quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

Abri a janela. Levei abaixo o extenso muro branco. Arranquei-lhe da cama com força. Segurei seus braços, abri seus olhos com um sopro. Pareciam imersos em certa melancolia... quase cegos... mas por mais estranho que fosse, ela ainda estava desperta. Bastava-lhe a vontade... bastava, poder soltá-la e ela ainda manter-se de pé. Me chamou, quase em silêncio, ao pé do ouvido, mas não eu quis parar para ouvir, e sem alcance, no caminho, as palavras se perderam... Algumas calaram-se antes de sair, ao encontrar as portas fechadas... sucedeu à ela então, portar-se de costas... Ahhh, lhe digo que se as palavras não se perdessem salvariam o tempo. Pelo menos parece que ela ainda persiste em manter as janelas abertas... uma dose de vento, uma dose de tempo... e abre-lhe os olhos... sempre com sopros de vida.

3 comentários:

Paula Stolf disse...

não sabia que dava pra anexar links no blog(!) vou tentar vasculhar isso pra achar.. mas, por via das dúvidas, adicionei o que está entre o nascente e o poente do sol nos meus favoritos..

amei "abrir os olhos com um sopro"

um sorriso - "entre o nascente e o poente do mesmo sol" ;p

sorriso de mona lisa disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
bea disse...

"uma dose de tempo, uma dose de vento"

gostei disso, é poético, e é, na verdade, bastante real.