sábado, 15 de novembro de 2008

é meio triste esse teu jeito de retornar as tempestades.
como se essa indiferença toda não contasse...
se sou parede, elas tem certas rachaduras, e você se esquiva pelos espaços...

Você não sabe como doeu fechar aquela porta.

domingo, 9 de novembro de 2008

As pessoas pensando sempre que os problemas estão nos lugares e não nelas mesmas.
Passar a vida inteira se mudando achando que isso é que vai resolver alguma coisa.

sábado, 8 de novembro de 2008

Acho que no dia que morrer, vou me misturar ao ar.
Ou vou cair na água mesmo com o vento todo batendo naquela cena de final, com alguém me segurando em um pote bem perto da ponta e me jogando, e eu virando todo vento e toda água, porque de alguma forma, uma hora, vamos virar uma coisa só.
Ou quando o sangue jorrar até o limite dentro do corpo, quando estiver assim meio explodindo pra fora, quando o limite transpassar o meu corpo todo, e eu já não caber aqui. Os olhos arregalados, e um suspiro.
Queria conseguir definir o significado de 'tocar', mas é uma coisa tão imensa. Que não sei a nossa visão não diz mesmo nada, afinal tudo tá além do limite visível das coisas. Como elas se aproximam muito antes de se tocarem. E quando a gente meio se bate, no meio dessa dureza toda, e o barulho dos corpos se encontrando é bem mais vivo que muita coisa. A gente vai se encontrando, e se juntando, e cada vez mais perto que no final viramos um monte de coisas flutuantes.
Flutuar, ser um pouco do ar, não sei. Essa transparência cheia.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

meia luz, meio vento...

às vezes a gente não cabe, às vezes a gente não cabe na gente...
meio um coração batendo calmo e forte.

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

corpo espaçado, mente flutuante...

Eu sento e me desfaço em pedaços, cada parte do corpo é um lado...

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

como o caio diz tudo às vezes...

"Quando eu escrevo eu consigo ordenar tudo aquilo que eu penso. Agora, quando eu falo ou quando eu sou, simplesmente não consigo ordenar nada. Eu sou da maneira mais caótica possível."

pérolas do cotidiano


Pérolas que alimentam os meus dias e tornam eles cada vez mais bizarros:

Manhã:
Enquanto inicio meu dia organizando os livros e o seu Benedito inicia o seu como sempre em leituras em voz alta na livraria. Passo ao lado e não posso me conter à pergunta ao ouvir um trecho um tanto estranho de um livro:
- Que é isso?
- Você sabe falar caipira, Tatiana?
- Ih... Acho que nem sei.
- Eu sei. Quer ver?
- "Eu vô fazê farinha".

Tarde:
Senhora enquanto aguarda a impressão do boleto:
- Tá de quantos meses?
- (risos) eu não estou grávida...
E segue-se milhares de desculpas e uma senhora quase morta de vergonha.

Fim de tarde:
Caminho rapidamente até o ponto de ônibus, quando observo um menino de 6/7 anos dançando enquanto caminha com a mãe. De repente ele me olha e solta:
- Você sabe dançar psy?
- Não sei. Você vai me ensinar?
E começa a dançar na rua.

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

sensações-impressões estranhas.

não queria me tornar aos olhos de alguém só a coisa dura.
mas a outra parte, a parte inteira depende de sensações, fortes, de turbilhões, puros...

tô quase falando feliz 21 anos antecipado, é tanta coisa para um ano, os dias foram meio multiplicados.

depois de passar tudo, será que vem o que agora?

acho que é a hora de fugir um pouco do lado de cá.

terça-feira, 28 de outubro de 2008

ímpar;

praça, flor meio exótica e de cor forte, aquele som longe de praça de correria e risos, aquele ar cheio, sentar na grama e desfiar as linhas trançadas na nossa mente nos últimos dias, coisas que fazem todo o sentido no domingo.

essa paz que o paraíso sorocabano me traz.

domingo, 26 de outubro de 2008

duas doses de febre;

Acordei com tanta febre hoje, que minha cabeça fervilha e parece explodir a tudo. Parece que nas palavras novamente não cabe o mundo inteiro que eu teria pra falar... Mas custa só dizer que eu não quero isso. Que eu quero ver tudo explodindo em mim e tudo parecendo leve. Que eu vivo disso ao contrário de abraçar vazios, cheios inteiros em você e vazios em mim.
Fiquei afim de vomitar o mundo mesmo e catar os cacos que formam o que é doce. Doce é o tanto quebrado e um tanto também inteiro de ar, e não de sufoco. Sufoco é pedir pra engolir essa merda toda que te faz rir e me fazem vomitar. Coisa bonita e colorida que pra mim é mais que transparente, e nem transparente poderia ser, porque transparência diz muito pra mim. É sem cor. É uma cor disfarçada da qual se alimentam aqueles que acham que sorriem inteiro. Ou sorriem inteiro mesmo, só quero muito longe de mim.
Me dá denovo uma chance de correr por aí. Preciso descobrir o que há fora da janela desse trem que por uns minutos-dias resolveu parar denovo.
Parece que as palavras regrediram, mas insisto em andar. Mesmo que me perca um pouco. Só não dá pra ficar nesse lugar branco por tanto tempo, daqui a pouco ele me engole.

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

sentido;

Eu tentei explicar como preciso das coisas explodindo muito às vezes e que calmaria só não cabe mais em mim há algum tempo. E que aquele "liberta" libertou um mundo todo dentro de mim, que pede pra gritar às vezes, e eu deixo. Não cabe ainda te explicar todas essas coisas que passaram, mas eu queria tentar, pra não ser nenhuma vez só um machucado. Temo que as minhas vontades tenham tomado conta um pouco da minha consciência.
E eu escolhi viver, antes de querer renunciar a qualquer coisa. Uma parte do que me incomodava fugiu denovo. E as coisas fluem leves. Posso até descer denovo as ladeiras e acompanhar as luzes dançarem na minha visão falha.

Elemento estranho esse que de certo é água e tem às vezes tudo próximo diluído, como corpo e o resto como coisa só e se move pelo vento.

Eu caminho nessa linha torta de olhos fechados e vivos.

sábado, 4 de outubro de 2008

mesmo que não seja mais dor.

"...sabe que o meu gostar por você chegou a ser amor pois se eu me comovia vendo você pois se eu acordava no meio da noite só pra ver você dormindo meu Deus como você me doía de vez em quando eu vou ficar esperando você numa tarde cinzenta de inverno bem no meio duma praça então os meus braços não vão ser suficientes pra abraçar você e a minha voz vai querer dizer tanta mas tanta coisa que eu vou ficar calada um tempo enorme só olhando você sem dizer nada só olhando e pensando meu Deus como você me dói de vez em quando".

Ah, Caio F., você diz tudo às vezes.

domingo, 28 de setembro de 2008

incógnitas rodeiam...

Ainda tento entender o que significa.

Mas a frase "João nunca comeu na vida, mas a vida comeu João" não sai da minha mente há dias...

Tenho uma vontade imensa de escrevê-la em um muro extenso, com garranchos grandes e tinta preta, quase um giz forte com o qual você pode riscar rapidamente.

Eu queria muito dizer isso para o mundo todo, mas embora queira, enquanto não entendo a coisa toda, fica para mim. Quero muito te dizer como ela é imensa. Mas parece que você já entenderia só de vê-la amarelando todo aquele muro.

faltará sempre a sinceridade?

Hoje eu vi, e como doeu.

Vocês desistiram da outra parte do mundo e nela quase cabe o mundo todo.

Eu preciso ver um pouco das flores lá fora.

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Sensação estranha.

Que vontade de reviver sentir algo como e ao mesmo tempo não querer reviver.
Olho pra você e tento arrancar alguma coisa, que nem mais eu sei. Afinal, o que teria mais ali?
Esqueci que até a distância passou.
Esqueci que tudo passou.

Esqueci que afinal aqui estou. E que vou ter que segurar as pontas nos pés, agora.

Ode ao novo tempo, e estou com medo da minha mente.

domingo, 14 de setembro de 2008

sobre dias que revigoram minha alma;

Um corpo tão quebrado e tão vivo.
Correria ainda milhares de vez embaixo de chuva.

doses de consciência;

Rostos bonitos quebram. Te diria isso afinal, se conseguisse dizer qualquer coisa.

domingo, 7 de setembro de 2008

Gritos mudos

Eu sempre quis entender se algumas coisas eram passageiras ou se eram minhas constantes mesmo. Se fobias tem cura. Se há algo tocável mesmo nestes instantes de vazio puro. Se sou eu que me afasto dessas energias ou elas que são nulas. Eu tenho quase certeza que sou eu que me prendo em um branco, e tenho medo às vezes de ser caminho sem volta.
Queria muito saber a cura. Se existe cura.
Paredes geladas, coisas pesadas e mudas. Uma multidão e ninguém. Uma parede branca e sangue seco.

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

milhares de coisas escondidas nas coisas;

Todos os lugares têm um grito escondido.

leve.

É como se o mundo fosse sensível ao toque. É como se a gente tocasse sem chegar perto. É como se as coisas vibrassem em uma certa frequência única e oscilassem no ar. É como se fosse uma música de cores. É como se tivesse um som pra cada dia e como se o dia vibrasse na mesma sintonia. É como se as sintonias se cruzassem no ar.
é como se fosse um pouco mais de muita coisa.