domingo, 13 de setembro de 2009

Da carta iluminada e da flor cor de fogo.

"(...) Na vocação para a vida, está incluído o amor, inútil tentar disfarçar, amamos a vida. Lutamos por ela dentro e fora de nós mesmos. Principalmente fora, que é preciso um peito de ferro para enfrentar essa luta na qual entra não só o furor mas uma certa dose de cólera, furor e cólera. Não cortaremos os pulsos, ao contrário, costuraremos com linha dupla todas as feridas abertas. E tem muita ferida. (...) Sei que as borboletas andam raras, mas se sairmos de casa certos que vamos encontrar alguma... O importante é a intensidade de empenho nessa busca. (...) Quando a vocação para a vida começa a empalidecer e também nós, os delicados, os esvaídos. Aceitar o desafio da arte. Da loucura. Romper com a falsa harmonia, com o falso equílibrio e assim, depois da morte - ainda intensos - seremos um fantasminha claro de amor. (...)"

A Disciplina do Amor, Lygia Fagundes Telles

Um comentário:

Fern. disse...

E quantas são as feridas!

Cara, amo esse livro!Ótimo trecho!

Beijos!