domingo, 14 de outubro de 2007

convenções;

O tempo me consome,
enquanto ele diz ser apenas uma convenção
se for, quem sou eu então,
procurando o equilibrio, e perdendo-o,
a cada instante, que seria o mais preciso,
o que mais preciso;

enquanto ele tenta me puxar,
só me vejo afundar mais;
e isso tudo por não saber ser mais que
silêncio e doce;
doce-azedo à ponto de estragar;
que se entrega em versos,
que eu não aguento mais!
fui eu que fiz disso
uma convenção,
minha linha e ação;
procuro um salvador,
que não existe.
o salvador não é o tempo, não é o outro,
quem salva está mais perto,
está diante,
é o reflexo e o mesmo;
mas ainda não consigo
encontrar o ponto de quebra,
só encontro o ínicio do sentido,
e necessidade da volta,

quando te vejo de lado,
à ponto de estar de costas e andar,
sem o tempo, sem mim,
à seguir o que te faz acreditar,
ou talvez, o que te faz apenas seguir,

e que eu não consegui;
vencido o cansaço,
isso me persegue nos meus sonhos.
aquela história do traga um sonho bom pra mim,
deixe para lá,
eu quero mesmo, é
não precisar dele.
as revoluções, é que me fazem andar.

terça-feira, 25 de setembro de 2007

Relógio sem ponteiros;

Coerência para a minha mente significa tempo. Ela não funciona de forma lógica e exata. Funciona somente com o auxílio deste para organizá-la e sintetizar tudo o que se passa. As sínteses demoram, mas arrebatam... ou iluminam... de repente.
Vivo do tempo. Do tempo certo, de quando aconteço, do meu "instante-já". Relógio sem ponteiros. Não funciona quando me pedem, mas quando "aconteço". Com a lógica própria de não seguir uma lógica. Preciso do bem que não me peça tempo... mas para acontecer. E doce, de que precisa?

Eram tantos olhares, tantas expressões marcantes, que a vontade era arrancar-lhe os olhos. E como se arranca a sensação? Como se volta no tempo, como retornar o que se perdeu e o que não poderia se perder? Como se despedir, sem arrancar-lhe parte de si? Como domar o coração e o olhar, se eles tem vida própria dentro de mim.

...Corre coração, discorre, inebria.

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

Dez passos;

Dez passos para ser alguém feliz.
Moldes em cinco segundos, quarenta páginas, um título triunfante. As ocasionais mudanças de humor, as ocasionais vontades de fuga são mera ilusão. Segundo os passos, sorrir é o melhor remédio. Mais uma das ferramentas, humanas. Dez passos para ser alguém que você, definitivamente não é. Lembrarei de correr da próxima vez.

terça-feira, 19 de junho de 2007

Por causa disto também.

Sentada, mais uma vez, na minha pausa e descanso na metade do dia, tentando me ambientar. De repente, surge na mesa, a primeira pauta, a minha e a deles, de certa forma. Mais uma teoria sobre o fim do mundo, desta vez, o mundo acabaria no ano de 2060. E mais uma vez, estou sentada na mesa para ser espectadora de mais uma daquelas conversas que começam sem destino e terminam sempre sem sentido.
Eles tratam a idéia de o mundo acabar como algo natural. Fazem o balanço do que precisariam para terminar a vida feliz. Começam a divagar sobre casas, carros, eletrodomésticos. E não seria qualquer um, queriam o melhor.
Pelo menos, nessas profeciais, nem eles acreditam. Mas então, começa aquele assunto, tema de tantas discussões, o aquecimento global. "Mas se ficar mais quente isso, eu nem quero viver até lá".
Até lá, ela vai vivendo, gastando, comprando, poluindo, colaborando com os processos de poluição, consequentemente com o aumento da emissão dos gases que provocam o efeito estufa, sem ter a mínima consciência da existência destes, e afinal ela não entenderia. E claro, continuaria a ser um daqueles agentes humanos, os principais agentes para acelerar o processo.

O mundo vai ser de certa forma inerente ao processo. Destruído, ele se constrói, após fases de aquecimento e de gelo. Ele já nos provou isso. Pobre aqueles, que ainda colocam no mundo as consequências de suas ações e não conseguem ver que no final, os prejudicados são eles mesmos.

No final, divagam sobre as novas descobertas no espaço e sobre os planos do homem conquistar outro planeta como Marte. E porque não mudar para lá?
Penso na lógica. Um lugar novo, recursos novos, e lá vai ele continuando no mesmo processo acumulativo. Acumular cada vez mais riquezas.

O homem muda de lugar, mas não de consciência.

E assim, o mundo vai. Até quando, não sei.

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2007

Sobre as trilhas.

Hoje não aconteceu o encontro dos corpos.
A linha resolveu encontrar o infinito.
Tua voz muda.
Você, mudou-se.
Mas desta vez não era uma daquelas mudanças que ocorrem com o decorrer dos dias.
Era uma daquelas que acontecem no decorrer das vidas mesmo.
Depois de tantas trilhas, o trem pára.
Fica somente aquele gosto de saudade e um pedaço a menos em mim.
Cada estação tem seu próprio tempo.
O que importa fica dentro daqueles vagões.
E eles seguem.

Rumo incerto, tempo certo.

terça-feira, 23 de janeiro de 2007

nulo.

Atravessa a rua,
Une os dois lados da ponte,
Prende mais os laços,

..sem nem mesmo estar ali.

E por onde anda?
Essa fica sem resposta.


Prende-se, enrosca-se e perde-se nos laços.

e se ...


segunda-feira, 8 de janeiro de 2007

viagem ao centro da terra-corpo-coração.

Líquido que escorre pelas veias,
terminadas com emendas de laços,
As cicatrizes das emendas se vão
(ficam os laços)

E os líquidos... já escorreram para fora das veias,
estão espalhados por todo o caminho
Escorrem um pouco pela curva
Seguem em frente pela rua escura
Luzes desfocadas, ventos cortantes,
É como uma viagem pela terra,
ou uma volta sob si.

quinta-feira, 14 de dezembro de 2006

(elo)

Se encontraram em uma rua estreita. Tentaram evitar o encontro dos olhos mas ... a rua era muito pequena, entre a calçada e um tropeço, entre um aceno e um nome comum mencionado. Suas idéias, confiadas somente à si mesmos, sem saber eram a mesma: fugir. Um adeus já feito, que somente não foi formalizado.

um laço quebrado; o laço que em mim se forma; que também em mim acaba; enxergam palavras; mas perderam o contexto; seus corpos se encontram mas suas almas não se vêem mais;

quarta-feira, 13 de dezembro de 2006

Esvazio.

Você nunca vai entender, meu amor, o que é lutar em uma guerra onde armas são palavras. Elas disputam entre si um sentido que não as pertence. E quando os adversários trazem o campo de batalha para dentro de mim, machuca. Os sentidos são inerentes à mim. Eles encontram uma porta que nem eu sei onde está, e entram. É como um corte na pele. E minha fuga é sempre pelas palavras. Com seus sentidos múltiplos e nulos. Mas sabe... novos cortes aparecem. E eles não cicatrizam nunca, só se multiplicam. Minha calculadora perdeu uma das operações mais importantes. Ou ela se inverteu. E eu espero enfim, que ela encontre, e minimize novamente o meu caos.
Minha válvula de escape, meu martírio.


quinta-feira, 23 de novembro de 2006

sobre saudades.


Às vezes dá vontade de ter um pó de pirlimpimpim. Ou qualquer dessas coisas mágicas, que podem nos levar à qualquer lugar ou trazer qualquer alguém que quisermos à 'este lugar'. Mas a vida aqui tem uma magia diferente daquela do sítio do tal pássaro do pózinho. Essa magia, que não permite que algumas relações acabem, mesmo à distância. Alguns 'sentidos' que a distância não apaga. E que seja assim, por favor. Pois a minha vida não se completa só de mim.

da minha maneira.


Tenho como propriedade certa barreira. Que às vezes se torna instransponível... mesmo sendo transparente. Preciso dela pra ver, mas ela também gosta de inibir meus gritos, "necessários". Preciso gritar ao mundo o que vejo, porque já sufoca demais em mim. Meu combustível se torna palavras, sendo silêncio o combustível primeiro. Queria jogar cores em telas vazias. Penso que a expressão seria mais verdadeira ... os sentidos não cabem em palavras. Talvez os sentidos se percam quando saiam do nosso corpo, eles nos pertencem. Fora de nós, perdem todo o contexto ... ou talvez encontrem outro lar.
Eu que fujo tanto da contradição. Me persegues?

terça-feira, 7 de novembro de 2006

never is a promise.


Transfere para o piano os toques de angústia que marcaram os pálidos dias de setembro em sua infância. Da mesma forma que suas entranhas foram violadas, ela viola todos os limites sonoros. Lhes exprime, retira deles o possível e o impossível. A vida nesta sociedade é uma eterna volta ao lar, mas para lá ela resolveu não voltar mais. Em seu rosto parece que sempre permanecerá certa inocência infantil. Mas os seus sonhos e aspirações se foram juntamente aos gritos de desespero, que nunca silenciam. Eles continuam escondidos em cada nota. As palmas ao fim de cada apresentação são para vocês, meros fantoches de um palco de ilusões.
Can't you see?
never is a promise ...

terça-feira, 24 de outubro de 2006

o espelho da carne


Acordou e entregou sua imagem ao espelho. A partir de agora você só vai ficar aí. Eu sou agora só a reflexão dessas auras doentes. Me entrego à ti, pelo reconhecimento destas. Onde a loucura é presente desde que vieram à este mundo. Não a sua própria loucura, mas a loucura imposta pela sociedade. Ah! Aquele desespero sutil revelado ao meu olhar. O mais desesperador não era aquela dor, e sim a presença dela durante toda a existência destes. O poder de escolha era nulo, a doença não nasce em si, mas no outro. E agora você consegue perceber onde está o doente? (Sim, está dentro de mim). A degradação só existe no meu olhar. Mas o meu olhar é multiplicado, e o deles só consegue ser um. E mesmo com a morte, sempre será um. Somente um conseguirá ver a essência. Enquanto isto não mudar, o desespero vai nascer e refletir dos teus olhos, como uma marca imposta na pele. E a sua degradação começa quando você percebe que é quem lhes retira as chances de uma vida normal.
Apesar de o mundo moderno ser o doente, a doença só te corrói quando você vê através dela.

quinta-feira, 19 de outubro de 2006

teus olhos entregues


Cansados, em meio ao tumulto, eles decidiram se sentar. Ela como sempre não párava de falar. Continuava com as histórias divertidas, onde se perdia sozinha em um riso. E ele observava enquanto as palavras saíam da boca dela sem pausa. O mundo estava fora de foco, eles eram os únicos personagens naquele palco. E ele só conseguia pensar em tocá-la, mas tinha medo de uma reação inversa. O amor estava entregue em seu olhar. Ahhhh! Se ela soubesse... Estava tão absorta em si mesma que não conseguia perceber. Ele poderia gritar EU TE AMO, mas o pavor de acabar com aquele momento era tão grande. Era melhor guardar o sentimento à sete chaves dentro de si. Preferiu escolher a companhia dela.
"Mas o amor sabe um segredo
O medo pode matar o seu coração"

segunda-feira, 16 de outubro de 2006

(quebra)

Caminhos distintos, em corpo se tornam um só
Pessoa dizia ter todos os sonhos do mundo
Também quero poder ter
E não viver de uma escolha
Quero explorar todos os caminhos
Ser múltiplo dentro de um
Do futuro ninguém sabe
Quero viver de planos
e surpresas boas.

Eu sou a contradição?
Diante do mundo moderno, um ser não definido.
Sociedade, etiqueta, classifica e organiza.




quinta-feira, 3 de agosto de 2006

tempestades



Saudade de ter pra quem correr quando a tempestade começa. De não passar o tempo sentindo nada. de ter os dias corridos, ocupadíssimos, com mil funções, que apesar do cansaço enorme que causam, no final do dia te fazem deitar a cabeça no travesseiro e pensar "valeu a pena". Acorda no outro dia, correndo ainda e parte com uma satisfação e objetivos concretos.
As paredes manchadas, marcadas pelas diversas mudanças que a casa suportou, parecem mais solitárias que nunca. de repente a casa se tornou gigantesca e vazia.
Eu nunca fui tão paciente quanto nos últimos meses. Você acaba aprendendo que ela é necessária para não perder algumas coisas importantes. Mas nas últimas semanas não sei porque, muitas vezes ela resolveu sumir, me abandonar. De certa forma eu mesma tenho deixado ela ir sem algum esforço.
tudo mudou e eu não vi. Eu estava de fora, longe, mas dessa vez sem observar. Eu somente estava ali parada, estática, sem reação.
E quando eu ajudei os outros a reconstruir suas barreiras quebradas, a minha fortaleza caiu, se perdeu em meio a eles.
E o pior de tudo é pensar tudo isso, e não saber se é isso mesmo.

saudade de ter pra quem correr quando a minha tempestade começa.

terça-feira, 27 de junho de 2006

(querer)

inverno, pelas cortinas atravessa um vento cortante
dia escuro, pela janela brilho não se vê
mas ainda, não é isso que falta
neste dia primeiro de julho
não é a luz do sol,
o que me ilumina
na verdade
é você,
abre o sorriso,
o resto a gente não vê.

sexta-feira, 19 de maio de 2006

Uma carta

À todas as esperanças atiradas ao vento. À carta nunca respondida e que talvez entregasse ao destino outro rumo. As imagens armazenadas na mente, de um olhar repleto de mágoa diante de um silêncio cortante à um sorriso meigo e sincero que talvez nunca existira, do brilho contido naquele olhar no convite para acompanhar de perto o luar. Talvez a janela de sua alma consiga ver além, mas no meio do caminho sempre se perde, desvia em uma curva e tenta de certa forma consertar as coisas, criando pontos inexistentes. Seu espelho interior é sempre maior, da forma em que os sentimentos e as mágoas refletem no sorriso, no brilho do dia, transformam as cenas em preto e branco, acaba com os sons na noite, dilaceram o que por ali estaria a existir. Um pintor que se perdeu nos traços fortes, em uma tela que não tem fim. Pela noite, caminha e procura um novo rumo, as cores perdidas, com os olhos vendados e um vazio que, enfim, pede para sair à procura de um novo poente.

sábado, 6 de maio de 2006

como um passo de dança.

ela tentava se levantar
e só caia novamente em vão.
procurava um sonho novo
começar novamente
em um céu mais limpo
onde não haja nuvens
para impedir o voar.
que a imaginação possa fluir
sem atrapalhar os sentidos.
que o tom dos dias
seja claro e breve
os segundos mais completos
e os sorrisos mais sinceros.
você pode começar com
um passo de dança
aprenda a flutuar sobre os pés
que te levam a lugar nenhum
e te completam
em alguns minutos.
palavras simples jogadas ao vento
alcançam os melhores ouvintes
abrem corações
renovam as paixões ..

sexta-feira, 28 de abril de 2006

a dois.

Despidos de uma compaixão sutil
caminharam envoltos de desejo
e no caminho há um porém;

será que não consegues ver o interior
dilacerado por palavras não ditas
vivenciadas no refúgio criado em minha mente

és caminho sem volta e passos em vão
profundos lampejos que não levam à luz
a mais dolorosa das sensações

há de afirmar que o silêncio fere menos
mas somente impede a cicatrização veloz
talvez encontre as respostas nas madrugadas hostis
mas por enquanto as curvas na estrada
me impedem de prosseguir

no fervor dos desejos haveria brilho
dentro de teus olhos e tão distantes dos mesmos
conseguira me tornar o reflexo dos teus desejos
não mais que isso
teus olhos não conseguem ver o corpo dilacerado por dentro
estais nú diante de sentimentos anteriores
viris, tuas vísceras dilaceram o que estaria para nascer
então a luz se a apaga, o brilho se perde,
em um mar de sensações vazias
me encontro adentro de um anonimato cruel
o único, generalizado por ti.

arranha, corta, grita e silencia.