quarta-feira, 22 de julho de 2009

minha flor amarela de beira de estrada.

Eu não consigo me lembrar se estava acordada ou dormindo, só sei que meu coração pulsava cada vez que eu via a flor amarela que brotava no meio do cerrado. Meu pulmão respirava pelas veias que possuiam aquelas árvores tortas. De repente eu perdi a forma, me perdi na imagem que a vida devia ser, o brotar nas linhas tortas, a imagem subescrita. A falta de explicação que tinha aquela bandeira branca na beira da estrada e o encontro do sentido cada vez que eu colocava meus pés no infinito.

sábado, 4 de julho de 2009

Been dazed and confused...

As rosas jogadas na calçada cinza e eu olhando da janela, da JANELA, entendeu?

Andando sobre a cinza, sobre a cidade maldita televisionada da sala, quero espremer os galhos com os próprios pés. Descalços, na terra imunda, na minha alma imunda que ronda esse círculo vazio.

domingo, 28 de junho de 2009

Ah meu coração, quando pulsas nessas horas é quase cheio que preenche tanto ar que não aguento. Venta tanto que é até dificil se segurar! Intacto ninguém sairá, inteiro ninguém sairá... mas o que mais será... o brilho da manhã ainda é seco, o amarelo da noite ainda é pálido, e a vida ainda é começo...

Isso soa quase como aquela música de notas calmas e descontínuas, soa quase como a onda leve que nos carrega pelo caminho certo, o incerto, de pulsação.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

"Eu sou mais forte do que eu"

"Sou como você me vê. Posso ser leve como uma brisa ou forte como uma ventania, depende de quando e como você me vê passar. Não me dêem fórmulas certas, por que eu não espero acertar sempre. Não me mostrem o que esperam de mim, por que vou seguir meu coração. Não me façam ser quem não sou. Não me convidem a ser igual, por que sinceramente sou diferente. Não sei amar pela metade. Não sei viver de mentira. Não sei voar de pés no chão. Sou sempre eu mesma, mas com certeza não serei a mesma pra sempre. "

C.L.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Era quase 1 hora da manhã e me veio a vontade louca de chorar. De caminho aberto, de passos cada vez mais longos... de encontro, de saudade, de começo, de vida escorrendo, de dia azul, amarelo, cinza... de peito aberto.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Coração de aluguel.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Eu queria uma chuva torrencial, queria não poder respirar por cair tanta água... Queria começar a chorar e chorar tanto que eu não saiba mais de onde vem tanta água... se sou eu o é a vida escorrendo do meu corpo...

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Esse frio úmido perfura a pele até os ossos e me afunda no azul imenso. O céu tem milhares de camadas azuis e eu atravesso cada uma delas com o fogo ardente e quente dos olhos. Deve ser por isso que é cor tão bonita, cor das coisas imensas, de mar e céu, de calma e tempestade.

Eu fico entre a pele seca e o céu. Não estou onde deveria e até esqueço por uns instantes: eu sou só um olho vivo pulsante.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Pulsações

Nessas horas, pela madrugada, eu queria estar correndo...
Correndo correndo com o coração pulsando daquele jeito do lado da linha de trem: pulsando entre a corrida, a chuva e a vida.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

indizíveis da madrugada.

Meu amor, se eu te contasse o que eu vi nesse nosso aparente sonho. O quanto me dói nos dizer que é nosso e é só um. Se eu dormir agora posso matar o que poderíamos conhecer.


Me vira, me vira a cabeça e eu fico pensando naquela cena, ou talvez melhor, eu fico sentindo aquele ar e eu estou ali:


Amor, eu estou sentada naquela varanda, aquela bonita varanda com aquela visão de galhos secos, lindos galhos secos que permeiam a praça e ela é tão linda e seca. Ela é assim, crua e nua, não tem nada, ganha um pouco quando alguém passa por ela... assim ganha algum caminho. Fora disso é nua, crua, quase dormente, tem o piso formigando todo, à espera de alguma explosão.

Se o Caio passasse ali jogaria alguém ao ar. Caio choraria umas lágrimas leves e pesadas ao mesmo tempo, mas como é que eu consigo te explicar, como é lindo ver, ele lhe daria cores sem pintar nenhuma parte. Ele comeria cores, vomitaria cores, jogaria elas todas ali... naquele nosso quadro branco e preto.


Você me diz que tem três horas pra nos pertencer, e eu te digo o mundo inteiro. Afinal o que me aparece são essas horas todas, à essas horas, elas nos cobrem, nos levam daí, nos levam daqui. Aquela janela era tão diferente... Eu te diria que ela não tinha as cores que deveria ter ao mesmo tempo que tinha. Essa falta de cores que é nossa, essa falta de cores que nos encobre o riso... que acompanha os segundos quando eles apenas são. Porque nessas horas eles apenas são. Nós somos apenas dois sorrisos, você mais um, você são três. Três sorriso você, um sorriso meu, e a gente fica assim... nós somos parte do segundo do mundo e pronto. Parte do segundo do mundo avança e tenta bater como relógio tic, tac, tic, tac... e hoje ele está a meu favor. Prometeu que ia me ouvir, prometeu que ia-me rir e agora até ri sem motivo, sem querer, sem alguma coisa que o levasse à mais simples mudança de expressão.


Eu repetiria mil vezes como a minha morte começa nesse terceiro sorriso... e a minha vida também. Eu não sei mais o que fazer bem, se eu acordo eu bem penso, se durmo bem vejo. Eu queria te contar da maneira mais simples possível e daí me complico...


éramos nós, era uma janela, e era sete horas, de três horas que você pediu... você procurou flores e elas murcharam, eu esperei um tempo e ele ultrapassou.

domingo, 17 de maio de 2009

meu amor de porta.

Abracei a porta com gosto, afinal era ali que o segredo ficaria bem guardado. Fechei cuidadosamente, testando o cadeado mais de três vezes para me certificar que ninguém encontraria o que afinal, era tão meu que ficava naquele cômodo escuro, sem janelas, porque se por alguma sorte alguém conseguisse arrombá-la, faltaria-lhe luz. Tentei ficar longe, mas não consegui. Me arrastei porta abaixo, até chegar ao chão, sentei exausta. Do que eu poderia chamar aquela coisa que nem eu mesma consegui dar nome? Tinha um certo ódio por guardá-la tão bem e sempre, por ser tão minha, por de certa forma não conseguir compartilhá-la com ninguém. Pensei em esquecer as chaves sobre a mesa ou inventar histórias mirabolantes para despertar a curiosidade de alguém e fazê-lo querer abri-la, pensei até em implantar alguma lanterna no caminho como um falso descuido. Pensei tanto que cansei. A raiva e a angústia pareciam só crescer e eu arranhava a pele, minhas unhas percorriam lentamente todo o meu braço com força para sufocar essa culpa. Eu comecei a odiar aquela imagem sem graça no espelho, sem graça e sem voz. Esse corpo de sussuro que eu pensava, meu deus, porque estar. Eu poderia achar graça do que ficava atrás da porta e nem me importar. Mas parecia que isso me consumia cada vez mais. Passava horas distante, com outros afazeres, pensando que talvez pudesse esquecer o fato de que havia algo. Eu odiava com um certo amor, amava com um certo ódio e comecei a ficar enjoada daquele pedaço de alguma coisa. Pensei em largar tudo e guardar a porta, me deu um certo alívio pensar que assim finalmente tudo ficaria seguro e protegido. Os olhos arregalaram e de repente percebi... a porra do mistério era eu.

sábado, 9 de maio de 2009

suave...

tem umas pessoas tão leves e tão belas que às vezes parece que a vida começa e acaba nelas... é um mundo inteiro girando e explodindo em umas cores suaves que levam longe, tão longe... é como esse mundo das palavras extensas, que a gente lê e parece abismo ou apenas o início...

eu tenho os olhos molhados de vida, um gosto de sal, de água do mar dentro e fora... e uma imensidão que viaja e forma...

uma aprendizagem ou o livro dos prazeres...

"Teus olhos, disse ele mudando inteiramente de tom, são confusos mas tua boca tem a paixão que existe em você e de que você tem medo. Teu rosto, Lóri, tem um mistério de esfinge: decifra-me ou te devoro."

C.L.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

movimento...

Sabe quando parece que sua mente está com um atraso de meses e meses e que ela finalmente voltou a funcionar? Nada como o ócio para movimentá-la e me dar tempo para ler tudo que eu queria ou pelo menos pra ver a manhã e o final da tarde como eu tanto queria. Nada de comer o dia rápido, agora é mastigá-lo devagar e prestando atenção em cada pedacinho...

segunda-feira, 4 de maio de 2009

O mais difícil dessa vida nômade é que no final, você não se liga a nada e nem a ninguém. O que eu mais quero bate de frente com o que eu menos quero.

domingo, 3 de maio de 2009

superfície.

Talvez quanto mais a nossa casa pareça confortável, mas a gente fica presa à ela. O lar deveria ser um buraco onde a gente só quer se enfiar para dormir, comer ou qualquer coisa assim, com pouco tempo. Lá fora tem mais cara de casa e talvez eu me sinta melhor andando por aí. Porque até na calçada, no gramado ou na mureta eu fico melhor e posso sentar durante minutos intermináveis. Quando atravesso a porta parece que tudo faz mal, quanto mais doce parece pior. Talvez eu fosse mais feliz quando as paredes eram brancas e a casa tão vazia que eu saia pra rua sem rumo porque parecia mais familiar.
Descrevo tudo nos mínimos detalhes para que talvez você possa entender e explicar, mas porque no final acho que é mais fácil eu ordenar as idéias e chegar a entender porque a tempestade é contínua. Porque mesmo que não pareça, eu quero sair dela, só estou tentando entender como.
queria saber pra onde vai essa onda escura...

dias azuis.

Tem a cara da noite brilhando e eu seca, da minha garganta seca arranhando a minha fala. O gosto dessa dor sem sangue, e suga a tudo... Tem o olhar que me enfrenta às vezes e eu prefiro nem pensar mais. Essa ligação distante de espaço que insiste em me dizer que algo é semelhante aqui e lá... A paisagem parece tão mais forte e eu às vezes só quero ser meio parte dela, ou só aquele olho gigante para descrevê-la... até que às vezes eu tento quando alguém chega mais perto, e por um mínimo de esforço que alguém merece até fica tudo mais perto e mais úmido.
Parece algum sonho que eu vivo sempre depois de acordar... eles me fazem andar, andar sem parar... me levam perto de algum abraço que me faz lembrar que a gente é uma coisa bem maior do que essa parte amarela.
alguma música do my bloody valentine ou depreciation guild tocando... e eu parte dela.

domingo, 26 de abril de 2009

dias de sombras longas.

O mundo é essa coisa transparente vibrando e eu sou meio parte dela. Ela explodiu em tantas frentes que eu entendi minha parte do mistério. Eu corri e parei, e te encontrei pelo caminho, você, vocês. E como é bom te encontrar pelo caminho. O caminho é um pouco meu demais pra compartilhá-lo agora, mas bem gosto de te dizer tudo que eu vejo... Tá tudo grande e claro. As coisas arrepiam em sentidos e sensações imensas. É bonito te ver brilhando daqui e é o máximo que consigo.

É o vento, o vento batendo como sempre... e as janelas mais abertas do que nunca, embora não pareça... Quando ela fechar denovo já vai estar tudo remexido por dentro.

domingo, 5 de abril de 2009

o que te disseram, foi que mas nem tanto...

sabe quando se é um toco oco e ainda ocupa espaço...

domingo, 29 de março de 2009

recortes de alguma noite.

Eu amo, como eu amo todas as cores que explodem de você. Como eu amo quando eu piso verde, quando a água escorre, como algo acontece e existe por processo natural e vem assim explodido e calmo diante dos meus olhos. Porque amor pra mim foi sempre algo leve, de toque, de coisas que respiram assim uniformes por algum tempo.
Se alguém pode estar vivo na mais intensa forma de se dizer vivo, é porque respira puramente o que quer. Ou algo que move. Ou vê sentido em alguma coisa que lhe "diga" e lhe dê espaço.
Eu amo os nosso machucados e os odeio também. Tenho sede, cada vez mais sede de estar longe, de viver o seio da terra fresca. Sem essa merda toda que querem me dar.

sexta-feira, 20 de março de 2009

vede o dia.

Jogai-mos no dia, afundai-nos nesse dia. Ele se joga sobre nós e nos afundamos de corpo inteiro, alma inteira, o caralho que alguém tentar descrever. Mas jogue-se ao dia, como nunca, não mais como ontem, vá lá se saber como amanhã. Quero mergulho profundo, que afogue as cabeças, que flutue no ar e arranque os pedaços malditos que se sobrepõe a pele, espalha esse gozo pelo dia. Não há absolutamente nada e é absoluto dizer como isso é pele sobre pele. Arranca-lhe o coração e com ele tão apertado dentro da mão, esfrega-o sobre a pele. Sente ele e sente o dia, no respiro. Come o dia inteiro pra dizer que enfim é parte dele.

sexta-feira, 13 de março de 2009

Vamos lá a um tapa das coisas reais.

quarta-feira, 11 de março de 2009

cuidado descuidado;

Peito aberto, solta-se um pouco dos cânceres. Coração aberto tem que olhar pra fora. Afinal é tanto. Sem suspiros, respira, enxerga, faz. Um coração frustrado pode acabar com milhares de outros. Umas tantas sintonias. Inventa um quadro feio e vira descuido. Às vezes é tanto olhar, que a gente descuida, de olhar dentro. Me perdoa, coração. Ventas aí e venta em mim também. Inventei o quadro bonito e me perdi nos pincéis, te encontro ali fora. Quero o meu bem refletido, reflexo de espelho e não de vidro quebrado. Me perdoa, coração. Vamos colocar os caminhos nos pulsos. Esse sangue que jorra é meu. Essa culpa que espalha é minha.

domingo, 8 de março de 2009

Eu sei, mas não devia

(Marina Colasanti)

Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.

A gente se acostuma a morar em apartamentos de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E, porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E, porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E, porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E, à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.

A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora. A tomar o café correndo porque está atrasado. A ler o jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem. A comer sanduíche porque não dá para almoçar. A sair do trabalho porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.

A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra. E, aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números para os mortos. E, aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz. E, não acreditando nas negociações de paz, aceita ler todo dia da guerra, dos números, da longa duração.

A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisava tanto ser visto.

A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o de que necessita. E a lutar para ganhar o dinheiro com que pagar. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagar mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas em que se cobra.

A gente se acostuma a andar na rua e ver cartazes. A abrir as revistas e ver anúncios. A ligar a televisão e assistir a comerciais. A ir ao cinema e engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.

A gente se acostuma à poluição. Às salas fechadas de ar condicionado e cheiro de cigarro. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam na luz natural. Às bactérias da água potável. À contaminação da água do mar. À lenta morte dos rios. Se acostuma a não ouvir passarinho, a não ter galo de madrugada, a temer a hidrofobia dos cães, a não colher fruta no pé, a não ter sequer uma planta.

A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente molha só os pés e sua no resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito o que fazer a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.

A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele. Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se de faca e baioneta, para poupar o peito. A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que, gasta de tanto acostumar, se perde de si mesma.

sábado, 7 de março de 2009

me diz o que é ser feliz.

te digo um caminho branco e desnudo. te digo um caminho cego.
descobri que a paz é caminho, que eu sou caminho...
hoje eu sou meu quadro borrado, amanhã nem mais sei...
volúvel, volátil, volante...
meu coração me perdooa por esse leve descuido, mas eu vou me perder denovo...

eu tô um pouco esse pedaço torto, e minha alma insiste em voar... me procura um dia, pois talvez eu não ligue.

sexta-feira, 6 de março de 2009

Elas existem.

“O mundo é muito vasto, muito complexo e muito fugaz para ser apreendido diretamente. Nós não estamos equipados para lidar com tanta sutileza, com tanta variedade; com tantas permutações e combinações. Temos que reconstruí-lo num modelo simples antes de lidar com ele. Para percorrer o mundo os homens têm que ter mapas do mundo.”

A crise sugere um esgotamento dos mapas. É preciso ultrapassar o reducionismo econômico e político, ambos desenhados pelo individualismo, ambos privilegiando uma visão da sociedade como um mero resultado de conjuntos de decisões individuais, para ver o mundo como um conjunto feito de partes interligadas. Para redescobrir que tudo o que fazemos afeta os outros. O individualismo nega esse fato, mas as suas conseqüências – a crise ecológica e a sua irmã gêmea, a crise financeira – obrigam a ver a relação entre a parte e o todo. Entre o lixo e o luxo. Entre um consumo conspícuo que promove os estupros sociais dos 500 pares de tênis dos moradores dos Jardins e do Leblon, por oposição ao prato de feijão que falta na mesa dos nordestinos. Estupro reiterado no luxo que produz continentes de detritos, em vez das velhas latas de lixo. É essa presença incômoda de limites não ideológicos e extrapolíticos que caracteriza a crise que vivemos. E a crise, por sua vez, aponta para um mundo vasto, complexo, sutil e carente de novos modos e mapas.

Fonte: http://www.akatu.org.br/

Descobrindo fontes recomendáveis de notícias, e (ufa!) com uma visão mais complexa do que vemos por aí sobre a crise. Vale a pena: Akatu e a Carta Maior.

sábado, 28 de fevereiro de 2009

não há lugar ao sol.

Às vezes o vento pára e fica esse tempo cinza e ele me definha pouco a pouco. Fica essa coisa opaca e sem forma. Parece tempo demais até a próxima chuva. Vontade de ficar transparente.
Ninguém vê e sente, afinal ninguém toca.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

tanto quero.

mar, mato, qualquer lugar... pés de barro, pés no barro... qualquer lugar longe do concreto, duro e fétido, que insistem em me dar pra pisar.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

escritos loucamente em uma noite de segunda-feira:

"Eu percebi que prefiro morrer do que esperar para viver alguma coisa. Afinal, a vida acontece."
Quando a clarice me 'disse' que escrevia com urgência, fez sentido. Até onde o sentido das palavras vão a gente não sabe... mas elas são sempre cheias de pequenas verdades, no meio de algumas inventadas. Afinal às vezes elas querem meramente alimentar egos... Prefiro elas jogadas.

domingo, 22 de fevereiro de 2009

luz.

Eu te descreveria como aquela janela quase um tanto fechada e o seu sorriso quando você me olhou em um certo instante e eu gravei. Eu te descreveria como o tempo que passou devagar e foi mutualmente cheio. Eu te descreveria com sons e cores e uns jeitos, que agora eu conheço e são só teus. Eu te descreveria como alguém que surgiu assim e me fez respirar leve... passar horas leves, conversas leves. Meu desenho borrado de luz.

marcas de guerra.

Esse nome nunca foi tão perfeito, grito rock. Saímos dessa longa incubação e gritamos. Gritamos agora não mais só para nossos estômagos. Jogamos toda a comida azeda do mundo não mais à beira de um penhasco, mas sim diante de uma multidão. E começamos...

Marcas de guerra, e o que você tem a dizer?

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

e agora.

socorro, não me deixa me perder denovo. caminho sinuoso e torto, cheio de esconderijos, que não me deixam ver a luz. afinal isso tá na minha frente, ou é a mente.
pediu pela primeira vez que alguém guiasse a corda, porque perder-se dela seria muito doloroso.
abriu as portas e teve vontade de se esconder.

esse caminho todo escuro e de mistério é pra luz, ou para tornar o buraco mais fundo?

domingo, 15 de fevereiro de 2009

uma tal cumplicidade.

Desci e o silêncio me acompanhou. Por boa parte do tempo, por todas as janelas e as paisagens bonitas e as caminhadas e os pensamentos que a cidade caos me traz a mente. O silêncio nos lábios e a cabeça a mil. Caminhando naquele vento, naquele tormento calmo, naquele som de violino, fazendo tudo de sementes, alguns sentados e eu ali circulando. Pela primeira vez pareceu que a cidade caos plantou as imagens na minha frente, que me trouxeram a calmaria que permaneceu na minha mente e preparou-me para a próxima ação. Tudo parecendo tão leve e tão repleto, tudo que alimenta o que agora eu sou, até o próximo instante. Porque tudo é sempre essa coisa mutante de vida. E cheio de cúmplices, uma tal sintonia fina que pode surgir ou reexistir assim. Algumas pessoas são um pouco certezas de vida. Explodem em cores, muitas vezes nas mesmas, e são tanto uma coisa maior, que me deixa tranquila. Ou são um pouco essa coisa pequena e perplexa diante de uma imensidão jogada à nossa frente. Talvez seja esse duelo, o único que poderia ser positivo, em que a gente explode e o mundo quer explodir à mesma altura. E a gente fica oscilando, e ele oscila também, e no fim, fica uma tal coisa bonita, mesmo diante de todo o caos.

Sobre as cores, o caos, as nuvens cheias, o vento, o céu imenso e as sintonias finas.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

pulsa, pulso, pulse, pulsando, pulsão de vida.

ô palavrinha... pode dizer qualquer coisa e ao mesmo tempo pode ser só movimento... sem descrição alguma... só pulsando. e diz tanto...

domingo, 8 de fevereiro de 2009

estranhezas.

Chegando ao próximo ponto de mutação.

Quando você percebe que o que foi já não é o que é, e enfim tem um ponto em algum lugar aqui.
Tempo louco, ano louco, pessoas loucas. Todos virados de cabeça pra baixo em uma bola gigante que não pára de girar. Tenho medo dessa febre, ela começa a subir tão rapidamente que daqui a pouco já me perdi. É um tanto triste quando a gente começa a não ligar mais para as distâncias. Uma turbulência e eu nem sei mais onde quero me segurar. Dizem que passa, mas quando passar, nem sei mais em que lugar vou estar.

o vento tá batendo forte hoje.

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Saramago, como Caio F., diz tudo às vezes:

"As palavras feitas são assim, não tem sensibilidade para as mil sutilezas do sentido".

Nem na uniso a gente escapa.

- Eeeeeeeeeeeeei, mocinha, você é a mocinha da pedagógica! é é é é é!
- Encomenda aquele livro pra mim, não consegui achar em nenhum lugar!

Nem na fila da cantina da facul a gente escapa.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

lá vem o vento novamente...

Corredor escuro e frio e um texto fixado na parede. Passei tantas vezes naquele corredor e nunca parei para ler. E não dava pra ler em momento mais exato. Depois das conversas de janeiro, aquilo me fez muito sentido. Deu vontade de procurar aquele texto no site que indicava, mas daí parei e me lembrei, afinal ele falava exatamente em não se preocupar com registros. Senão a gente fica vivendo as coisas depois delas acontecerem e não no momento em que acontecem. Preocupação com arrancar pedacinhos dos lugares ou fotográfa-los, em vez de estar dentro. Prefiro fazer transparências à registros.
coração meio calmo e meio em brasa.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

corações velados.

Te vi por inteiro, te senti por inteiro, mesmo desse jeito meio perdida de mim, e aí que eu vi o desespero, sinto-te sem uma harmonia selada. Sem que o corpo se entregue à ti e com a alma um tanto velada, um tanto entregue. Qualquer lugar é nosso e qualquer lugar é lugar nenhum. Enfim temos pés aqui e nos outros cantos, peça-me para cair e eu te levanto. O que eu quero é esses pedaços entregues. As peças a gente forma sempre.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

escada marrom.

Ando pela praça, pelas avenidas e ando e ando e ando e parece que chegar nunca é destino. Destino é ficar andando e andando e andando. E quando vejo que preciso parar é quase abismo. Parado a cabeça para junto. Ou talvez seja pior estar andando o tempo todo e sentir-se parado. Meu sentido some quando a cabeça começa a rodar e é quase sempre, agora.

Preferível o quase sempre - vento.

manhã azul.

Talvez fosse a cabeça voltando meio atordoada, perdida às 7h da manhã... depois de rir de tudo besta, internamente, que pudesse se reparar naquela noite malditamente colorida. Tocou meio azedo em mim com essa zona interna meio interditada.
Caminhando de manhã, com aquele sol chegando, e tudo soando tão leve, e minha cabeça pesada. E pensei, pensado de um jeito que eu nunca tinha reparado. Vi a imagem de um revólver como sombra na calçada e isso acionou tanta coisa. Aquela fossa, e pensar que nunca fez tanto "nenhum sentido" usar aquilo como algum fim. Porque apesar da morte ser alguma coisa tão fria e uma coisa meio resultado, comecei a pensar que mesmo ela teria algum sentido, e veio aquela sensação meio em frente aos olhos do sangue todo gelado percorrendo pela última vez o corpo. Em contraste com aquele corpo quente, aquilo tudo correndo tão quente e tão forte, e derrepente é a última vez, a última vez que corre pelas veias e ainda parece tão forte. E a idéia do corpo meio explodindo veio novamente. Ele explode e morre. Como pode ser uma coisa ruim? Como poderia se fazer da morte algo tão seco, como escolher aquele cano frio como fim para alguma coisa. Afinal a morte fez meio parte das coisas bonitas. Ou das coisas que fazem algum sentido para sentir assim tão vivo. A morte não é nada sem cor, é algo azul. É a diferença entre o reflexo do espelho e a imagem real...

domingo, 25 de janeiro de 2009

sintomas estranhos.

Em épocas estranhas dessas é melhor até andar com o óculos amarrados... perder ele duas vezes em dois dias seguidos não é bom sinal. Principalmente quando você se toca que deixou ele dentro do prato de sobremesa e que o carregou até a cozinha, sem ver o óculos lá ou que você levou a mesinha da sala até o canto e nem percebeu que o óculos estava em cima.
Mais estranho ainda é quase perder o sábado por ter dormido até 2h45 da manhã.

Por sorte ainda existem Lisas na minha vida para me ligar e me obrigar a levantar da cama, quando me escondo de tudo.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

quando é que isso tudo começou?
o que a gente faz?
às vezes a gente grita socorro
e às vezes é pra lugar nenhum...

domingo, 18 de janeiro de 2009

Pela primeira vez eu pensei "o que é que eu tô fazendo"...
Planejando dois anos e nem se sabe o que será deles... eu poderia colocar os pés no mundo agora. Porque tanto tempo pra decidir se era mesmo 'a coisa' e no final, podem ser 5 anos que não servirão de nada...

sínteses tolas...

Nós somos tão vulneráveis, meu amor. Eu nunca tinha percebido tanto isso. Todos são meio descuidados. Eu não sei o que posso viver, eu não sei até quando. A gente vive inventando tudo ao nosso redor. As pessoas gostam de viver algo inventado... Aquela frase "porque afinal ninguém nunca se tocou" fica rodeando a minha cabeça, ela não sai daqui...

Ela e pensar que algumas pessoas realmente não podem caber só em 7 de 365 dias.

A gente vive é pra fora da janela... ou sem janela mesmo. sem a de concreto... porque da outra, eu percebi, como nunca, a gente precisa reencontrar...

E ao mesmo tempo, já está tudo tão apagado. As ondas de luzinhas amarelas já cobriram boa parte do que nos resta...

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

pedaços;

até o mais paciente, cansa.
o telhado vai ganhando mais buracos para a coleção...

sábado, 3 de janeiro de 2009

"well if it's still pretty what with all these leaks we'll be fine."

esse ano começou realmente estranho... e até que estranho pode ser algo bom. ;)

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Alguém disse que você vai viver uma fantasia besta até o final... E o final das coisas é onde nem começou. Tudo parece denovo não ter nenhum sentido, e parece não existir mais nada palpável onde você possa se segurar. A gente devia mesmo arrancar o coração e viver sem ele. Ou senão a gente vive sangrando o tempo todo e nunca se recupera. Esse é o problema, a gente nunca se recupera. Queria viver um pouco no casulo amarelo.
Qualquer coisa que eu possa escrever agora parece descartável.
Me dá uma injeção de sangue, porque aqui não sobrou nada.
Eu tenho uma confusão eterna e brutal na minha mente onde tudo se mistura sempre...

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

compressão.

É tão bonito se você colorir assim. Mas é só uma deixa, um espaço vazio no tempo que te deram pra entrar. Agora você vive se comprimindo pra caber no abraço seco. Ele brilha longe e te comprimi em mil pedacinhos quebrados... pedindo pra estar perto. O mundo gira, gira e você está lá parada no meio do nada, atrás do lado seco das lágrimas, pois nem elas escorrem... É preciso viver em segredo a dor. Ou se não se consome tudo. Se perde tudo.
Até quando se perguntar se é melhor viver assim comprimido ou seguir o vento frio. É melhor quebrar logo, senão a gente vira pedacinhos tão pequenininhos... que perde-se muito ao juntar denovo...
me faz lembrar a todo tempo como é colorido-dolorido.

sábado, 27 de dezembro de 2008

voltando, voltando...

O mais dolorido não é a distância. O que corta fundo mesmo é que me sinto moradora dos dois lugares. Quando estou lá, parece que vivo lá. Quando estou aqui, parece que vivo aqui. E não há como fazer uma separação entre os corações de lá e daqui. Vejo todos lá e parece que nada mudou, parece que não há distância e tempo que interfira em nada. Mas quando volto é sempre o mesmo baque. É perceber que há uma puta distância entre nós e que nossa convivência depende hoje de poucos dias.

Hoje eu sou só uma pintura rebuscada de alguém...

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

último dia...

Como é dificil se despedir e pensar que vai demorar meses para eu conseguir voltar pra cá.
Junto a mim voltam um abraço carinhoso, as risadas e o sotaque - que eu nunca gostei e dessa vez pareceu tão doce.
Algumas coisas me incomodam muito ainda nessa terrinha alemã. Essa indiferença toda, essa tradição que parece prender às pessoas à terra e a tudo mais. Não sei como explicar, nunca soube, mas eu vejo uma coisa tensa na vida que os blumenauenses e região levam... diferente de como sinto Sorocaba como um certo paraíso pessoal... é tudo tão mais simples lá.
Preciso cada vez mais das coisas simples, cada vez mais me sinto como um corpo flutuante, transparente... O mundo todo respira dentro de mim. E eu transpiro tudo... Só uma bolha no meio de todo o ar...

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Terrinha alemã, cheguei!

Na estrada já dava pra perceber parte do estrago...
E eu me dividindo entre a vontade imensa de ver todas as partes do caminho e o sono que vinha arrebatar-me e roubava os olhos da estrada...
Chegar aqui denovo, me reacostumar com as cores da cidade, um tanto apagadas hoje, mas que me remetem a tanta coisa...
Um berro tão bom de ouvir no interfone, abraços e as companhias... ah! Vamos lá semaninha. :}

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

sobre o mesmo dia...

Hoje eu repartiria a dor em mil pedacinhos, porque eu realmente não queria senti-la sozinha.

sempre algo a perseguir...

O dia 12 de dezembro cada vez me dá mais receio... Desde pequena sempre acompanhado de algum fato marcante. E desde o ano passado, marcado pelas despedidas... de uma forma ou outra é sempre alguém se despedindo... a distância que aumenta e a saudade que corrói.
Tudo escolhe sempre esse dia, ou ele que puxa tudo consigo...

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Sobre outros alívios..

E é bom ouvir Regina Spektor novamente e a tristeza não acompanhá-las mais.

conversas emessênicas de madrugada...

... e coisas que vão surgindo:

A falta de tempo faz a gente manter as coisas superficiais. Não que a gente queira, mas a gente tem que ficar se encaixando nele o tempo todo e algumas coisas ficam pra fora. Dá um certo alívio e felicidade quando as coisas que valem a pena e gostamos cabem nesse espaço e tempo todo.

O lado bom de tudo que aconteceu nas terrinhas do sul, foi retomar o contato mais próximo e ver tudo interagindo denovo... Como é bom, como é bom de alguma forma sentir tudo perto. Falta só sentir o cheiro da terra...

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

querendo um pouco mais que três dias.

coração anda inflando novamente.
preenchido de preciosidades antigas.
mas anda meio dividido, não sabe se fica aqui, se permanece lá.

a corda puxa de lá e puxa de cá, e parece que de lá cada vez é mais forte...
e pede certa paz de sentar na beira do mar, de ficar na grama olhando pra nada, com um efeito de vinho, e os reencontros todos. me veêm todos à cabeça e um abraço tão apertado.

até me sinto cheia, distante.
e felizmente menos triste, vejo tudo movimentando denovo...

se me pedirem para ficar aqui, com mais alguns dias eu seco.
preciso ventar por aí, mas volto, daqui eu não me perco, não. meu paraíso... mas até do paraíso a gente pede férias.

domingo, 30 de novembro de 2008

manso.

Enfim, gosto de você por perto. Mas eu fico tentando meio esconder, porque pode ser que você não entenda... Sempre essa coisa meio instável dominando meu corpo e a minha mente.
Eu odeio como essa coisa de "faltará sempre a sinceridade" permeia o que é desfeito. Parece sempre se repetir, embora alguns lapsos salvem a coisa toda, mas são raros... Enquanto isso fico a todo tempo procurando o que eu penso e sinto linearmente, afinal para mim aquelas partezinhas marcantes ficam e significam, sempre quando reencontro.

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

O que não dá é pra ficar quieta.
O que não dá é fechar os olhos e não ver.
Afinal a gente tem que interferir nas coisas, não dá pra ficar eu parada aqui calada e você aí.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

sobre as 'águas passadas'...

Para o Daniel, o motivo do post era esse: http://allesblau.net/

Há dois meses meu coração andava apertado, querendo muito estar pelas terrinhas do sul denovo, e passar um tempo nem que fosse jogada no sofá da irmã de tarde morrendo de calor, e depois cozinhando alguma guloseima nossa no sofá. Com aquela coisa nossa, de tanto tempo: apoiadas nos nossos próprios ombros. Querendo conhecer o Thomas, que nasceu e eu ainda nem vi. Querendo estar do lado do Bruninho, acompanhando as linhas infinitas que surgem daquele menino e vão parar sei lá onde... Bruninho é imaginação pura... meu ponto simples e que me faz respirar tão puro no meio de tanta coisa dura e tanto concreto. E na semana passada, que me veio o Marcos na mente e me deu um aperto e uma vontade de estar perto, meu quase vizinho, companheiro, que me dizia as coisas que mais tarde estariam tão presentes na minha mente... Sentada em um bar qualquer com o Ti, tomando a cerveja que agora eu quero. Rindo com a Raquélica como sempre...
E tudo isso foi literalmente por água abaixo...
Hoje eu só consigo pensar em quando é que isso tudo vai passar, e eu nem sei bem como, afinal vão ter que reconstruir a cidade inteira, ou acabar com os morros todos, desviar os ribeirões, tirar casas do nada e colocar onde aliás?
Meu coração tá apertado, metade aqui, metade lá, uma coisa meio engasgada e a sensação estranha de pensar que foi lá e que isso tudo aconteceu. E que coisa surreal.
Foi a coisa mais direta que esse blog já teve, mas foi um desengasgo, ou sei lá, um maior ainda, porque remexer nisso dói, como dói pensar em tudo que envolve isso.

domingo, 23 de novembro de 2008

pára de chover!

e dá pra ficar tranquila, mesmo há no mínimo 8 horas de distância de lá?
fico há tantos quilômetros pedindo que pare de chover um pouco.
Enquanto isso, meu corpo todo se mantém tenso e minha mente longe.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Dia engasgado

Pise com os pés o coração para fazer dessa dor seca, sangrar alguma coisa. Joguei tudo para o ar e transpareci, virei pedra. Venta denovo e retorna as coisas leves. Lembro bem agora, como chuva diz quando vem: "dá espaço aos vazios também..."
Embora eles doam e eu peça só o refugo de um abraço. Olho para os lados e vejo tudo cheio. Ainda não chegou aqui... Me deixa me esconder um pouco no meu casulo de pedra. Mas dessa vez te dou a senha... Me importa as coisas compartilhadas e dessa vez peço que o engasgo vire vômito.
É tudo tão fragmentado. Pode existir algo inteiro? Há algo estranho no ninho... Suguei meu corpo todo pra dentro, tá díficil respirar.

sábado, 15 de novembro de 2008

é meio triste esse teu jeito de retornar as tempestades.
como se essa indiferença toda não contasse...
se sou parede, elas tem certas rachaduras, e você se esquiva pelos espaços...

Você não sabe como doeu fechar aquela porta.

domingo, 9 de novembro de 2008

As pessoas pensando sempre que os problemas estão nos lugares e não nelas mesmas.
Passar a vida inteira se mudando achando que isso é que vai resolver alguma coisa.

sábado, 8 de novembro de 2008

Acho que no dia que morrer, vou me misturar ao ar.
Ou vou cair na água mesmo com o vento todo batendo naquela cena de final, com alguém me segurando em um pote bem perto da ponta e me jogando, e eu virando todo vento e toda água, porque de alguma forma, uma hora, vamos virar uma coisa só.
Ou quando o sangue jorrar até o limite dentro do corpo, quando estiver assim meio explodindo pra fora, quando o limite transpassar o meu corpo todo, e eu já não caber aqui. Os olhos arregalados, e um suspiro.
Queria conseguir definir o significado de 'tocar', mas é uma coisa tão imensa. Que não sei a nossa visão não diz mesmo nada, afinal tudo tá além do limite visível das coisas. Como elas se aproximam muito antes de se tocarem. E quando a gente meio se bate, no meio dessa dureza toda, e o barulho dos corpos se encontrando é bem mais vivo que muita coisa. A gente vai se encontrando, e se juntando, e cada vez mais perto que no final viramos um monte de coisas flutuantes.
Flutuar, ser um pouco do ar, não sei. Essa transparência cheia.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

meia luz, meio vento...

às vezes a gente não cabe, às vezes a gente não cabe na gente...
meio um coração batendo calmo e forte.

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

corpo espaçado, mente flutuante...

Eu sento e me desfaço em pedaços, cada parte do corpo é um lado...

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

como o caio diz tudo às vezes...

"Quando eu escrevo eu consigo ordenar tudo aquilo que eu penso. Agora, quando eu falo ou quando eu sou, simplesmente não consigo ordenar nada. Eu sou da maneira mais caótica possível."

pérolas do cotidiano


Pérolas que alimentam os meus dias e tornam eles cada vez mais bizarros:

Manhã:
Enquanto inicio meu dia organizando os livros e o seu Benedito inicia o seu como sempre em leituras em voz alta na livraria. Passo ao lado e não posso me conter à pergunta ao ouvir um trecho um tanto estranho de um livro:
- Que é isso?
- Você sabe falar caipira, Tatiana?
- Ih... Acho que nem sei.
- Eu sei. Quer ver?
- "Eu vô fazê farinha".

Tarde:
Senhora enquanto aguarda a impressão do boleto:
- Tá de quantos meses?
- (risos) eu não estou grávida...
E segue-se milhares de desculpas e uma senhora quase morta de vergonha.

Fim de tarde:
Caminho rapidamente até o ponto de ônibus, quando observo um menino de 6/7 anos dançando enquanto caminha com a mãe. De repente ele me olha e solta:
- Você sabe dançar psy?
- Não sei. Você vai me ensinar?
E começa a dançar na rua.

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

sensações-impressões estranhas.

não queria me tornar aos olhos de alguém só a coisa dura.
mas a outra parte, a parte inteira depende de sensações, fortes, de turbilhões, puros...

tô quase falando feliz 21 anos antecipado, é tanta coisa para um ano, os dias foram meio multiplicados.

depois de passar tudo, será que vem o que agora?

acho que é a hora de fugir um pouco do lado de cá.

terça-feira, 28 de outubro de 2008

ímpar;

praça, flor meio exótica e de cor forte, aquele som longe de praça de correria e risos, aquele ar cheio, sentar na grama e desfiar as linhas trançadas na nossa mente nos últimos dias, coisas que fazem todo o sentido no domingo.

essa paz que o paraíso sorocabano me traz.

domingo, 26 de outubro de 2008

duas doses de febre;

Acordei com tanta febre hoje, que minha cabeça fervilha e parece explodir a tudo. Parece que nas palavras novamente não cabe o mundo inteiro que eu teria pra falar... Mas custa só dizer que eu não quero isso. Que eu quero ver tudo explodindo em mim e tudo parecendo leve. Que eu vivo disso ao contrário de abraçar vazios, cheios inteiros em você e vazios em mim.
Fiquei afim de vomitar o mundo mesmo e catar os cacos que formam o que é doce. Doce é o tanto quebrado e um tanto também inteiro de ar, e não de sufoco. Sufoco é pedir pra engolir essa merda toda que te faz rir e me fazem vomitar. Coisa bonita e colorida que pra mim é mais que transparente, e nem transparente poderia ser, porque transparência diz muito pra mim. É sem cor. É uma cor disfarçada da qual se alimentam aqueles que acham que sorriem inteiro. Ou sorriem inteiro mesmo, só quero muito longe de mim.
Me dá denovo uma chance de correr por aí. Preciso descobrir o que há fora da janela desse trem que por uns minutos-dias resolveu parar denovo.
Parece que as palavras regrediram, mas insisto em andar. Mesmo que me perca um pouco. Só não dá pra ficar nesse lugar branco por tanto tempo, daqui a pouco ele me engole.

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

sentido;

Eu tentei explicar como preciso das coisas explodindo muito às vezes e que calmaria só não cabe mais em mim há algum tempo. E que aquele "liberta" libertou um mundo todo dentro de mim, que pede pra gritar às vezes, e eu deixo. Não cabe ainda te explicar todas essas coisas que passaram, mas eu queria tentar, pra não ser nenhuma vez só um machucado. Temo que as minhas vontades tenham tomado conta um pouco da minha consciência.
E eu escolhi viver, antes de querer renunciar a qualquer coisa. Uma parte do que me incomodava fugiu denovo. E as coisas fluem leves. Posso até descer denovo as ladeiras e acompanhar as luzes dançarem na minha visão falha.

Elemento estranho esse que de certo é água e tem às vezes tudo próximo diluído, como corpo e o resto como coisa só e se move pelo vento.

Eu caminho nessa linha torta de olhos fechados e vivos.

sábado, 4 de outubro de 2008

mesmo que não seja mais dor.

"...sabe que o meu gostar por você chegou a ser amor pois se eu me comovia vendo você pois se eu acordava no meio da noite só pra ver você dormindo meu Deus como você me doía de vez em quando eu vou ficar esperando você numa tarde cinzenta de inverno bem no meio duma praça então os meus braços não vão ser suficientes pra abraçar você e a minha voz vai querer dizer tanta mas tanta coisa que eu vou ficar calada um tempo enorme só olhando você sem dizer nada só olhando e pensando meu Deus como você me dói de vez em quando".

Ah, Caio F., você diz tudo às vezes.

domingo, 28 de setembro de 2008

incógnitas rodeiam...

Ainda tento entender o que significa.

Mas a frase "João nunca comeu na vida, mas a vida comeu João" não sai da minha mente há dias...

Tenho uma vontade imensa de escrevê-la em um muro extenso, com garranchos grandes e tinta preta, quase um giz forte com o qual você pode riscar rapidamente.

Eu queria muito dizer isso para o mundo todo, mas embora queira, enquanto não entendo a coisa toda, fica para mim. Quero muito te dizer como ela é imensa. Mas parece que você já entenderia só de vê-la amarelando todo aquele muro.

faltará sempre a sinceridade?

Hoje eu vi, e como doeu.

Vocês desistiram da outra parte do mundo e nela quase cabe o mundo todo.

Eu preciso ver um pouco das flores lá fora.

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Sensação estranha.

Que vontade de reviver sentir algo como e ao mesmo tempo não querer reviver.
Olho pra você e tento arrancar alguma coisa, que nem mais eu sei. Afinal, o que teria mais ali?
Esqueci que até a distância passou.
Esqueci que tudo passou.

Esqueci que afinal aqui estou. E que vou ter que segurar as pontas nos pés, agora.

Ode ao novo tempo, e estou com medo da minha mente.

domingo, 14 de setembro de 2008

sobre dias que revigoram minha alma;

Um corpo tão quebrado e tão vivo.
Correria ainda milhares de vez embaixo de chuva.

doses de consciência;

Rostos bonitos quebram. Te diria isso afinal, se conseguisse dizer qualquer coisa.

domingo, 7 de setembro de 2008

Gritos mudos

Eu sempre quis entender se algumas coisas eram passageiras ou se eram minhas constantes mesmo. Se fobias tem cura. Se há algo tocável mesmo nestes instantes de vazio puro. Se sou eu que me afasto dessas energias ou elas que são nulas. Eu tenho quase certeza que sou eu que me prendo em um branco, e tenho medo às vezes de ser caminho sem volta.
Queria muito saber a cura. Se existe cura.
Paredes geladas, coisas pesadas e mudas. Uma multidão e ninguém. Uma parede branca e sangue seco.

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

milhares de coisas escondidas nas coisas;

Todos os lugares têm um grito escondido.

leve.

É como se o mundo fosse sensível ao toque. É como se a gente tocasse sem chegar perto. É como se as coisas vibrassem em uma certa frequência única e oscilassem no ar. É como se fosse uma música de cores. É como se tivesse um som pra cada dia e como se o dia vibrasse na mesma sintonia. É como se as sintonias se cruzassem no ar.
é como se fosse um pouco mais de muita coisa.

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

explosões;

Tive uma daquelas sensações imensas que tem permeado minha vida nas últimas semanas. São como as explosões que Caio F. me traz diante dos olhos. Ler os morangos mofados é encontrar as duas linhas que se cruzam o tempo todo em nossas vidas, a felicidade e o abismo. Minha quinta-feira foi a síntese perfeita dessa mistura de calmaria e explosão que sempre invade meu corpo e minha mente. A sensação única de caminhar entre as árvores, pisando em folhas secas, diante de uma explosão de fogos de artíficio no céu. Algo muito próximo, quase rente ao corpo que de um segundo à outro parecia que os raios saíam mais de dentro de mim do que daquele abismo azul.

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

jardins

Sentou na cadeira e começou a cortar. Os cabelos, sem corte há tempos - não lhe restavam horas, não lhe restava dinheiro -, passados por entre os dedos, nas manhãs-tardes de ressaca no sofá. Cortou os pés que caminhavam pela grama, ao lavar o carro imundo de lama daquele poço de onde vinha todos os dias, onde sugava e jogava sua vida de uma corda repleta de nós. Enquanto isso ela se mantinha em frente ao fogão, a vida toda escrita nas mãos em cortes e cicatrizes sem cura. Dizia-se pura, até quando - momento ao qual lograram à ele certa loucura - ele se viu perdido em uma vontade incurável de mergulha-la naquele poço, com a corda enroscada ao pescoço. Os nós perfurando a pele dela, enquanto ele ejaculava e se deliciava de um prazer inocente. Sua única felicidade acabou quando seus pulsos seguravam o ar, e ela seguia caindo por aquele imenso buraco. Sobraram a ele, os olhos imensos e brancos, dispersos por aquele buraco tão fundo, mas tão fundo, que só não era maior do que o que afirmava carregar no corpo.
Embebedou-se daquela porra toda, enquanto ela se arrastava pelos cantos do quarto. Quando acendeu a luz, não havia ninguém. Entre aquelas paredes só restava uma sombra consumida pela culpa. Sobravam-lhe cinco anos da conta que tinha feito aos 35. Foi só o tempo de imendar as feridas, e do fio soltar-se logo que admitiu - não tinha culpa - era o carro mal lavado, o serviço mal pago. Arrastou o fio pelas veias, para encontrar-se no gelo que lhe parecia familiar.

terça-feira, 26 de agosto de 2008

clamo.

Tudo bem. Não seria alguém que você lembraria se passasse. Eu ando meio no escuro, e me alimento de luz - de longe. E hoje eu clamo por ela. E pelo escuro e por qualquer coisa dessas, mas que eu possa sentir com calma. Não quero ter que engolir tudo tão depressa, e digerir também o tempo - se me sobra nas horas. Eu sinto um certo nojo e um certo repúdio quando começo todos os dias. Eu sinto que queria estar rindo da sua cara e chorando da minha. Um vômito engasgado e nele toda a minha vida.

Eu sinto o gosto da mordaça... e que em breve, ela cai.

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

descoberta do mundo.

Geralmente ele brilha no escuro, sabe? Mas às vezes uma luz se apaga e ele se perde na escuridão. Eu já decorei esse rosto. Só me resta saber se é descoberta ou se é luto. Se a escuridão alimenta ou destrói. Parece uma armadura. Um olhar doce, que traz e esconde.

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

sintonia

Chego da cidade arranha céu com um turbilhão passando pela mente. Tudo o que precisava era sentar e sintetizar aqui tudo o que se passou nesses três dias. Então, chego à praça e uma cena me paralisa e me faz voltar no tempo. Há um ano estávamos aqui. E tudo me fugiu à mente. De vida bolha à quase estranhos.

paz.

Duas coisas essenciais aos meus finais de semana: mares e chuvas.
Minha paz, minha calmaria, compartilham e partilham imensidão.

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

um brinde.

A realidade é essa: meu corpo implora pelo ócio, pelo tempo, pela minha falsa 'liberdade' há tempos. Mas depois daquela segunda-feira minha cabeça não consegue mais optar pela 'alienação'. Não foram só lágrimas que levamos ao chão. Foi a minha sanidade. Esse cotidiano sufoca minha respiração.

domingo, 10 de agosto de 2008

Pois é.

Suponho que estamos todas presas à essa escuridão. Os dois buracos que furaram o telhado não tem conserto. A gente tapa, mas ele permanece. Somos mais que isso, mas também somos um pouco disso.

sábado, 9 de agosto de 2008

vida imensa;

Andava carregando um peso. Esqueci de tirá-lo do bolso. Joguei as pedras no lago e fiquei lá a observar. De repente senti uma calmaria, que tem variações de intensidade. Me jogaria na água e me molharia inteira. Poderia fechar os olhos e me sentir em outro lugar. Parecia que respirar não era mais esforço algum. Parecia que eu tinha batido na porta e pedido espaço para entrar. Descobri lições de química sem números ou letras, só ao respirar. Me enchi de imensidão e isso era mais próximo do que qualquer coisa.

calmaria;

Engraçado. Alguns momentos são tão cheios de si, independente de qualquer lugar ou quaisquer pessoas. Tudo anda com um ritmo diferente.
As pessoas agem como se lugares preenchessem vazios. Para mim essas coisas não valem mais. Os instantes podem ser repletos sem eu precisar estar no meio de um monte de gente em uma sexta-feira. O desespero de antes se foi. Hoje é calmaria. Uma calmaria diferente, para quem quer intensidades diferentes em momentos diferentes. Tudo merece um instante-já. Cada pessoa merece um instante-já. Parece que as coisas ficam circulando pelos espaços e pedem um momento certo para se encontrarem. Eu sinto assim, como se as coisas fluíssem leves. Nessas horas sempre me dá vontade de soltar o peso do corpo e me jogar em cima de um gramado. Acho que nem há peso nesse momento, me sinto leve. Na verdade, essa cena do gramado que eu guardo sempre na mente diz tudo. O sorriso que vejo, basta para entender como gosto de estar assim.
Me faz lembrar o comentário da Regi, que também permeou minha mente por algumas horas depois que li.
"Ai, Tati, me doa um pouco da tua tranqüilidade?
Me ensina a ser assim tão doce e calma?"
Descobri a resposta, isso é um encontro.

domingo, 3 de agosto de 2008

escolhas;

Saiu correndo. Precisava trancar todas as portas e tinha poucos segundos. Pensou que passaria vento demais. Era impossível se manter imóvel. O vento a levaria e esqueceria de deixar algo do que era em si. Foi tanta pressa que esqueceu de deixar uma saída. Então ela ficou ali, sozinha, em um corredor escuro, com várias escolhas na mão. E para onde ir, afinal?
Depois de agonizar algum tempo na escuridão, parece que uma fresta de luz iluminava a direção certa.

quinta-feira, 17 de julho de 2008

só.

Seis meses antes, tudo que eu escrevia aqui tinha um pouco de você. Seis meses depois, quase tudo que escrevo aqui ainda tem um pouco de você. Há seis meses atrás essa música afastava a saudade e apertava ela um pouco mais, talvez. Há seis meses atrás, havia pouco de mim na minha vida. Seis meses depois, há muito em mim e muito em volta de mim. Mas seis meses depois é inevitável lembrar de você inúmeras vezes. É inevitável não citar o seu nome inúmeras vezes. Nunca fui tão aberta, quanto depois que te conheci. E eu te agradeço por somente me mostrar a fechadura, em vez de usar as chaves. E depois de tudo o que se passou, com certa falta de ordem, eu só procuro uma coisa: que superar essa falta seja possível em menos tempo do que já se passou. Espero apagar a dor da saudade, e substituí-las por lembranças, espero conseguir te ver como você me vê hoje. Porque não espero mais nada desde aquele dia acompanhado pelas lágrimas escorrendo do meu rosto no banco de trás do carro. Eu só espero superar essa tristeza que me bate algumas vezes... E que hoje não sei se tem mais a ver com você, ou comigo mesma.

sábado, 31 de maio de 2008

nostalgia;

que saudade de escrever aqui. que saudade de ver tudo mergulhada em poesia.

metade-ficção;

Deu pra perceber que parte das coisas a gente inventa. Na real, mesmo o que a gente não quer inventar, acaba virando metade-ficção. A mente tem vida própria, e esperamos sempre bem mais do que vemos. De tanto querer, parece que elas ganham vida própria dentro de nós.
Me deixa perplexa. Será que o que eu espero mesmo são essas invenções? Será que o cru, os cortes mesmo não seriam melhores?
O que pode me deixar mal um dia, pode também me reerguer.

Tudo parece mais claro desde então...

uma grande invenção;

E se percebesse, em hora, que parte - talvez grande parte - do todo era uma grande invenção?
E se a jogassem de frente a parede e o que conseguisse enxergar era somente um extenso branco? E o que poderia dizer, em hora, que não fosse inventado. Talvez o silêncio seria mais puro, mais sincero. Embora que mesmo o silêncio pode ser ilusão. A mente não tem idade, é criança sempre. Inventa e brinca.