segunda-feira, 23 de abril de 2012

'a inspiração é o momento da síntese'


Cem anos de solidão me parece ter sido a de toda uma vida.

domingo, 8 de abril de 2012

o corpo é passagem.
sentir é luz.
e o devir...
a falta martela o peito e nos torna tão pequenos...

domingo, 1 de abril de 2012

uma interrogação, um vazio, uma falta... e todas essas coisas que nos movem.

segunda-feira, 19 de março de 2012

O processo de amadurecimento é um deslocamento de si para si. Para depois poder tocar nos outros.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

se entender nesse outro tempo é um grande desafio...

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Gosto de sentar no inverso da cama e olhar o céu. Entre as paredes brancas e a telha meu olhar dá de encontro com um imenso azul. Me faz pensar que a gente é só um ponto, só uma possibilidade das infinitas desse mundo, do universo... e se a gente sofre pela perda também é pelo apego, é por acreditar que o campo das possibilidades se acaba antes da telha, é por esquecer que a caminhada ainda é vasta e repleta de outros. Essa sim é a morte.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

sobre as férias.

Tem algumas pessoas que são essenciais na nossa vida porque estão um passo além, um pouco a frente do ponto em que você está, já conquistaram sonhos que você ainda pensa em conquistar, pisam em solo que você desconhece, e, principalmente, já superaram a ansiedade de querer tudo ao mesmo tempo e, por isso, sabem aproveitar tudo muito melhor. Tem outras pessoas que são tão especiais como essas, mas que estão muitos passos atrás, ainda trilham um caminho por onde você já passou e que vez ou outra te arrancam a paciência pela ansiedade em vê-las atravessar esse tempo, que às vezes parece curto... mas quando vasculhamos a memória, lembramos que é um tanto longo. Mas existem aquelas que apesar de tão diferentes, estão exatamente no lugar em que você está, no mesmo nível de maturidade, têm a mesma vivência, os mesmos sonhos e as mesmas ansiedades. Também estão a esperar por algo, conscientes de tudo que já se passou, sabem por onde já estiveram e o quanto isso as modificou. Se veem um pouco ali a frente, mas compreendem que ainda existe um longo caminho a percorrer. Essas fazem uma falta tremenda quando não estão por perto. São com elas que a gente pode desabafar como com ninguém outro. Só elas te entendem com um olhar. E é essa falta que a gente sente que parece ser a vida pulsando. A falta de poder sequestrar alguém em uma noite chuvosa e fria para conversar, um desejo tão forte de poder ver denovo um animal tão amado e agora tão distante pisando novamente com as quatro patas na cozinha. Nós somos o que nos falta. Nós somos o que nos falta. Clarice me disse e é verdadeiro. Mas isso também é a nossa pele respirando vida pelos poros. Não há como escapar.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

sair do casulo, pisar denovo no mundo sujo, meu coração ultimamente tão desprotegido e umas pessoas que alumiam o caminho... sobrevivendo aos socos no coração e ouvindo os sopros passando com o som suave pelo buraco vazio... 'nós somos o que nos falta'.

sábado, 31 de dezembro de 2011

o tempo, o tempo e o tempo...

Não me invadem mais os ares do silêncio, mas um desejo ardente de ser e estar denovo no mundo, de ter energia para enfrentá-lo, de ser diante de alguém o que eu já fui, mas nunca igual a ontem, porque nada vai ser o que era, mas também não dá pra continuar sendo o que se é. Essa busca incansável que a gente tem e que vez ou outra dá um engasgo na garganta. O tempo vai comendo os dias, mas às vezes, vai trazendo eles novamente devagarzinho na lembrança... e tudo parece tão distante que a gente se confunde. Não se sabe mais onde algumas coisas ficaram e porque se perderam... Ao mesmo tempo se esquece de como algumas coisas estão tão vivas, mas distantes. É tudo se transformando o tempo todo...

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Eu fico enrolando a corda do mundo no meu estômago. Às vezes, pesa, e um tanto...
(a luta nunca é leve, mas é a energia do pulso)

veredas...

A morte se assemelha cada vez menos a uma forma de acontecimento. Parece mais como algo que nos atravessa o tempo todo, de diversas maneiras. Está no passado, na imagem de alguém em um tempo que a gente nunca conheceu, ou pode estar no futuro, nas milhares de coisas que a gente poderia sentir e viver ainda. Às vezes é um desaparecimento lento de alguém... ou chega de forma brusca como a imagem de um acidente na estrada. Em outras é lembrar de alguém toda vez que se fecha os olhos à noite para dormir. É sempre uma bifurcação no tempo. Que nos faz por vezes mudar de caminho e nos desperta...
Na pele fria não há nada, não há amor, não há palavra alguma, só há um espelho que nos obriga a se acertar com o tempo.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

alguém não acostumada a viver na superfície.







sempre...

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

"Acaso vocês conhecem alguém livre do amor?"

Ê Lirinha...

domingo, 11 de setembro de 2011

setembro.

É tão raro eu chorar. E é por isso que hoje é um rito de passagem... da minha necessidade de isolamento e da minha falta de forças pra enfrentar o mundo. Eu estava sentada no muro como não fazia desde a minha infância, e fiquei me observando de cima, pequena, sentada com a minha vó descascando e comendo laranjas no degrau da escada. Fazia tempo que eu não lembrava disso e que essa cena não me parecia tão viva. Depois disso eu só consegui inconscientemente olhar para a horta da varanda no segundo andar. Aquela varanda só era bonita por causa da vida naquela casa. Só me era tão bonita porque alguém cuidava dela. E porque ali tudo transpirava amor. Tão verdadeiro isso... Os lugares só tem vida e ganham significado pelas pessoas que ali passaram e que os cultivaram. E quando eu observei a foto, com a pele da minha vó marcada pelos anos, com aquele lencinho bonito verde claro amarrado largo no pescoço e a laranja vermelha na mão, (eu nunca tinha visto uma laranja vermelha), foi impossível não ficar paralisada olhando por alguns minutos aquela imagem. E só pra mim ela ia significar isso. A minha alma me disse pra eu ficar um pouco tempo a mais naquele lugar. Manhã bonita, tarde bonita, só depois disso eu poderia voltar pra casa. E só com mais alguns dias para pensar, sentir e entender... esses sinais todos que a vida nos manda e que nesse meu tempo lento, eu demoro pra processar e compreender (ou eles tem o tempo deles pra gente compreender). A vida, a saudade, o tempo e a continuidade. O que a gente faz com tudo que acontece e nos surpreende. Sigamos leves e atentos, e sempre com amor. Evoé.

sexta-feira, 29 de julho de 2011

A vida desnudando a pele...

Eu juro que eu gosto mais do que nunca desse movimento de desaceleração. Da minha paz e do meu silêncio. Dos meus ouvidos podendo sentir o pulsar do coração e os meus passos pela rua quente, de sentir o vento fresco na minha pele. Fez tanto calor nesses últimos dias, e eu lembrei como gosto do tempo quente, do calor riscando a pele, invadindo os poros, e até do suor... parece vivo. Já no frio parece que a gente ganha uma camada de algo que, no fim, é coisa nenhuma, só é uma distância do mundo. Eu gosto do final do dia de calor, que me dá vontade de qualquer coisa, mesmo que seja sentir o cansaço tomando conta do meu corpo e uma vontade imensa de estar em algum lugar. Uma vontade de mergulhar de cabeça no rio. A vida desnudando a pele...

domingo, 17 de julho de 2011

Todo dia o coração morrendo pouco a pouco pelo amor e desamor. Eu não sou forte, Eu não sou forte. Às vezes é muito para um coração tão pequeno.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Eu vejo o mundo sem muita nitidez... ao menos onde a pele toca. Lá parece que fica tudo vibrando, como uma corda emitindo a textura do som. Minha memória, feita de cores, pulsando e saltando ao meu olhar...

movimento livre e vivo... e docemente selvagem.

terça-feira, 28 de junho de 2011

and that's just about...

rain
grass
trees
rivers
feral
wild
music
hot
sweet
quiet
enigmatic
peace
flowers and chess

...saudade.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

algum movimento e alguma luz e um olhar tão enigmático como pode ser o meu, mas de alguma forma incrívelmente leve.

domingo, 12 de junho de 2011

estação.

Eu não sei dizer se é saudade, só sei que algo me toca quando entro naquele metrô e fico vendo o mapa do caminho mais longo - aquele que eu percorria com o peito aberto e coração na mão até a penúltima estação.

sábado, 11 de junho de 2011

As preciosidades que vão saltando dessa caixinha... quanto tem ali? e ainda é bastante? ainda é pouco? - nada tem medida.
Até semanas atrás eu sonhava com você - e não eram poucas vezes - e a imagem era simplesmente bonita e de uma leveza que não consigo descrever, mas agora eu só sonho com o descaso - e ele me parece mais verdadeiro - tristemente verdadeiro.
Não é que me falte vontade, mas me sobram muitas outras vontades. É esse tempo louco que eu agarro e não largo - pelo menos por um tempo, só pra eu descansar a mente tranquila no travesseiro pensando em algo que me dê paz - a paz de fazer o que eu acredito e o que me alimenta a alma. Eu sou mais forte que a tempestade voraz.

domingo, 29 de maio de 2011

Pegou todas as esperanças e amarrou em um saco, deixou lá na frente e ficou a esperar alguém pra buscar. Eternamente... Não, não é assim. Eu corro pra alcançar a velocidade do tempo e nesse espaço eu me perco. Fantasmas à me assombrar e uma flor esquecida no asfalto, a qual nunca encontrava, esquecida de desviar o olhar. Eu não sei mais o que esperar - e nem sei se espero. Só corro no asfalto quente.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

existir e só.
(dando uma folga para o coração)

espero.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Quem consegue lidar com tantas portas abertas?

terça-feira, 17 de maio de 2011

concreto um sonho.

A minha casa é uma ilha.
Pegaram uns pedaços de pedra recortados e encaixaram
em um espaço cinza: eis um lar.
Meu jasmim abraça a telha.
Ele tem a minha idade e não cresce mais.
Me disseram que já morreu.
Mas eu desconfio, ele continua verde.
Às vezes eu penso:
Isso não é meu.

domingo, 15 de maio de 2011

meu tempo é longo.

Algumas coisas você protege em um canto quietinho, guarda rápido ali, nem pensa como embrulhar. Só pega aquela coisa e deixa ali na redoma, protegida, dos outros e de si mesmo. Daí alguém pega, te mostra os outros lados para os quais você sempre desviava o olhar e joga isso nas suas mãos. Já não cabe mais no espaço que estava e já não pode mais ficar assim nas suas mãos, tão exposto.
Eu não sei, eu não sei. Eu queria um tempo e ficar só eu na redoma, sem esses pedaços todos espalhados e fincados em tantas portas...

sábado, 14 de maio de 2011

Vem com o vento bom de mudança...

Eu encho os meus pulmões de ar. O meu ar purificado esvaindo pouco a pouco cada miligrama de peso carregado e enferrujado aqui dentro. Eu agradeço pelo que sou e pelo que fui e porque eu posso ver esse você hoje e essas palavras não resumem o tempo, e nem pretendem, porque o tempo não seria palpável, mas porque - mesmo sem qualquer pretensão - me dão forças para seguir e me ensinam sobre mim. Obrigada, vento bom, porque hoje, agora, eu sei melhor de mim.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

De todas as palavras que eu poderia ter dito, 'saudade...' era a mais verdadeira delas... e foi a única que eu não disse.

terça-feira, 3 de maio de 2011

do indízivel...

É noite, é frio, é melancolia, é saudade... são os sonhos perseguindo toda noite e a energia apontando caminho, todo dia essa luz me transpassando e apontando pra alguma coisa e sempre uma mensagem que tranquiliza ou surpreende, o vento - e só o vento? - tateando a minha pele e minhas esperanças se perdendo e se encontrando pelo ar...

sábado, 30 de abril de 2011

Encarando bravamente essa luta diária em que a arma é amor.

quinta-feira, 31 de março de 2011

entre os dentes do tempo...

Não vai dar mais para correr para o quintal. Não há mais gritos, não há mais tombos, não há mais caminhos a serem percorridos com pequenos passos. Não sobrevivem as promessas, não há mais certezas, não há previsão, não há nada - nada além dos olhos fixos no relógio, se perdendo com a rapidez das horas e com a mente que tanto devaneia...

domingo, 20 de março de 2011

Sempre essa corrida contra o tempo e o coração pulsando na garganta...

quarta-feira, 9 de março de 2011

plural.

Demorou um tanto... tantos mergulhos e minha visão parecia ainda turva... até que eu consegui ver. Aquela sensação, aquele bem querer, o querer estar perto, e toda a relação que pode se formar entre duas pessoas nunca poderá ser algo singular, na medida em que são sempre dois afinal, sempre dois corpos, duas mentes, dois corações, inúmeros desejos e vontades que saem de cada um e imprevisíveis... não há roteiro, nem planos que possam sobreviver à alma humana. Só o coração sobrevive, costurando com a boca cada ferida nova... e saindo inteiro.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Apesar do mergulho lento, posso dizer que permaneço submersa... e isso corrói.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

desatinos...

Sonhei várias vezes e em todos os sonhos o meu amor surgia transfigurado. Por vezes estava por baixo dos meus pés, como se o esmagasse por medo, outras aparecia corroendo a minha mente e nas últimas vezes era segurado pela minha mão, como numa tentativa de manter perto. Estranhamente despertei e acordada percebi que ele permanecia na minha pele, nos meus olhos e no meu coração. A mente tem desses desatinos e nos confunde tanto que não dá mais pra saber se é sonho, realidade ou mais um desses labirintos confusos e sem fim.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Tão breve e prematuro desconcerto...
Pequeno, mal sobreviveu até o parto...
Os olhos são guias em caminhos cegos
E o brilho dos teus são só teus
mas iluminam tantos outros...
e seca lentamente pela dúvida,
e enfim, pela certeza.
Há tanto e tão pouco nesses desencontros...

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

luz.

Sobre a janela ele se estica... não sabe se fica... ou vai... se ainda cabe ali... sente penetrando em cada fio de cabelo um raio de sol intenso e vivo, e o vento massageando seus cabelos... fica só sentindo, imóvel e calado... parece que aquele pequeno e singelo contato, repleto de luz, retira todo o peso que os dias traziam...

e pensa: as palavras não exprimem o tato...

domingo, 23 de janeiro de 2011

sobre as minhas verdades...

"Tudo fica tão marcado na pele. Meu coração tem pele fina e é por isso que eu toco as coisas com tanto cuidado."

Essa frase sempre vai soar tão verdadeira...

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

A saudade comeu os meus dias inteiros.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Eu queria um berço para essas horas de insegurança. Só um lugar morno, de silêncio confortável, para deixar o corpo pulsando e a mente quieta... eu queria a leveza de um sopro, só por uns minutos...

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

só pulsando.

Eu queria escrever sobre o peso da vida sobre os nossos ombros, ou como uma palavra pode explicar anos inteiros... mas daí eu penso, uma palavra pode ser descartável agora... e eu prefiro o meu silêncio.

era tudo mais fácil, menino, quando você brincava de amarrar sapatos...

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Às vezes me faz falta o tempo ser um pouco palpável... me perco nas minhas memórias que fogem e só retornam quando eu leio alguma coisa tua em tempo novo. Por isso soa tão verdadeiro como o meu mundo é tátil - e como tudo vive sob a vibração da pele.

A saudade não dói quando se está quieta - ela lateja na fala e nas breves esperas...

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Às vezes a distância é tão grande que não cabe dentro do peito. E ele pulsa, pulsa... a ponto de explodir. É... acho que isso é saudade.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

uma ilha desconhecida.

Pela primeira vez eu quis enfrentar o medo e olhar o meu sangue escorrendo pelos tubos. Longos e longos minutos e depois observei aquela bolsa pesada e vinho... tão viva e cheia de mim. E era só ela. Aquele sangue nem parecia tão vivo em mim, no meio de tanto cansaço, tanta falta de vida. Mas veio o vento novamente para carregar os meus pés para longe do chão e me levar pra essa ilha desconhecida. E eu me vejo vertendo quente com o sangue bombeado pelo meu corpo inteiro - a esperar.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

constatações...

Há meses atrás ele nunca me abraçaria e diria que sente saudades.
Eu era outra. Ele também?

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

agora eu posso dizer que acabou.

Foram trinta minutos de não existência, talvez muito mais que isso, antes e depois. Ainda é uma incógnita para mim se eu estava realmente falando, ouvindo, comemorando... nada me parecia real. O ritual de passagem só se completa quando a chuva finalmente leva embora aquele peso todo, tão colado e espesso ao nosso corpo, e enfim, quando o vento bate no rosto durante uma noite quente dizendo que realmente é tempo novo.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Eu sempre vou ver meu coração pulsando dentro dos teus olhos, e isso é tão bonito e intenso... Mas, pelo jeito, agora tenho sempre que amarrar esse sentimento na garganta. Não dá pra permanecer inteira na frente do seu olhar.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

eu sou um grande coração aberto pulsando - nada é mais verdadeiro que isso.

domingo, 14 de novembro de 2010

"Parece que uma corrente elétrica nos atingiu e agora ela passou..."

Ninguém te ensina o que fazer com a sujeira que fica embaixo da unha depois de dias de poeira.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

sobre a casa vazia.

Elas entram pela porta e sinto que nada mudou.
Mas, de repente, elas vão embora e vem uma sensação que eu fico digerindo por dias até perceber que é... vai ser sempre assim agora.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

às vezes eu queria ter uma explicação plausível, e só.

Fui rabiscando o chão com passos curtos, indo e voltando, e por horas talvez andando em círculos, e percebendo que não me deram todas as palavras do mundo para explicar as coisas. Faltou alguma coisa no meu vocabulário que nunca se completou o suficiente para que eu possa explicar as coisas que vêm mais lá do fundo. E de certa forma, percebi que ah, nem eu me compreendo às vezes por isso. Mas por algum milagre, algumas palavras vão caindo, passando pela minha garganta, encontrando o meu coração e lentamente vão mostrando algum sentido visível para o que se passa nele. E eu agradeço, enfim, por essas raridades.
Mas quando elas não surgem, eu fico costurando sentidos com todas as linguagens possíveis, de respiros, poesias, silêncios, humores, até que tudo isso forme alguma letra decifrável (pra mim, acima de tudo).

e tudo acontece tão rapidamente...

Demora um tempo, mas daí você percebe que algumas coisas acabaram pra sempre. E dá vontade de ter agarrado cada segundo dos momentos em que tudo existia daquela forma.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

É sol.

É sol, final de tarde, silêncio, espaço quase vazio, mas metade cheio aqui dentro - de amor, esperança, paciência e outros sentimentos bobos que a gente se enche em final de ano. É impossível estar indiferente ao turbilhão que esse ano está sendo - e quase já não é mais - e à incógnita que o próximo ano é. Tão assustador, como desafiador, como convidativo. E eu fico aqui inebriada pela força que cada dia que passa tem e pela proximidade de novos.

sábado, 2 de outubro de 2010

ah!

No meio desse mundo vasto e que muitas vezes parece vazio de coisas que realmente me toquem, surgem algumas pessoas caminhando como formigas no meio do concreto sujo e áspero, tão formidáveis e bonitas que conseguem, apenas com uma palavra, arrancar um suspiro.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Tudo fica tão marcado na pele. Meu coração tem pele fina e é por isso que eu toco as coisas com tanto cuidado.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

o que me prende na terra é o estômago.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

blue monday.

Meus amores são azuis. Turbulentos e calmos como o mar... imensos como só ele também... água como o elemento que corre pela minha pele, que aguça meus ouvidos, que é tão sinestésico, que faz meus olhos e ouvidos atentos. Eu guardo no tempo, pra sempre, alguns pedacinhos desses mares, dos instantes mais preciosos, que poderiam ser tão óbvios, mas eu funciono de alguma forma fluída e sem sentido aparente, então, são alguns pedaços únicos e que só fazem sentido pra mim. Eu poderia descrever o que é o amor pelo estímulo que certas coisas me causam... uma voz, selvagem e rouca e tão de menino enquanto gemia de prazer... um abraço em uma esquina amarelada, em que corpos eram vento e vento era só cor... um sorriso que lembrará pra sempre brilho eterno de uma mente sem lembranças... mais do que qualquer outra coisa é dessas lembranças que se alimenta o meu amor. Eu sei do meu amor quando me toca qualquer instante desse... sei do meu instante-já pela sensação que me causa. Eu amo, como numa tela impressionista, pela mistura das cores, embaçadas e fluídas, que se entrelaçam em harmonia diante do nosso olhar, que se juntam, de alguma forma não nítida, que impressiona e toca. Como o vermelho que sangra da floresta de Portinari. Eu sei que eu amo pela vibração da minha pele enquanto eu leio cada linha tua escrita à pele e coração, vestidas de um olhar dedicado à ver e reparar em alguém que o mundo esqueceu.

Meus amores são como a sensação calma que uma música pode provocar nessa noite silenciosa penetrando e saindo do meu corpo a cada instante...

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

é...

Depois de um desânimo carregado meses à fio, da minha desistência e entrega à melancolia, algo conseguiu perfurar as minhas entranhas secas e fazer o sangue circular quente novamente. É tanta vida aqui dentro circulando, que tudo se confunde e o tempo volta a tatear a minha pele, e sinto na boca do estômago e enfrento com os olhos úmidos esse nove de setembro.

Até que eu me deparo com você, de sobrancelhas baixas, boca um pouco aberta e o coração no olhar. E eu sei que é ali que mora o que eu preciso dizer.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

além do que se vê.

Todo mundo é um barato quando se vive na superfície e distante. A estrada me diz muito mais sobre os laços do que vivências passageiras. Não me importa conhecer o mundo e retornar a mesma.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Em meio a tantas tentativas de descrição, imagens cinematográficas e livros, eu aprendi mesmo o que é saudade nos olhos de papai.

domingo, 5 de setembro de 2010

E enfim, tudo volta lentamente a pulsar...

Eu nadei tanto e tanto, e mesmo com tanto cansaço, e ainda no meio do percurso, notei que algo florescia nos meus olhos, singelo e forte. E de repente, comecei a colocar cores no mundo, só pra agradar os meus olhos sedentos de vida e cheios de saudade.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

tempo.

Eu me lembro, eu tenho essa imagem na mente, eu lembro que há meses atrás eu era melhor. Eu não estava tão cansada, eu não tinha desistido de lutar por algumas coisas que eram tão importantes, eu não tinha esquecido como faz para contar à uma pessoa como você gosta dela, eu aproveitava tanto os meus dias de um jeito que eu não lembro mais, eu queria conquistar as ruas todas aos sábados e domingos, eu escrevia coisas sensíveis e tatéis aqui.

E agora tem essa nuvem embaçada na minha frente. E eu não lembro de nada, e não posso mais tentar lembrar, porque tem tanta coisa na frente dos meus olhos que eu preciso enxergar antes.

Eu só quero colocar os pés na areia e passar uma tarde inteira ouvindo o som infinito do mar...

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Espetáculo natural

São tantas explosões e flashes por segundo no céu
de passagem de ano que se tornou impossível vislumbrar a
Madrugada de Ano-Novo chegando, mansinho,
e aninhando-se no leito ainda quente do velho céu
embriagado.
Os estouros assustam os animais e as crianças pequenas,
que nunca viram guerra, senão de chocolate, nos sonhos.
E o mundo, que já viu tantas, acostumou-se com esse barulho tão semelhante ao das guerras?
Eu também me assusto: quero antes barulho de chuva
caindo sobre o telhado.
As estrelas cadentes estão indignadas
com suas concorrentes artificiais e negam-se
a cair sobre esse mundo decadente.
E talvez, quem sabe, a Madrugada de Ano-Novo, assustada,
criança, fuja para as fazendas etéreas
para se esconder debaixo dos braços de Deus.
E talvez os anos passados estejam reciclando-se,
já há muito, para substituí-la e estejamos
arrastando nossas vidas ao redor de um círculo vicioso
que avança e recua, progride e regride,
como sobre uma esteira que ao chegar ao término
volta ao ponto inicial de um mesmo ano,
cada vez mais velho e ultrapassado.
Mas o que aqui proponho são apenas mitos.
O que aí está são ritos, vícios, artíficios!
Já que não podemos ver o espetáculo natural no céu,
por favor, não passemos a virada do ano olhando artíficios.
Olhemo-nos nos olhos,
pois que ela, a Madrugada de Ano-Novo,
neles sim, aninha-se e bota um ovo.

de Ricardo G. Dias.

Retirado de "Caminhos da Fortuna", livro infantil escrito por Ivan Fortunato e ilustrado por Ricardo Gracindo Dias.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

eu queria dizer...

Eu agarraria cada segundo de tempo que me parece mínimo, e que ao mesmo tempo eu carrego com as mãos fechadas e fortes, e são tão raros, que quando acabam, parece que mesmo com tanta força, eles escorrem pela minha mão... E só fica eu ali, estática, no meio daquelas luzes amarelas que vibram ainda reproduzindo a minha pulsação...

e eu só queria dizer...

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Visível para todos os olhos, menos para os teus...

terça-feira, 17 de agosto de 2010

venta, venta, mas venta muito... só pra tirar todas essas coisas ruins de perto.
e até aquelas lembranças que me assombram vez ou outra.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Eu tenho uma urgência que aparece nas segundas e quartas, e se espalha lentamente por todos os outros dias da semana...

domingo, 1 de agosto de 2010

últimos dias.

Tateou com os pés descalços o chão da cidade mineira, descascou laranjas sentada no chão e comeu cada uma sentido aquele gosto único, pintou as unhas com as cores do café, furou as orelhas virgens de sessenta anos e as enfeitou com brincos. Partiu bonita e livre, como uma criança (re)descobrindo as suas origens.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Eu tenho medo... porque meus olhos ficam tão transparentes perto dos teus.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Tem coisas que só um olhar pode expressar... e mesmo assim eles podem ter milhares de labirintos.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

tum-tum, tum-tum...

De repente... o sentimento fica tão forte que transcende a pele, ultrapassa os poros e bate em você.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

sobre as férias.

Enfrento os dias com os olhos descobertos, as palavras mudas e esquecidas... Sem garras, na ponta do nariz da memória, no que pode se transformar em forte, porque ainda é tão fraco. Fraco em não agir com indiferença à todo esse turbilhão que a estrada carrega.
Eu estou aqui com o coração nas mãos. E caminhando sem forças, só para onde o vento me leva... Eu não tenho forças para enfrentar o poder que essas memórias tem sobre o meu corpo, sobre a minha mente, sobre a minha paz...

sexta-feira, 2 de julho de 2010

(autor desconhecido)

"A plenitude tornou-se dolorosa e pesada e Joana era uma nuvem prestes a chover. "

Eu agarrei cada palavra que poderia gritar pela minha boca. Eu amarrei minha garganta porque eu não tinha direito de ferir ninguém, de querer nada por ninguém. Eu só tinha direito de ficar calada no meu canto sofrendo cada pedacinho do amargo gosto da derrota que é ver o amor escorrendo pelo ralo. Não se pode sentir pelos outros. Não se pode prender ninguém. Eu dei a liberdade de alguém fazer meu coração escorrer. Eu sempre me calei e amarrei as palavras fundo na garganta pra nunca invadir ninguém. Eu prendi elas e elas comeram todos os pedacinhos do meu fígado. Elas correram pelas minhas veias, elas me cutucuram por noites e dias. Eu sofri calada para não invadir ninguém. E deixei isso tudo invadir cada centímetro do meu corpo. E em troca, recebi egoísmo.
Acredito mais nelas, que sentem o ruído da vida pelo ventre, dizem pelos olhos e pela pele, mudos e repletos, - e por fim, desaguam com o mesmo poder de se manter de pé.

quarta-feira, 30 de junho de 2010

mães e suas redomas de vidro.

Eu nunca vi os olhos da morte. Ela me parece mais com alguém que vai comprar cigarros e nunca volta pra casa. Ela não tem gosto, cheiro ou tato.

O dia estranhou logo de manhã e assim continuará. O tempo corre lento no meu relógio, enquanto o mundo vive aos tropeços. Até que a escuridão cubra o dia... enfim, alguma coisa finita... ou não.

sábado, 26 de junho de 2010

Passei a tarde, noite e manhã inteiras tentando me livrar da sujeira que estava impregnada neles. Porque as coisas fluem e se espalham pelo ar... e daí fica assim: eu respirando a agonia toda. Felizmente os acasos surgem e me trazem um pouco de luz. Mas ainda há resquícios que que precisam de tempo pra sair do corpo.

domingo, 20 de junho de 2010

Perto do coração selvagem.

- O que vai acontecer comigo?
- Não sei - respondeu ele depois de um curto silêncio - talvez você seja feliz alguma vez, não compreendo, de uma felicidade que poucas pessoas invejarão. Nem sei se poderia chamar de felicidade. Talvez você não encontre mais ninguém que sinta como você, como...

C.L.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Me encontro, me perco, me reencontro, me perco... tudo isso em um movimento constante. O mundo me parece tão sujo e eu só consigo me encontrar quando estou alheia a tudo.

O que eu quero é esse tempo oco.
Não importa o que se possa perder por entrar tão fundo nisso.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

No exato momento em que você para e repara, algo muda. Não no que você sente, mas no que começa a enxergar.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Nossos ideais vão moldando o mundo. E vão nos moldando também....
E daí eles se perdem... E nada é mais assustador e incrível do que perdê-los.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

vasculhei o meu coração e só encontrei o abismo. e nada me deu mais medo...

na ponta do abismo.

A ponta é o final mas é o único ponto que pode te levar para o início.
Cada vivência é quase uma vida inteira, uma diferente da outra... E duram o preço de uma eternidade... Mas quando resolvem latejar... são todas a mesma.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Eu tenho as lembranças mais bonitas de alguém que existiu somente por um tempo. Me parece alguém que vive de existências. É mais fácil fugir dessa forma quando não se quer ter coragem. Esconde-se tanto da vida que não é mais possível encontrá-la e talvez ela tenha se tornado muito ruim mesmo com as fugas todas para querer voltar a ser.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

não se enxerga nada pela superfície.

Esfreguei a pele bem forte para me libertar de toda aquela sujeira. Rasgando os poros e tentando me libertar de algo que eu não sabia ao certo de onde veio. De nada adiantou, aquilo estava solto no ar e de lá alcançava a minha superfície. Agradeci porque só até ali chegaria. Nada conseguiria ferir o que de fundo havia em mim - é lá que se encontra o que há de puro e verdadeiro. Embora haja quem só conheça superfícies.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

na velocidade da queda...

Eu prezo pela desconstrução.
Mesmo brigando com os sedimentos tão agarrados à minha pele.

sábado, 24 de abril de 2010

psiu. (2)

Eu não tenho saudades de você. Eu tenho saudades daquela certeza verdadeira que brotava dos meus olhos.

psiu.

amar causa danos irre(paráveis).

domingo, 18 de abril de 2010

Não dizer pode ser ruim também. Você acaba vivendo a superfície.

domingo, 11 de abril de 2010

O que há de mais raro e mais bonito é se manter verdadeiro.
Nada é maior que isso.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

O melhor é não criar ideais... ou passamos a vida inteira lutando contra eles.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

incógnita.

Eu queria contar uma coisa aqui, mas é segredo.
(até pra mim)

terça-feira, 30 de março de 2010

(Cabe-nos a coragem de enfrentar a aventura do eterno)

segunda-feira, 29 de março de 2010

Meu coração inflado.

É um conforto ter um lar e não uma morada na segunda casa. Ir é sempre ganhar e perder. E às vezes a gente ganha muito mais do que perde. Meus lares nômades me completam.
Chove na saída, na chegada e na minha estadia na segunda casa. Tudo escorre pela estrada... e pela gente também? E parece que é isso sempre. O céu não é mais que um reflexo. Como o pensamento consegue também carregar os acasos pra perto.

domingo, 28 de março de 2010

Há quem consiga desmanchar paredes com um olhar. E só com um toque apaziguar as rachaduras que insistem tanto em lutar entre si. E enfim, fazer do tempo um estado palpável (pela pele ou coração).

segunda-feira, 22 de março de 2010

de quem é o poço?

Cama macia pra dormir, ração pra comer, chuveiro pra aquecer, livro pra ler, tv pra entreter, computador pra virtualviver. E ele sem teto e sem chão. O estômago que range uma fome só - sem olhos pra desejar.