quinta-feira, 7 de junho de 2012
"Não apresse o rio, ele corre sozinho..."
A água que cai sem pressa sobre as ruas amarelas pela madrugada... se a solidão tem cor e cheiro deve ser parecido com esse. Tocando a pele do mundo com uma mão apertando o peito. Um suspiro. É tanto amor para um mundo sem amor... Se a tristeza é verdadeira, que verdade traz? Eu só sei que não apresso o rio... uma hora a gente chega que nem a água. A vída é fluída, líquida. A vida é.
domingo, 3 de junho de 2012
segunda-feira, 21 de maio de 2012
domingo, 13 de maio de 2012
segunda-feira, 23 de abril de 2012
domingo, 8 de abril de 2012
domingo, 1 de abril de 2012
segunda-feira, 19 de março de 2012
sábado, 11 de fevereiro de 2012
Gosto de sentar no inverso da cama e olhar o céu. Entre as paredes brancas e a telha meu olhar dá de encontro com um imenso azul. Me faz pensar que a gente é só um ponto, só uma possibilidade das infinitas desse mundo, do universo... e se a gente sofre pela perda também é pelo apego, é por acreditar que o campo das possibilidades se acaba antes da telha, é por esquecer que a caminhada ainda é vasta e repleta de outros. Essa sim é a morte.
sexta-feira, 27 de janeiro de 2012
sobre as férias.
Tem algumas pessoas que são essenciais na nossa vida porque estão um passo além, um pouco a frente do ponto em que você está, já conquistaram sonhos que você ainda pensa em conquistar, pisam em solo que você desconhece, e, principalmente, já superaram a ansiedade de querer tudo ao mesmo tempo e, por isso, sabem aproveitar tudo muito melhor. Tem outras pessoas que são tão especiais como essas, mas que estão muitos passos atrás, ainda trilham um caminho por onde você já passou e que vez ou outra te arrancam a paciência pela ansiedade em vê-las atravessar esse tempo, que às vezes parece curto... mas quando vasculhamos a memória, lembramos que é um tanto longo. Mas existem aquelas que apesar de tão diferentes, estão exatamente no lugar em que você está, no mesmo nível de maturidade, têm a mesma vivência, os mesmos sonhos e as mesmas ansiedades. Também estão a esperar por algo, conscientes de tudo que já se passou, sabem por onde já estiveram e o quanto isso as modificou. Se veem um pouco ali a frente, mas compreendem que ainda existe um longo caminho a percorrer. Essas fazem uma falta tremenda quando não estão por perto. São com elas que a gente pode desabafar como com ninguém outro. Só elas te entendem com um olhar. E é essa falta que a gente sente que parece ser a vida pulsando. A falta de poder sequestrar alguém em uma noite chuvosa e fria para conversar, um desejo tão forte de poder ver denovo um animal tão amado e agora tão distante pisando novamente com as quatro patas na cozinha. Nós somos o que nos falta. Nós somos o que nos falta. Clarice me disse e é verdadeiro. Mas isso também é a nossa pele respirando vida pelos poros. Não há como escapar.
terça-feira, 17 de janeiro de 2012
sábado, 31 de dezembro de 2011
o tempo, o tempo e o tempo...
Não me invadem mais os ares do silêncio, mas um desejo ardente de ser e estar denovo no mundo, de ter energia para enfrentá-lo, de ser diante de alguém o que eu já fui, mas nunca igual a ontem, porque nada vai ser o que era, mas também não dá pra continuar sendo o que se é. Essa busca incansável que a gente tem e que vez ou outra dá um engasgo na garganta. O tempo vai comendo os dias, mas às vezes, vai trazendo eles novamente devagarzinho na lembrança... e tudo parece tão distante que a gente se confunde. Não se sabe mais onde algumas coisas ficaram e porque se perderam... Ao mesmo tempo se esquece de como algumas coisas estão tão vivas, mas distantes. É tudo se transformando o tempo todo...
sexta-feira, 16 de dezembro de 2011
veredas...
A morte se assemelha cada vez menos a uma forma de acontecimento. Parece mais como algo que nos atravessa o tempo todo, de diversas maneiras. Está no passado, na imagem de alguém em um tempo que a gente nunca conheceu, ou pode estar no futuro, nas milhares de coisas que a gente poderia sentir e viver ainda. Às vezes é um desaparecimento lento de alguém... ou chega de forma brusca como a imagem de um acidente na estrada. Em outras é lembrar de alguém toda vez que se fecha os olhos à noite para dormir. É sempre uma bifurcação no tempo. Que nos faz por vezes mudar de caminho e nos desperta...
Na pele fria não há nada, não há amor, não há palavra alguma, só há um espelho que nos obriga a se acertar com o tempo.
Na pele fria não há nada, não há amor, não há palavra alguma, só há um espelho que nos obriga a se acertar com o tempo.
domingo, 11 de setembro de 2011
setembro.
É tão raro eu chorar. E é por isso que hoje é um rito de passagem... da minha necessidade de isolamento e da minha falta de forças pra enfrentar o mundo. Eu estava sentada no muro como não fazia desde a minha infância, e fiquei me observando de cima, pequena, sentada com a minha vó descascando e comendo laranjas no degrau da escada. Fazia tempo que eu não lembrava disso e que essa cena não me parecia tão viva. Depois disso eu só consegui inconscientemente olhar para a horta da varanda no segundo andar. Aquela varanda só era bonita por causa da vida naquela casa. Só me era tão bonita porque alguém cuidava dela. E porque ali tudo transpirava amor. Tão verdadeiro isso... Os lugares só tem vida e ganham significado pelas pessoas que ali passaram e que os cultivaram. E quando eu observei a foto, com a pele da minha vó marcada pelos anos, com aquele lencinho bonito verde claro amarrado largo no pescoço e a laranja vermelha na mão, (eu nunca tinha visto uma laranja vermelha), foi impossível não ficar paralisada olhando por alguns minutos aquela imagem. E só pra mim ela ia significar isso. A minha alma me disse pra eu ficar um pouco tempo a mais naquele lugar. Manhã bonita, tarde bonita, só depois disso eu poderia voltar pra casa. E só com mais alguns dias para pensar, sentir e entender... esses sinais todos que a vida nos manda e que nesse meu tempo lento, eu demoro pra processar e compreender (ou eles tem o tempo deles pra gente compreender). A vida, a saudade, o tempo e a continuidade. O que a gente faz com tudo que acontece e nos surpreende. Sigamos leves e atentos, e sempre com amor. Evoé.
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