quinta-feira, 3 de agosto de 2006

tempestades



Saudade de ter pra quem correr quando a tempestade começa. De não passar o tempo sentindo nada. de ter os dias corridos, ocupadíssimos, com mil funções, que apesar do cansaço enorme que causam, no final do dia te fazem deitar a cabeça no travesseiro e pensar "valeu a pena". Acorda no outro dia, correndo ainda e parte com uma satisfação e objetivos concretos.
As paredes manchadas, marcadas pelas diversas mudanças que a casa suportou, parecem mais solitárias que nunca. de repente a casa se tornou gigantesca e vazia.
Eu nunca fui tão paciente quanto nos últimos meses. Você acaba aprendendo que ela é necessária para não perder algumas coisas importantes. Mas nas últimas semanas não sei porque, muitas vezes ela resolveu sumir, me abandonar. De certa forma eu mesma tenho deixado ela ir sem algum esforço.
tudo mudou e eu não vi. Eu estava de fora, longe, mas dessa vez sem observar. Eu somente estava ali parada, estática, sem reação.
E quando eu ajudei os outros a reconstruir suas barreiras quebradas, a minha fortaleza caiu, se perdeu em meio a eles.
E o pior de tudo é pensar tudo isso, e não saber se é isso mesmo.

saudade de ter pra quem correr quando a minha tempestade começa.

terça-feira, 27 de junho de 2006

(querer)

inverno, pelas cortinas atravessa um vento cortante
dia escuro, pela janela brilho não se vê
mas ainda, não é isso que falta
neste dia primeiro de julho
não é a luz do sol,
o que me ilumina
na verdade
é você,
abre o sorriso,
o resto a gente não vê.

sexta-feira, 19 de maio de 2006

Uma carta

À todas as esperanças atiradas ao vento. À carta nunca respondida e que talvez entregasse ao destino outro rumo. As imagens armazenadas na mente, de um olhar repleto de mágoa diante de um silêncio cortante à um sorriso meigo e sincero que talvez nunca existira, do brilho contido naquele olhar no convite para acompanhar de perto o luar. Talvez a janela de sua alma consiga ver além, mas no meio do caminho sempre se perde, desvia em uma curva e tenta de certa forma consertar as coisas, criando pontos inexistentes. Seu espelho interior é sempre maior, da forma em que os sentimentos e as mágoas refletem no sorriso, no brilho do dia, transformam as cenas em preto e branco, acaba com os sons na noite, dilaceram o que por ali estaria a existir. Um pintor que se perdeu nos traços fortes, em uma tela que não tem fim. Pela noite, caminha e procura um novo rumo, as cores perdidas, com os olhos vendados e um vazio que, enfim, pede para sair à procura de um novo poente.

sábado, 6 de maio de 2006

como um passo de dança.

ela tentava se levantar
e só caia novamente em vão.
procurava um sonho novo
começar novamente
em um céu mais limpo
onde não haja nuvens
para impedir o voar.
que a imaginação possa fluir
sem atrapalhar os sentidos.
que o tom dos dias
seja claro e breve
os segundos mais completos
e os sorrisos mais sinceros.
você pode começar com
um passo de dança
aprenda a flutuar sobre os pés
que te levam a lugar nenhum
e te completam
em alguns minutos.
palavras simples jogadas ao vento
alcançam os melhores ouvintes
abrem corações
renovam as paixões ..

sexta-feira, 28 de abril de 2006

a dois.

Despidos de uma compaixão sutil
caminharam envoltos de desejo
e no caminho há um porém;

será que não consegues ver o interior
dilacerado por palavras não ditas
vivenciadas no refúgio criado em minha mente

és caminho sem volta e passos em vão
profundos lampejos que não levam à luz
a mais dolorosa das sensações

há de afirmar que o silêncio fere menos
mas somente impede a cicatrização veloz
talvez encontre as respostas nas madrugadas hostis
mas por enquanto as curvas na estrada
me impedem de prosseguir

no fervor dos desejos haveria brilho
dentro de teus olhos e tão distantes dos mesmos
conseguira me tornar o reflexo dos teus desejos
não mais que isso
teus olhos não conseguem ver o corpo dilacerado por dentro
estais nú diante de sentimentos anteriores
viris, tuas vísceras dilaceram o que estaria para nascer
então a luz se a apaga, o brilho se perde,
em um mar de sensações vazias
me encontro adentro de um anonimato cruel
o único, generalizado por ti.

arranha, corta, grita e silencia.

segunda-feira, 24 de abril de 2006

entre os ventos.

assuma vida
entre os ventos que contrariam os dias nublados
entre as águas límpidas e frescas
a gravidade te impede de voar
mas não te impede de alcançar o céu

terça-feira, 18 de abril de 2006

fosco.

inspirações na viagem para São Paulo em março.

...

Lembro do choro da menina
Das luzes vermelhas ofuscadas pelos vidros lá fora
Do sono que não vem
A luz ofusca os sonhos
Até mesmo os sonhos mais bonitos
brotam da escuridão do nosso ver.

terça-feira, 11 de abril de 2006

inspirações

Não há de escrever sobre coisas bonitas durante o dia. A madrugada é quem traz os mistérios. No máximo o pôr do sol com seus pincéis pode revelar a linda mistura de cores no céu, antes que a noite caia sobre as mãos entrelaçadas e os cabelos esvoaçantes à beira do rio em um encontro de sentimentos comuns.
- Isso é especial, você consegue sentir? Meus dias são mais completos ao seu lado, seus abraços são a fonte de energia que as poucas horas de sono não me dão..
E continuaram a caminhar sobre as folhas caídas de outono...

retornando.

Tá bem. Criei tantos "vínculos" na internet (fotolog, orkut, multiply...) e estou deixando de manter um dos que mais valem a pena. Este blog e o flickr (onde estão as tão estimadas fotografias) são os mais importantes realmente, escrever e fotografar, algo que quero seguir por muito tempo.

Ela caminhava sobre o pôr-do-sol pensando por dentro de quais portas deveria prosseguir. Várias aberturas estavam à sua frente, mas a decisão precisava ser uma só. Se ao cerrar os olhos tinha a certeza do caminho que queria seguir, por outro, as imagens das impossibilidades perseguiam seus pensamentos. Simples, fácil, rápido, não. Caminhos cheios de contornos, ah sempre esses.

As madrugadas, os sons suaves, as folhas se movimentando, as sombras sobre a areia ... lugar que durante o dia é povoado de sorrisos cativantes e inocência, daquela vontade de viver naquelas pequenas "mentes brilhantes". Na noite é vago, silencioso e confortante, faz bem por si só, mais uma vez ela se balança e sente a brisa pelos longos fios dos cabelos ... a mente está vazia, sem palavras, sem rodeios, bem por si só.

quinta-feira, 9 de março de 2006

junção de palavras escritas.

épocas como livros, às vezes você esquece, esquece realmente das entrelinhas, dos nomes, daqueles pequenos fatos que geraram consequências gigantescas para o dia de hoje.
os dedos estremecem e as palavras não vem, então vamos iniciar uma nova página, outra folha arremessada na lixeira, e novamente a tentativa do "novo". seria sobre fatos reais, ou a expressão escrita daquelas ilusões que habitam sua mente, os seus olhos às vezes também se perdem diante de fatos não reais, e vagam pelo infinito que nasce em seus pensamentos.

só queria escrever e não vem nada à mente. só uma confusão de pensamentos. e aquela coisa que a fez deixar a idéia da psicologia de lado, ela vê as coisas pelos dois lados, sente pelos dois lados e é só a terceira pessoa, ou a quarta, ou a quinta, nada a ver então, mas porque isso então? como ela disse uma vez. ah, bem lembrado, palavras fazem bem ... jogadas ao vento também?

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2006

srta. moça

é como se os seus pequenos segundos fossem minutos para ela
enquanto você guarda o momento,
ela guarda para si todos os sorrisos, olhares e cores que apareceram nesses instantes