sexta-feira, 25 de setembro de 2009

de peito aberto e pulmões rosados.

A vida acontece entre eu pulsando correndo ao lado da linha do trem na noite intensa de corpos ao vento, ao som da música, com a água toda nos invadindo, e eu sentada naquela varanda, sentindo o som do rio, aquele som tão forte, tão bonito, e as plantas todas ao redor, e eu tateando o aroma bonito que a natureza traz e invade aquela casa.
Minha alma fica imersa em chuva nessas noites amarelas e tardes azuis. Sinto os cabelos molhados, o cheiro da terra, a flor brotando no asfalto. E meu coração escorrendo, tentando passar pelos bueiros, meus pulmões cheios de flores, tantas e tantas flores. Eu quase posso ver as cores de tanto que sinto elas aqui dentro. Dessa imensidão meu corpo é apenas extensão. Se faz frio ou calor, é porque há um peito aberto, invadindo e pulsando na boca, nos olhos, quase pulando de mim, enfim.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

20 de setembro.

Dia 02 de novembro, aniversário da mulher que nasceu em dia de luto e é mais luz do que qualquer outra. Dia 09 de dezembro, aniversário da sagitariana que me acompanha todo dia. Dia 19 de julho, aniversário da menina que me traz saudades da companhia de todo dia. Dia 18 de janeiro, aniversário da pessoa que me fez seus olhos. Dia 13 de dezembro, aniversário da minha doce terceira pessoa. Dia 09 de novembro, aniversário do primo escorpiano mais peste do mundo. Dia 03 de dezembro, aniversário do primo sagitariano mais doce do mundo. Dia 12 de novembro, meu dia. Dia do menino que é minha continuação, sempre o ano a nos separar, as escolhas da vida a nos juntar. Dia do outro menino que atravessou quilômetros e me trouxe a graça da vida paulista novamente há anos que parecem tantos e são poucos. Dia 12 de dezembro. O dia da festa de aniversário junto com a irmã. O dia da praça com chuva e garganta engasgada, e as palavras que precisavam tanto de um caminho e se prenderam ao corpo e para onde foram, nunca mais foi mencionado. Dia 12, sempre dia 12, sempre ano ímpar. Dá até medo de quando chegar o ano de 2012. Dia 30 de novembro, noite de Pearl Jam. Dia 21 de abril, noite de Placebo.

Eu lembro de tantas datas. Só não me lembro desse dia. E ele me lembra dele todos os anos, apesar de se mudarem os estados, as cidades, as casas, apesar de uma nova cor na parede, de um novo piso, de uma nova ordem nos porta-retratos, de uma vida toda nova. Ele sempre caminha à passos lentos do jardim até a sala. Com uma flor entre os dedos para se dizer que tem saudade.

sábado, 19 de setembro de 2009

os corações percorrem a madrugada sob sangue quente.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Esqueceu a torneira aberta e submergiu, subexistiu, sumiu?
Chegou ao terceiro livro e a terra
já estava vazia e vaga.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

- Me dá um brinquedo novo?
- E do último, já não gosta mais?
- Cansei!
- Mas é o terceiro brinquedo em tão poucos meses!
- Mas eu preciso de um novo sempre, o penúltimo carrinho perdeu a roda, o último trem perdeu-se dos trilhos. Eu sou pequeno demais, não posso consertá-los.
- E o que você faz daí?
- Sonho com um brinquedo novo.
- E o que você vai fazer quando seu quarto estiver repleto de brinquedos quebrados?

domingo, 13 de setembro de 2009

Da carta iluminada e da flor cor de fogo.

"(...) Na vocação para a vida, está incluído o amor, inútil tentar disfarçar, amamos a vida. Lutamos por ela dentro e fora de nós mesmos. Principalmente fora, que é preciso um peito de ferro para enfrentar essa luta na qual entra não só o furor mas uma certa dose de cólera, furor e cólera. Não cortaremos os pulsos, ao contrário, costuraremos com linha dupla todas as feridas abertas. E tem muita ferida. (...) Sei que as borboletas andam raras, mas se sairmos de casa certos que vamos encontrar alguma... O importante é a intensidade de empenho nessa busca. (...) Quando a vocação para a vida começa a empalidecer e também nós, os delicados, os esvaídos. Aceitar o desafio da arte. Da loucura. Romper com a falsa harmonia, com o falso equílibrio e assim, depois da morte - ainda intensos - seremos um fantasminha claro de amor. (...)"

A Disciplina do Amor, Lygia Fagundes Telles

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

a água não passava pelo ralo, meu coração também não.

domingo, 23 de agosto de 2009

móveis velados como filho, bate no peito a criança que ainda se alegra com a boneca que nunca teve.

sábado, 22 de agosto de 2009

coração no avesso.

e eu nessa cama confortável e mesquinha!
longe da alma quente das ruas.

e eu nessa cama confortável e mesquinha!
e o que fizemos pra nós além dessa selva de concreto?

e como é ela é seca e mesquinha, e mórbida,
do jeito que a gente come o mórbido como vermes,
rastejam e rastejam.

e apodrecem de tão podres que eram.
de tão podres que são
e de tão podres que sonham em ser.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

meus olhos pulsantes sobre o manto verde.

O coração pulsando tão forte que quase é possível senti-lo pela boca, pelas artérias, pelas veias, percorrendo o corpo todo, nesse mistura de proximidade e distância. Ah, o sol amanheceu tão forte hoje que é quase como se o céu de lá avançasse por aqui... como avançam os suspiros, os sorrisos e o abraço quente. Parece até que respiro o ar puro daquele manto verde que avança sobre o quarto infinito, sobre a alma infinita, sobre o menino infinito... naquele tom pulsante de vida que brota dos olhos dele, no sorriso de descoberta, nessas coisas todas, simples, bonitas e infinitas que os dias carregam com ele.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

minha doce terceira pessoa.

E a última vez que eu fui lá, que é há pouco tempo, mas sempre pra mim parece longe, porque sempre quero passar com ela mais e mais tempo, e então, a última vez que fui lá, estavam construindo um prédio torto e feio na frente da varanda dela. E ela me dizendo que só não queria janelas daquele lado do prédio, porque a última coisa que ela queria era alguém a espiá-la pela janela. E eu fiquei só pensando que a minha tristeza ia ser ficar sem o horizonte daquela varanda, de onde eu percebi pela primeira vez que eu precisava usar óculos, com a gente sentada na mureta da varanda tentando ler as fachadas das casas lá em cima do morro...
E eu era pequena, e podia querer brincar, ou estar correndo pela casa, mas a minha felicidade era mesmo que às nove horas da noite eu estaria lá sentada nas cadeiras de ferro antigas ao lado dela, conversando sobre alguma coisa e olhando o horizonte da cidade que é minha e não é.
E eu sempre tenho muito medo de escrever sobre ela, e já me vem uma vontade louca de chorar, porque ah, a última vez que escrevi sobre alguém como ela, a pessoa se foi depois de poucos meses... e se acontecer isso com ela ah, aquela cidade que é minha e não é, não vai fazer sentido algum. Vai ser buraco fundo e vazio, e andar lento pela cidade não vai ter mais graça nenhuma... Entrar naquela casa seria um bege vazio.
Ah o barulho daquele pequeno portão, que passa tanta gente e todo mundo deixa aberto, e agora ela fecha porque de uns anos pra cá ficou perigoso, e olha como o mundo anda rápido... agora é perigoso e ela tem alarme pela casa e eu fico sempre reparando nisso quando vou lá e pensando como o tempo anda. E eu sempre quero ver o rosto dela primeiro que tudo, pra ver como o tempo passou, pra me reconhecer nele... pra lembrar de uma das certezas da minha vida.
Ah a doce loucura, a doce loucura, e o cuidado e a preocupação, de um jeito tão dela! Tão dela!
Ela não gosta muito de falar ao mesmo tempo que fala, e ela me liga às vezes só pra me contar de algo que ela leu no jornal e pode ser pra mim. E os jornais, ah! Da última vez que eu fui também descobri que ela guarda os meus jornais dobradinhos, com um elástico, tão bonito do jeito dela! E nem sei se ela leu, esqueci de perguntar, mas abrir a gaveta e ver os jornais assim dobrados, em um monte pequeno, foi tão bonito...
Me vem um choro tão engasgado quando eu penso nela... A minha felicidade foi voltar para a antiga cidade a agora ficar tão perto dela, e pode fugir de vez em quando pra lá, não mais como antes, que era a cada ano e depois a cada dois anos, agora eu posso fugir pra lá quando quiser... mas ao mesmo tempo cada vez que eu vou parece que eu tenho menos tempo, e mais saudade, e que preciso aproveitar mais e mais a voz doce dela. E eu sempre vou embora pensando que preciso voltar lá e sentar naquela mesa e conversar sobre qualquer coisa e sorrir só de olhar ela contando sobre tudo...

terça-feira, 18 de agosto de 2009

ah, tanto alma de menino.

E eu fiquei aqui, com o amigo mandando sair do computador porque ele que estava usando esse, e porque ele queria usar porque já era intervalo, e eu só querendo continuar a ler, só mais alguns parágrafos daquele texto dele, me deixa por favor. Ele me deixa e eu fico lendo e me sentindo dentro da alma dele de menino, e dentro dos olhos dele, e sentindo aquela dor com ele. E eu fiquei realmente triste de não poder dar-lhe um abraço agora, porque mais do que tudo, queria dar um abraço nele agora. E era tão simples e tão fácil, e agora é longe. E agora eu sento em outro computador, porque não tá sobrando nenhum nesse laboratório hoje, e já vem outro amigo me mandar sair e ah eu fico aqui lacrimejante, só pensando que eu não vou conseguir não soltar a primeira lágrima, e alguém vai comentar alguma coisa quando a lágrima se soltar, e isso tudo poderia ser escrito só em uma palavra: saudade.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

inexplicáveis...

E parece que todos foram envolvidos no manto quente... e os reflexos ficaram dias além. Talvez a leveza da alma feliz e simples tenha alcançado a todos. Talvez todos pulsamos juntos e agora, nos falta uma parte.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

caminhando sobre os teus olhos;

a primeira música tem o sabor largo do teu riso...
a outra tem o cheiro do teu corpo...
e tantas mais tem o tato doce da tua voz sobre os meus ouvidos atentos...

eu te olhava e tu sorria um sorriso bonito, de covas largas, na nossa noite sob o quarto infinito... e a palavra simples nunca me pareceu tão singular e tão certa. simples como é sentir e viver em ti e tu viver em mim... e o meu coração pulsando no teu suspiro.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Coração quente, e um vazio, e um vazio...
Vou tentar lembrar da frase o tempo todo para a calmaria voltar e me confortar desse vazio...
"Há silêncio agora e há frio e há olhos molhados. Mas não dor. Muito pelo contrário: saudade pura e bonita..."

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

do que ela me sente.

Clarice calou-me como sempre:

"Sou composta por urgências: minhas alegrias são intensas; minhas tristezas, absolutas. Me entupo de ausências, me esvazio de excessos. Eu não caibo no estreito, eu só vivo nos extremos."

alma de menino.

Meu corpo balançava junto com o ônibus naquela leve náusea. O dia já tinha tom de despedida, parecia que a chuva acompanhava minha chegada e partida...
Eu queria ouvir ele tantas vezes ainda, para decorar bem aquela voz e me lembrar nitidamente dela quando tivesse saudade. Eu me agarrava no tempo e ele fugia por entre meus dedos...

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Se alguém me pedisse para descrevê-la eu diria com um olhar, que ela faz tudo com um cuidado e uma atenção que faz qualquer um ter inveja. E as coisas saem bonitas simples assim. Enquanto a gente passa horas tentando fazer algo, ela toca no pincel e dali parece sair mágica.
E esse sol batendo forte em mim. E as coisas todas me iluminando, e isso tudo, iluminando elas.
E essa luz toda de onde vem?
Não tem explicação...