quinta-feira, 21 de agosto de 2008
descoberta do mundo.
Geralmente ele brilha no escuro, sabe? Mas às vezes uma luz se apaga e ele se perde na escuridão. Eu já decorei esse rosto. Só me resta saber se é descoberta ou se é luto. Se a escuridão alimenta ou destrói. Parece uma armadura. Um olhar doce, que traz e esconde.
segunda-feira, 18 de agosto de 2008
sintonia
Chego da cidade arranha céu com um turbilhão passando pela mente. Tudo o que precisava era sentar e sintetizar aqui tudo o que se passou nesses três dias. Então, chego à praça e uma cena me paralisa e me faz voltar no tempo. Há um ano estávamos aqui. E tudo me fugiu à mente. De vida bolha à quase estranhos.
quarta-feira, 13 de agosto de 2008
um brinde.
A realidade é essa: meu corpo implora pelo ócio, pelo tempo, pela minha falsa 'liberdade' há tempos. Mas depois daquela segunda-feira minha cabeça não consegue mais optar pela 'alienação'. Não foram só lágrimas que levamos ao chão. Foi a minha sanidade. Esse cotidiano sufoca minha respiração.
domingo, 10 de agosto de 2008
Pois é.
Suponho que estamos todas presas à essa escuridão. Os dois buracos que furaram o telhado não tem conserto. A gente tapa, mas ele permanece. Somos mais que isso, mas também somos um pouco disso.
sábado, 9 de agosto de 2008
vida imensa;
Andava carregando um peso. Esqueci de tirá-lo do bolso. Joguei as pedras no lago e fiquei lá a observar. De repente senti uma calmaria, que tem variações de intensidade. Me jogaria na água e me molharia inteira. Poderia fechar os olhos e me sentir em outro lugar. Parecia que respirar não era mais esforço algum. Parecia que eu tinha batido na porta e pedido espaço para entrar. Descobri lições de química sem números ou letras, só ao respirar. Me enchi de imensidão e isso era mais próximo do que qualquer coisa.
calmaria;
Engraçado. Alguns momentos são tão cheios de si, independente de qualquer lugar ou quaisquer pessoas. Tudo anda com um ritmo diferente.
As pessoas agem como se lugares preenchessem vazios. Para mim essas coisas não valem mais. Os instantes podem ser repletos sem eu precisar estar no meio de um monte de gente em uma sexta-feira. O desespero de antes se foi. Hoje é calmaria. Uma calmaria diferente, para quem quer intensidades diferentes em momentos diferentes. Tudo merece um instante-já. Cada pessoa merece um instante-já. Parece que as coisas ficam circulando pelos espaços e pedem um momento certo para se encontrarem. Eu sinto assim, como se as coisas fluíssem leves. Nessas horas sempre me dá vontade de soltar o peso do corpo e me jogar em cima de um gramado. Acho que nem há peso nesse momento, me sinto leve. Na verdade, essa cena do gramado que eu guardo sempre na mente diz tudo. O sorriso que vejo, basta para entender como gosto de estar assim.
Me faz lembrar o comentário da Regi, que também permeou minha mente por algumas horas depois que li.
"Ai, Tati, me doa um pouco da tua tranqüilidade?
Me ensina a ser assim tão doce e calma?"
Descobri a resposta, isso é um encontro.
domingo, 3 de agosto de 2008
escolhas;
Saiu correndo. Precisava trancar todas as portas e tinha poucos segundos. Pensou que passaria vento demais. Era impossível se manter imóvel. O vento a levaria e esqueceria de deixar algo do que era em si. Foi tanta pressa que esqueceu de deixar uma saída. Então ela ficou ali, sozinha, em um corredor escuro, com várias escolhas na mão. E para onde ir, afinal?
Depois de agonizar algum tempo na escuridão, parece que uma fresta de luz iluminava a direção certa.
Depois de agonizar algum tempo na escuridão, parece que uma fresta de luz iluminava a direção certa.
quinta-feira, 17 de julho de 2008
só.
Seis meses antes, tudo que eu escrevia aqui tinha um pouco de você. Seis meses depois, quase tudo que escrevo aqui ainda tem um pouco de você. Há seis meses atrás essa música afastava a saudade e apertava ela um pouco mais, talvez. Há seis meses atrás, havia pouco de mim na minha vida. Seis meses depois, há muito em mim e muito em volta de mim. Mas seis meses depois é inevitável lembrar de você inúmeras vezes. É inevitável não citar o seu nome inúmeras vezes. Nunca fui tão aberta, quanto depois que te conheci. E eu te agradeço por somente me mostrar a fechadura, em vez de usar as chaves. E depois de tudo o que se passou, com certa falta de ordem, eu só procuro uma coisa: que superar essa falta seja possível em menos tempo do que já se passou. Espero apagar a dor da saudade, e substituí-las por lembranças, espero conseguir te ver como você me vê hoje. Porque não espero mais nada desde aquele dia acompanhado pelas lágrimas escorrendo do meu rosto no banco de trás do carro. Eu só espero superar essa tristeza que me bate algumas vezes... E que hoje não sei se tem mais a ver com você, ou comigo mesma.
sábado, 31 de maio de 2008
metade-ficção;
Deu pra perceber que parte das coisas a gente inventa. Na real, mesmo o que a gente não quer inventar, acaba virando metade-ficção. A mente tem vida própria, e esperamos sempre bem mais do que vemos. De tanto querer, parece que elas ganham vida própria dentro de nós.
Me deixa perplexa. Será que o que eu espero mesmo são essas invenções? Será que o cru, os cortes mesmo não seriam melhores?
O que pode me deixar mal um dia, pode também me reerguer.
Tudo parece mais claro desde então...
Me deixa perplexa. Será que o que eu espero mesmo são essas invenções? Será que o cru, os cortes mesmo não seriam melhores?
O que pode me deixar mal um dia, pode também me reerguer.
Tudo parece mais claro desde então...
uma grande invenção;
E se percebesse, em hora, que parte - talvez grande parte - do todo era uma grande invenção?
E se a jogassem de frente a parede e o que conseguisse enxergar era somente um extenso branco? E o que poderia dizer, em hora, que não fosse inventado. Talvez o silêncio seria mais puro, mais sincero. Embora que mesmo o silêncio pode ser ilusão. A mente não tem idade, é criança sempre. Inventa e brinca.
E se a jogassem de frente a parede e o que conseguisse enxergar era somente um extenso branco? E o que poderia dizer, em hora, que não fosse inventado. Talvez o silêncio seria mais puro, mais sincero. Embora que mesmo o silêncio pode ser ilusão. A mente não tem idade, é criança sempre. Inventa e brinca.
domingo, 16 de março de 2008
segunda-feira, 10 de março de 2008
uma síntese de intensidade;
Era parar em uma esquina e se tornar transparente em um enlace. Um abraço que trouxe e levou todo o peso do mundo. Tornou o vento e nossos corpos uma só coisa. Os olhos não abririam, sem força, pois lágrimas escorreriam por dez minutos sem parar. Por dez minutos, de um tempo, sem contar... Depois de um dia, depois de uma noite de um dia 12 eu aprendi a viver o que é meu. Aprendi o que foi intensidade, o que é intensidade, e agora, eu aprendi o que é celebração. De vida, e não de amor. De amor por vida, de ganhar corações... sem tê-los, sem possuí-los, de celebração.
terça-feira, 5 de fevereiro de 2008
luz;
Quando fechei as portas, sem você nem saber, lhe disse: adeus. Porque o que eu quero é parar de tentar regar um jardim de onde não saem mais flores. O que eu quero é parar de alimentar algo que não vai renascer, mas também não me deixa continuar. Sopros que só desviam o vento de rumo, ou na verdade, o fazem parar e deixar-me aqui. E estar aqui, é o pior, é entre o sentir e o vazio, é o intervalo entre os espaços de tempo, é o meio-termo.
Parecia que finalmente havia levantado da cama, e libertado os olhos daquela certa melancolia. Mas era ilusão... um golpe do tempo, e arranca-lhe para lá denovo - alguém tenta re-pintar os muros brancos. Preciso acordar, preciso acordar do sonho, antes que façam do muro, parede, e que esqueçam de fazer nelas, as janelas. Mas antes é preciso se libertar do sonho doce...
Parecia que finalmente havia levantado da cama, e libertado os olhos daquela certa melancolia. Mas era ilusão... um golpe do tempo, e arranca-lhe para lá denovo - alguém tenta re-pintar os muros brancos. Preciso acordar, preciso acordar do sonho, antes que façam do muro, parede, e que esqueçam de fazer nelas, as janelas. Mas antes é preciso se libertar do sonho doce...
me diga, o que é ilusão e o que pode ser real... me diz, porque eu me perdi denovo. os olhos me dizem o que realmente eu vejo, ou o que eu quero ver?
domingo, 6 de janeiro de 2008
quinta-feira, 3 de janeiro de 2008
Abri a janela. Levei abaixo o extenso muro branco. Arranquei-lhe da cama com força. Segurei seus braços, abri seus olhos com um sopro. Pareciam imersos em certa melancolia... quase cegos... mas por mais estranho que fosse, ela ainda estava desperta. Bastava-lhe a vontade... bastava, poder soltá-la e ela ainda manter-se de pé. Me chamou, quase em silêncio, ao pé do ouvido, mas não eu quis parar para ouvir, e sem alcance, no caminho, as palavras se perderam... Algumas calaram-se antes de sair, ao encontrar as portas fechadas... sucedeu à ela então, portar-se de costas... Ahhh, lhe digo que se as palavras não se perdessem salvariam o tempo. Pelo menos parece que ela ainda persiste em manter as janelas abertas... uma dose de vento, uma dose de tempo... e abre-lhe os olhos... sempre com sopros de vida.
domingo, 23 de dezembro de 2007
Pisar com passos novos os antigos... e lhe persegue, e lhe persegue. Tente se libertar, e liberdade agora é o que? O inconsciente ainda comanda as mentes, e qualquer razão a gente tenta encontrar no coração... besteira talvez, ainda, gosta e se faz na metade ficção. Porque depois da metade do tempo, vira tudo em vão... qualquer cansaço de corpo, retoma-lhe a mente...
Quando às luzes ainda piscavam, e faziam dos olhos de janelas à portas, tão sensíveis à luz, vermelha, suave, de brisa ... leve..., do que não ilumina, mas sente, tão perto, tão rente, tão forte, que o corpo estremece, e mais nada, você sente... só estar, só estar, e não larga. Então tudo à sua volta se prende, e se solta. Os corpos, inexistem, somente a força do que sente... Em vão, gramados, esquinas, e portas... Prendeu-se, para fora ou dentro delas?
Quando às luzes ainda piscavam, e faziam dos olhos de janelas à portas, tão sensíveis à luz, vermelha, suave, de brisa ... leve..., do que não ilumina, mas sente, tão perto, tão rente, tão forte, que o corpo estremece, e mais nada, você sente... só estar, só estar, e não larga. Então tudo à sua volta se prende, e se solta. Os corpos, inexistem, somente a força do que sente... Em vão, gramados, esquinas, e portas... Prendeu-se, para fora ou dentro delas?
sábado, 24 de novembro de 2007
Dois buracos no telhado
Qual é o ponto de equilíbrio, se perguntava... em que linha fica... em que ponto se segura?
Passa o trem, passa o trem, vai perder! Se não é chegada a hora, vai perder, vai perder...
Circunda a mente, e pára ("vai perder"), e esse é o que não se pode perder assim, fácil.
Segue nos pés (na ponta, e como consegue?), discreta e com encanto, sobe nas pontas dos pés, e nem toca o chão. Faz tanto silêncio, que ninguém percebeu. Mas ninguém percebeu! Tontinha... ninguém percebe, ninguém ouviu. Soltou a palavra, e ela se perdeu. Era importante. Não menos que as que não saíram. Mas psiu, não conta. É segredo, entendeu, como elas. Como elas, perdidas, ambulantes, não páram, não páram.
Me ajuda, segura nas mãos, ou bate, bate e mande elas voltarem, e se reorganizarem. Perdidas! Onde já se viu... em tal situação, palavras perdidas dentro da mente. E quem deixou, e quem foi que deixou se juntarem assim. É fogo, tem vida própria.
Qualquer passo no chão tem vida própria, sabia? A gente nem vê. Eles vão, nos levam. O duro é quando vão e nos deixam ali, no mesmo lugar. E como se mover sem os pés, daí? Essa pergunta não deve ter resposta, ou senão... não teriam esses passos procurando-a pela praça.
E se perceber, o trem passa? O trem passa, se a gente percebe? Deixar o trem é perder? E ganhar é o que?
E como acaba, afinal?
Vejo tantos pontos, vejos tantos pontos, me deixa parar!
Estou perdendo, você não viu? Estou perdendo!
Ali, estou vendo, ali.
Diante de mim, o olhar, o rosto.
Me deixa, me deixa parar.
Eu corro, e espero um abraço.
E que ele vá percorrer a semana.
Passa o trem, passa o trem, vai perder! Se não é chegada a hora, vai perder, vai perder...
Circunda a mente, e pára ("vai perder"), e esse é o que não se pode perder assim, fácil.
Segue nos pés (na ponta, e como consegue?), discreta e com encanto, sobe nas pontas dos pés, e nem toca o chão. Faz tanto silêncio, que ninguém percebeu. Mas ninguém percebeu! Tontinha... ninguém percebe, ninguém ouviu. Soltou a palavra, e ela se perdeu. Era importante. Não menos que as que não saíram. Mas psiu, não conta. É segredo, entendeu, como elas. Como elas, perdidas, ambulantes, não páram, não páram.
Me ajuda, segura nas mãos, ou bate, bate e mande elas voltarem, e se reorganizarem. Perdidas! Onde já se viu... em tal situação, palavras perdidas dentro da mente. E quem deixou, e quem foi que deixou se juntarem assim. É fogo, tem vida própria.
Qualquer passo no chão tem vida própria, sabia? A gente nem vê. Eles vão, nos levam. O duro é quando vão e nos deixam ali, no mesmo lugar. E como se mover sem os pés, daí? Essa pergunta não deve ter resposta, ou senão... não teriam esses passos procurando-a pela praça.
E se perceber, o trem passa? O trem passa, se a gente percebe? Deixar o trem é perder? E ganhar é o que?
E como acaba, afinal?
Vejo tantos pontos, vejos tantos pontos, me deixa parar!
Estou perdendo, você não viu? Estou perdendo!
Ali, estou vendo, ali.
Diante de mim, o olhar, o rosto.
Me deixa, me deixa parar.
Eu corro, e espero um abraço.
E que ele vá percorrer a semana.
terça-feira, 20 de novembro de 2007
tentativas...
Sento-me, como em outras muitas vezes, em que que tento parar para te descrever, o que sinto e o que se passa aqui, quando vejo estes dois vídeos, ou quando te olho, e vejo-me de encontro com um olhar tão doce e intenso. É tão difícil, coração... Isto é qualquer coisa, assim, inexplicável... E que nem necessita de explicação... Mas às vezes, eu custo em tentar. Só pra te falar. Essas necessidades de síntese...
Outro dia, continuo. Como na folha em branco...
Outro dia, continuo. Como na folha em branco...
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