudo poderia ser escrito só em uma palavra: saudade.
sexta-feira, 14 de agosto de 2009
inexplicáveis...
E parece que todos foram envolvidos no manto quente... e os reflexos ficaram dias além. Talvez a leveza da alma feliz e simples tenha alcançado a todos. Talvez todos pulsamos juntos e agora, nos falta uma parte.
terça-feira, 11 de agosto de 2009
caminhando sobre os teus olhos;
a primeira música tem o sabor largo do teu riso...
a outra tem o cheiro do teu corpo...
e tantas mais tem o tato doce da tua voz sobre os meus ouvidos atentos...
eu te olhava e tu sorria um sorriso bonito, de covas largas, na nossa noite sob o quarto infinito... e a palavra simples nunca me pareceu tão singular e tão certa. simples como é sentir e viver em ti e tu viver em mim... e o meu coração pulsando no teu suspiro.
a outra tem o cheiro do teu corpo...
e tantas mais tem o tato doce da tua voz sobre os meus ouvidos atentos...
eu te olhava e tu sorria um sorriso bonito, de covas largas, na nossa noite sob o quarto infinito... e a palavra simples nunca me pareceu tão singular e tão certa. simples como é sentir e viver em ti e tu viver em mim... e o meu coração pulsando no teu suspiro.
segunda-feira, 10 de agosto de 2009
sexta-feira, 7 de agosto de 2009
do que ela me sente.
Clarice calou-me como sempre:
"Sou composta por urgências: minhas alegrias são intensas; minhas tristezas, absolutas. Me entupo de ausências, me esvazio de excessos. Eu não caibo no estreito, eu só vivo nos extremos."
"Sou composta por urgências: minhas alegrias são intensas; minhas tristezas, absolutas. Me entupo de ausências, me esvazio de excessos. Eu não caibo no estreito, eu só vivo nos extremos."
alma de menino.
Meu corpo balançava junto com o ônibus naquela leve náusea. O dia já tinha tom de despedida, parecia que a chuva acompanhava minha chegada e partida...
Eu queria ouvir ele tantas vezes ainda, para decorar bem aquela voz e me lembrar nitidamente dela quando tivesse saudade. Eu me agarrava no tempo e ele fugia por entre meus dedos...
Eu queria ouvir ele tantas vezes ainda, para decorar bem aquela voz e me lembrar nitidamente dela quando tivesse saudade. Eu me agarrava no tempo e ele fugia por entre meus dedos...
segunda-feira, 3 de agosto de 2009
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