quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

constatações...

Há meses atrás ele nunca me abraçaria e diria que sente saudades.
Eu era outra. Ele também?

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

agora eu posso dizer que acabou.

Foram trinta minutos de não existência, talvez muito mais que isso, antes e depois. Ainda é uma incógnita para mim se eu estava realmente falando, ouvindo, comemorando... nada me parecia real. O ritual de passagem só se completa quando a chuva finalmente leva embora aquele peso todo, tão colado e espesso ao nosso corpo, e enfim, quando o vento bate no rosto durante uma noite quente dizendo que realmente é tempo novo.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Eu sempre vou ver meu coração pulsando dentro dos teus olhos, e isso é tão bonito e intenso... Mas, pelo jeito, agora tenho sempre que amarrar esse sentimento na garganta. Não dá pra permanecer inteira na frente do seu olhar.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

eu sou um grande coração aberto pulsando - nada é mais verdadeiro que isso.

domingo, 14 de novembro de 2010

"Parece que uma corrente elétrica nos atingiu e agora ela passou..."

Ninguém te ensina o que fazer com a sujeira que fica embaixo da unha depois de dias de poeira.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

sobre a casa vazia.

Elas entram pela porta e sinto que nada mudou.
Mas, de repente, elas vão embora e vem uma sensação que eu fico digerindo por dias até perceber que é... vai ser sempre assim agora.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

às vezes eu queria ter uma explicação plausível, e só.

Fui rabiscando o chão com passos curtos, indo e voltando, e por horas talvez andando em círculos, e percebendo que não me deram todas as palavras do mundo para explicar as coisas. Faltou alguma coisa no meu vocabulário que nunca se completou o suficiente para que eu possa explicar as coisas que vêm mais lá do fundo. E de certa forma, percebi que ah, nem eu me compreendo às vezes por isso. Mas por algum milagre, algumas palavras vão caindo, passando pela minha garganta, encontrando o meu coração e lentamente vão mostrando algum sentido visível para o que se passa nele. E eu agradeço, enfim, por essas raridades.
Mas quando elas não surgem, eu fico costurando sentidos com todas as linguagens possíveis, de respiros, poesias, silêncios, humores, até que tudo isso forme alguma letra decifrável (pra mim, acima de tudo).

e tudo acontece tão rapidamente...

Demora um tempo, mas daí você percebe que algumas coisas acabaram pra sempre. E dá vontade de ter agarrado cada segundo dos momentos em que tudo existia daquela forma.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

É sol.

É sol, final de tarde, silêncio, espaço quase vazio, mas metade cheio aqui dentro - de amor, esperança, paciência e outros sentimentos bobos que a gente se enche em final de ano. É impossível estar indiferente ao turbilhão que esse ano está sendo - e quase já não é mais - e à incógnita que o próximo ano é. Tão assustador, como desafiador, como convidativo. E eu fico aqui inebriada pela força que cada dia que passa tem e pela proximidade de novos.

sábado, 2 de outubro de 2010

ah!

No meio desse mundo vasto e que muitas vezes parece vazio de coisas que realmente me toquem, surgem algumas pessoas caminhando como formigas no meio do concreto sujo e áspero, tão formidáveis e bonitas que conseguem, apenas com uma palavra, arrancar um suspiro.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Tudo fica tão marcado na pele. Meu coração tem pele fina e é por isso que eu toco as coisas com tanto cuidado.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

o que me prende na terra é o estômago.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

blue monday.

Meus amores são azuis. Turbulentos e calmos como o mar... imensos como só ele também... água como o elemento que corre pela minha pele, que aguça meus ouvidos, que é tão sinestésico, que faz meus olhos e ouvidos atentos. Eu guardo no tempo, pra sempre, alguns pedacinhos desses mares, dos instantes mais preciosos, que poderiam ser tão óbvios, mas eu funciono de alguma forma fluída e sem sentido aparente, então, são alguns pedaços únicos e que só fazem sentido pra mim. Eu poderia descrever o que é o amor pelo estímulo que certas coisas me causam... uma voz, selvagem e rouca e tão de menino enquanto gemia de prazer... um abraço em uma esquina amarelada, em que corpos eram vento e vento era só cor... um sorriso que lembrará pra sempre brilho eterno de uma mente sem lembranças... mais do que qualquer outra coisa é dessas lembranças que se alimenta o meu amor. Eu sei do meu amor quando me toca qualquer instante desse... sei do meu instante-já pela sensação que me causa. Eu amo, como numa tela impressionista, pela mistura das cores, embaçadas e fluídas, que se entrelaçam em harmonia diante do nosso olhar, que se juntam, de alguma forma não nítida, que impressiona e toca. Como o vermelho que sangra da floresta de Portinari. Eu sei que eu amo pela vibração da minha pele enquanto eu leio cada linha tua escrita à pele e coração, vestidas de um olhar dedicado à ver e reparar em alguém que o mundo esqueceu.

Meus amores são como a sensação calma que uma música pode provocar nessa noite silenciosa penetrando e saindo do meu corpo a cada instante...

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

é...

Depois de um desânimo carregado meses à fio, da minha desistência e entrega à melancolia, algo conseguiu perfurar as minhas entranhas secas e fazer o sangue circular quente novamente. É tanta vida aqui dentro circulando, que tudo se confunde e o tempo volta a tatear a minha pele, e sinto na boca do estômago e enfrento com os olhos úmidos esse nove de setembro.

Até que eu me deparo com você, de sobrancelhas baixas, boca um pouco aberta e o coração no olhar. E eu sei que é ali que mora o que eu preciso dizer.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

além do que se vê.

Todo mundo é um barato quando se vive na superfície e distante. A estrada me diz muito mais sobre os laços do que vivências passageiras. Não me importa conhecer o mundo e retornar a mesma.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Em meio a tantas tentativas de descrição, imagens cinematográficas e livros, eu aprendi mesmo o que é saudade nos olhos de papai.

domingo, 5 de setembro de 2010

E enfim, tudo volta lentamente a pulsar...

Eu nadei tanto e tanto, e mesmo com tanto cansaço, e ainda no meio do percurso, notei que algo florescia nos meus olhos, singelo e forte. E de repente, comecei a colocar cores no mundo, só pra agradar os meus olhos sedentos de vida e cheios de saudade.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

tempo.

Eu me lembro, eu tenho essa imagem na mente, eu lembro que há meses atrás eu era melhor. Eu não estava tão cansada, eu não tinha desistido de lutar por algumas coisas que eram tão importantes, eu não tinha esquecido como faz para contar à uma pessoa como você gosta dela, eu aproveitava tanto os meus dias de um jeito que eu não lembro mais, eu queria conquistar as ruas todas aos sábados e domingos, eu escrevia coisas sensíveis e tatéis aqui.

E agora tem essa nuvem embaçada na minha frente. E eu não lembro de nada, e não posso mais tentar lembrar, porque tem tanta coisa na frente dos meus olhos que eu preciso enxergar antes.

Eu só quero colocar os pés na areia e passar uma tarde inteira ouvindo o som infinito do mar...

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Espetáculo natural

São tantas explosões e flashes por segundo no céu
de passagem de ano que se tornou impossível vislumbrar a
Madrugada de Ano-Novo chegando, mansinho,
e aninhando-se no leito ainda quente do velho céu
embriagado.
Os estouros assustam os animais e as crianças pequenas,
que nunca viram guerra, senão de chocolate, nos sonhos.
E o mundo, que já viu tantas, acostumou-se com esse barulho tão semelhante ao das guerras?
Eu também me assusto: quero antes barulho de chuva
caindo sobre o telhado.
As estrelas cadentes estão indignadas
com suas concorrentes artificiais e negam-se
a cair sobre esse mundo decadente.
E talvez, quem sabe, a Madrugada de Ano-Novo, assustada,
criança, fuja para as fazendas etéreas
para se esconder debaixo dos braços de Deus.
E talvez os anos passados estejam reciclando-se,
já há muito, para substituí-la e estejamos
arrastando nossas vidas ao redor de um círculo vicioso
que avança e recua, progride e regride,
como sobre uma esteira que ao chegar ao término
volta ao ponto inicial de um mesmo ano,
cada vez mais velho e ultrapassado.
Mas o que aqui proponho são apenas mitos.
O que aí está são ritos, vícios, artíficios!
Já que não podemos ver o espetáculo natural no céu,
por favor, não passemos a virada do ano olhando artíficios.
Olhemo-nos nos olhos,
pois que ela, a Madrugada de Ano-Novo,
neles sim, aninha-se e bota um ovo.

de Ricardo G. Dias.

Retirado de "Caminhos da Fortuna", livro infantil escrito por Ivan Fortunato e ilustrado por Ricardo Gracindo Dias.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

eu queria dizer...

Eu agarraria cada segundo de tempo que me parece mínimo, e que ao mesmo tempo eu carrego com as mãos fechadas e fortes, e são tão raros, que quando acabam, parece que mesmo com tanta força, eles escorrem pela minha mão... E só fica eu ali, estática, no meio daquelas luzes amarelas que vibram ainda reproduzindo a minha pulsação...

e eu só queria dizer...